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    Empreendedorismo alternativo


    Com fantasias da Disney, venezuelanos ganham a vida em Manaus

    Um grupo de imigrantes encontraram nas figuras de personagens da literatura infantil internacional, um meio rentável para fugir das dificuldades econômicas do seu país

    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney
    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney | Foto: Márcio Melo

    Manaus - Até seria um pedacinho da Disney World em Manaus. Mas, eles não têm as pompas da riqueza do lazer norte-americano. Amigos de estrada, chegaram à capital amazonense, não faz muito tempo, mas, já se encontraram por de traz das fantasias de personagens como o Mickey, a Minnie, a Hello Kitty, os Minions e até o Luigi - irmão do Mário -, para fugir das dificuldades que enfrentaram em seu país de origem, a vizinha Venezuela.

    Fantasiados, sob o forte calor da cidade, eles carregam nas mãos, pelas ruas do Centro, Zona Sul, doces e outros artigos “para los niños” (às crianças) como: pirulito, tiaras e bonequinhos. O segredo do negócio não está na comercialização dos itens, mas sim na colaboração dos manauenses, em troca da atenção exclusiva para tirar uma foto tipo selfie e levar como lembrança ou postar nas suas redes sociais.

    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney
    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney | Foto: Márcio Melo

    Deste modo, mesmo longe do mundo encantado onde vivem essas figuras famosas, os amigos venezuelanos já conseguem também sorrir e fazer planos para ajudarem os seus familiares que ficaram no seu país. Leonardo Aguilar, 36, e Maryuris Garcia, 34, que desceram de Boa Vista (RR) há 15 dias, onde ganhavam com esse trabalho, de R$ 40 a R$ 50, hoje ganham em Manaus de R$ 80 a R$ 100 nos dias fracos e de R$ 200 a R$ 300 nos fins de semana.

    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney
    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney | Foto: Márcio Melo

    Além da troca dos artigos e das poses de fotos pela colaboração dos transeuntes, Leonardo Aguilar diz que o grupo de oito amigos também já começou a prestar serviço como animadores de festas em casas e lojas, no Centro. “Nós já animamos algumas festas, fantasiados. Cobramos por cada personagem R$ 50 por hora”, explica o imigrante, que na Venezuela atuava com técnico agrícola e professor e que aqui é um dos Mickeys do grupo.

    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney
    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney | Foto: Márcio Melo

    Leonardo e Mayuris saíram das suas cidades, Puerto Ordaz e Puerto la Cruz, respectivamente, há três meses e fizeram a sua primeira parada em capital de Roraima, porque, em Pacaraima, as condições da primeira cidade Brasileira próxima à fronteira já não mais suportava a acomodação de novos imigrantes venezuelanos.

    “Viemos para Manaus depois de três meses morando em Boa Vista, porque a situação de lá está muito difícil. Em 15 dias que chegamos aqui [em Manaus] já foi possível notar a diferença. Aqui nós estamos conseguindo trabalhar bem e ganhar um dinheiro melhor”, disse a venezuelana, que no Brasil se veste da ratinha Minnie, mas, na sua terra atuava na previdência social como técnica de segurança do trabalho.

    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney
    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney | Foto: Márcio Melo

    Com a saudade da família muito forte nos olhos, o pintor de construção civil Victor Soares, 35, foi um dos primeiros do grupo a chegar em Manaus. Casado e pai de dois filhos ele aportou em solo amazonense no dia 16 de janeiro deste ano. Criou coragem incentivado pelo seu irmão e sua cunhada que chegaram no ano passado. Ao contrário de muitos imigrantes, ele não parou em Boa Vista para tentar a uma nova vida.

    “Meu irmão e minha cunhada já estavam trabalhando aqui [em Manaus] com fantasias. Eles me falaram que por aqui a situação estava bem melhor. Vim querendo chegar a todo custo no Brasil, não importava a cidade. Aqui estamos conseguindo ganhar um bom dinheiro, mas lembro muito da minha família”, disse Victor Soares. Morando junto com o irmão e a cunhada, ele conta que já faz planos de trazer a mulher e os filhos para o Brasil.

    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney
    Venezuelanos ganham a vida como personagem da Disney | Foto: Márcio Melo

    Assim como Maryuris e Leonardo, Victor estava trabalhando na Venezuela, contudo, com uma inflação que fechou no ano passado em 2.300% - a expectativa é de chegar a 10.000% -, e um produto interno bruto que fechou 2017 com uma queda de 15%, a dificuldade de comprar alimento é muito grande.

    “A situação do nosso país é muito crítica. O salário que ganhamos hoje não dá para comprar comida para alimentar a nossa família. O custo de vida está muito, muito alto”, diz o pintor, que em Manaus atua como o personagem Luigi e faz a alegria das crianças, jovens e adultos quem se divertiram e ou ainda se divertem com jogos do Super Mário.

    A funcionária pública manauense Maria Almeida de Souza, 42, passava com a sua filha pelo cruzamento da rua Henrique Martins com a Eduardo Ribeiro, no Centro, quando viu aquele grupo de personagens infantis da Disney. Ela não contou conversa e aproveitou para fotografar a filha e ela.

    Ficou feliz ao saber que se tratava de imigrantes venezuelanos com uma alternativa para ganhar dinheiro em Manaus, de forma honesta. “É muito bom saber que a nossa cidade pode acolher pessoas de bem que vem de outros países tentar uma melhor sorte na vida. Pelo que vemos pela TV, parece que lá na terra deles não está nada fácil. Que eles continuem fazendo o bem, divertindo as crianças com esse serviço”, diz a manauense. 

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