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    Relações conjugais


    Uso de celular é o principal motivo das brigas de casal na pandemia

    Especialistas afirmam que o parceiro pode se sentir isolado e excluído ao perceber que o tempo que o outro gasta no celular é maior

    O psicólogo José Trintin conta que as brigas são ocasionadas pelo fato de que, em um relacionamento, as pessoas não gostam de ser ignoradas e necessitam da atenção | Foto: Divulgação/Istock

    Manaus - O cenário de pandemia afetou o psicológico de muitas pessoas e, consequentemente, as relações conjugais. De acordo com uma pesquisa do Instituto do Casal, o uso excessivo do celular passou a ser o principal problema gerador de brigas entre casais, indo da terceira para a primeira posição no ranking.

    O psicólogo José Trintin conta que as brigas são ocasionadas pelo fato de que, em um relacionamento, as pessoas não gostam de ser ignoradas e necessitam da atenção do parceiro, e o celular passa a ter influência negativa nessa ocasião quando o tempo gasto com o seu uso é maior do que o tempo gasto com o parceiro.

    "O uso do celular passa a ter influência negativa porque ao mesmo tempo que aproxima quem está longe, afasta quem está perto. Além disso, a pandemia trouxe, por meio do isolamento social, uma carga enorme de medo, solidão, ansiedade com o futuro. Portanto a sensibilidade entre os casais aumentou significativamente, e funcionou como um gatilho para a possibilidade de brigas conjugais durante o confinamento", explica o psicólogo.

    O diálogo entre os parceiros, envolvendo a empatia, escuta, paciência, é importante para manter a conexão entre um casal e o relacionamento saudável, feliz e harmonioso. Conforme o psicólogo, é importante lembrar que esse diálogo é um aprendizado constante e é experimentado, em sua excelência, pela reflexão pessoal, permitindo a expressão verbal plena, sem agressividade. Ter divergências faz parte de uma relação e é algo positivo.

    Frequência das brigas aumentou

    A pesquisa afirma ainda que a frequência das brigas também aumentou. Cerca de 33% dos entrevistados responderam que têm uma discussão pelo menos uma vez na semana; 20% deles têm discussões mais de uma vez por semana e 19% relatou que raramente passa por algum tipo de conflito com o parceiro. A psicóloga Marcela de Souza Lobo afirma que a frequência das discussões pode estar relacionada a diferentes fatores, depende de cada situação entre os casais.

    "A frequência das discussões podem ter significados diferentes para cada dinâmica. Para alguns, representa o desgaste do relacionamento, enquanto outros aprenderam a se relacionar por meio de conflitos e isso acaba se tornando comum. O quanto esses conflitos afetam a sua vida e a do outro? Entender qual o sentido que as brigas têm pode ser um início de um processo de desapego da relação ou até mesmo de uma reconstrução dessa forma de se relacionar", explica a psicóloga.

    A sensação de que está sendo trocada pelo parceiro por causa do celular pode desencadear em uma pessoa diversas outras sensações, como de estar sendo ignorada, sem a atenção necessária que deveria estar sendo oferecida pelo parceiro.

    "A pessoa se sente só, excluída, afastada da relação, ela se sente agredida. Desta forma, a influência negativa do celular no relacionamento é evidente. É uma agressão silenciosa porque você é excluído de uma conversa ou mesmo de uma convivência, cada um fica no seu mundo, separado, diante de uma tecnologia. Este se sentir longe, estando perto, é o que faz tanto mal a uma relação, tem um efeito extremamente danoso", conta Trintin.

    O diálogo entre os parceiros é importante para manter a conexão entre um casal e o relacionamento saudável
    O diálogo entre os parceiros é importante para manter a conexão entre um casal e o relacionamento saudável | Foto: Divulgação/Istock

    Marcela afirma também que o autoconhecimento é importante para prevenir e determinar a relevância dos motivos das brigas. "Talvez seja interessante reconhecer o motivo da existência dessa sensação de 'troca'. O quanto isso pode ser uma necessidade sua por atenção e não necessariamente um problema da relação?".

    Forma como os conflitos são encarados

    Qualquer tipo de conflito também prejudica a saúde mental das pessoas. Os conflitos fazem parte da natureza de qualquer relação e o que pode afetar o padrão de saúde mental do casal é a forma como lidam com os conflitos. O psicólogo José Trintin explica que a forma como os conflitos são encarados é que define as reações mentais do casal, por isso a importância da terapia de casais.

    "A estabilidade emocional dos casais em conflitos constantes é muito prejudicada e as abordagens terapêuticas focam justamente no sentido da psicoeducação, nas habilidades estratégicas e na resolução de conflitos. A forma, o olhar de como esses conflitos são encarados é que vão determinar a saúde mental do casal. A terapia de casal serve justamente para isso, a identificação destes conflitos e uma psicoeducação de como encará-los e de que forma abordá-los para ter uma vida conjugal saudável", relata o psicólogo.

    Por fim, a pesquisa do Instituto do Casal registrou ainda que a divisão das tarefas domésticas está no segundo lugar dos principais motivos de discussões, apontado por 32% dos entrevistados. A falta do diálogo na relação caiu para a sexta posição durante o isolamento, sendo registrado por apenas 24% dos casais. 

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