Fonte: OpenWeather

    Maternidade


    Má saúde bucal da gestante pode resultar em parto prematuro

    Mãe e bebê estão tão conectados durante a gravidez, que até a má higiene bucal pode afetar a vida em formação

    Odontologia para gestantes já é realidade no Brasil. | Foto: Pixabay

    Odontologia para gestantes já é realidade no Brasil.
    Odontologia para gestantes já é realidade no Brasil. | Foto: Pixabay

    Manaus - A gravidez é um período  especial na vida de uma mulher que planeja e sonha em ser mãe. Nesta fase, os cuidados com a saúde redobram. O que muitas mães de primeira viagem não sabem é que problemas com a saúde bucal por afetar a vida em formação. Em alguns casos, a falta de cuidados adequados pode resultar até mesmo em parto prematuro da criança. A reportagem do EM TEMPO com a odontopediatra Erika Perini Grosso, para entender melhor a questão. 

    Muitas mães não sabem qual é a idade correta para levar seu filho(a) ao dentista pela primeira vez. Algumas esperam as crianças chegarem à fase de troca de dentes para só então buscar um odontopediatra. Outras se adiantam e vão antes do tempo correto.

    "A verdade é que a idade certa para as crianças irem ao dentista é ainda na barriga da mamãe", diz a especialista. O ideal é começar a parte da orientação odontológica ainda na gestação. Isso já é uma realidade no Brasil desde 1983. A odontologia para gestantes veio ao país por meio da Bebê Clínica e surgiu no Paraná. 

    Porque começar os cuidado ainda na gestação?

    A saúde bucal da gestante afeta diretamente a gravidez. No primeiro trimestre, os enjoos são muito comuns e frequentes. Muitas mães vomitam bastante nesta fase e não conseguem higienizar os dentes da forma correta. Às vezes são tantos episódios de vômitos que a mulher acaba tendo o PH da boca alterado, proliferação de bactérias e o surgimento das gengivites (inflamação da gengiva). 

    Já existem estudos que comprovam que problemas periodontais, que são problemas na gengiva, podem acarretar em uma série de malefícios para a saúde da grávida e do bebê, como parto prematuro e consequentemente o baixo peso da criança. Em alguns casos, o bebê precisa de uma UTI neonatal e a mãe não consegue amamentá-lo. 

    Esta ausência da amamentação também culmina em alterações na dentição da criança. A criança que mama no peito tem menores chances de desenvolver uma arcada incorreta. Outro benefício da amamentação é o desenvolvimento da respiração correta. A respiração que se dá na hora da mamadeira ou da chupeta é completamente diferente da do peito, então tem uma série de prejuízos para a dentição quando isso acontece. 

    Erika Perini Grosso, odontopediatra.
    Erika Perini Grosso, odontopediatra. | Foto: Divulgação

    Outro fator também em relação à mãe gestante, é a questão de que na quarta ou quinta semana na gestação intrauterina começam a surgir os germes dos dentes decíduos, que são os dentes de leite.

    Ainda dentro da barriga, esses dentes começam a se formar. Nesta fase, qualquer alteração sistêmica no corpo da mãe pode afetar os dentes em formação. Estas alterações sistêmicas podem ser doenças como a sífilis, o uso controlado de antibiótico ou qualquer medicação que seja usado em grande escala. 

    "No primeiro contato com a mãe, o odontopediatra dará orientações e falará sobre a importância da amamentação, as desvantagens da chupeta, falará sobre alimentação, entre outras coisas", explica Erika. 

    O ideal é isso que  a mãe gestante tenha estas orientações antes do parto, para que assim que o bebê nasça ela saiba qual é a forma correta de lidar com a saúde bucal da criança. 

    Depois desta fase, a idade correta para levar a criança ao dentista é quando nascem os primeiros dentinhos. Geralmente os primeiros dentes dos bebês nascem aos seis meses. "Infelizmente é bem comum receber no consultório mães que cometeram diversos erros neste curto período", compartilha. 

    Se você tem um bebê e ainda não levou ao dentista, fique tranquilo. "Minha indicação é que no mínimo o bebê vá ao odontopediatra entre seis meses de idade e o primeiro ano, onde ainda é possível ajustar algumas coisas", orienta. O ideal é consultar um odontopediatra o quanto antes para não ter problemas no futuro.

    Comentários