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    Gravidez


    Gravidez na pandemia requer cuidados dobrados

    Além das preocupações com o parto, mamães e futuras mamães devem ficar atentas agora aos sintomas do novo coronavírus

     

    Adriana e o marido tiveram todos os cuidados sanitários. Mesmo assim, foram contaminados pelo vírus durante a gravidez
    Adriana e o marido tiveram todos os cuidados sanitários. Mesmo assim, foram contaminados pelo vírus durante a gravidez | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus (AM) - É o sonho da maioria das mulheres ter uma família com marido e filhos. Com uma gravidez planejada ou não, todas as mamães e futuras mamães devem fazer os exames de pré-natal antes do parto para saber da saúde dos pequenos. Mas e quando a pandemia afeta presencialmente este processo? E se grávida tiver contato com o novo coronavírus? Esta é pergunta de muitos neste momento. Segundo especialistas que falaram ao EM TEMPO, a gravidez durante a pandemia do novo coronavírus exige atenção especial.

    Grávida do primeira filha aos 35 anos, a servidora pública Adriana Cabral descobriu sobre a chegada do pequeno antes da notícia do primeiro caso da Covid-19 no Amazonas. Os planos de Adriana e do marido em aumentar a família então ficou assustador “O medo sempre nos rondou e mesmo com todos os cuidados e o isolamento social, acabamos eu e meu marido infectados em maio de 2020. Na época, eu estava entrando no sétimo mês. Graças a Deus nos recuperamos em casa, com todos os cuidados médicos”, lembra ela.

    O nono mês chegou em julho de 2020 e com ele, a Maitê. A pequena nasceu saudável e Adriana ficou mais tranquila. “Maitê nasceu em um mês que a pandemia estava um pouco mais 'controlada'. Optamos por uma equipe de assistência multidisciplinar que nos deu todo o suporte e assessoria no pré-natal e pós nascimento. Tivemos alta um dia após o nascimento, tudo para fugir do ambiente hospitalar. Hoje seguimos no isolamento e com uma bebê saudável".

     

    Adriana ficou grávida antes do primeiro caso em Manaus. A pequena Maitê nasceu durante a pandemia
    Adriana ficou grávida antes do primeiro caso em Manaus. A pequena Maitê nasceu durante a pandemia | Foto: Arquivo pessoal

    Amor multiplicado por quatro

     

    Michele (terceira da esquerda para a direita) que já era mãe de três filhos agora ganhou mais quatro. De uma vez
    Michele (terceira da esquerda para a direita) que já era mãe de três filhos agora ganhou mais quatro. De uma vez | Foto: Arquivo pessoal

    Ficar grávida de um filho diante desta pandemia já é difícil. E quando se descobre que está grávida de quatro crianças? Este foi o desafio da Michele Freitas, cozinheira, que aos 39 anos de idade e já mãe de outros três filhos: Ana Flávia, de 21 anos, Ana Vitória (18) e Alexandre com 11 anos, descobriu que estava grávida. Não de uma, nem de duas, mas de quatro princesas.

    “Além do pré-natal ser especial já que eram quatro bebês, eu também tenho o sangue O-. Fiquei assustada, mas graças a Deus recebi a assistência de muitos amigos e familiares e até doações de fraldas e brinquedos de pessoas que nem me conheciam”, revela

    Não obstante a estes desafios, Michele descobriu durante a gravidez que teve contato com o vírus. “Eu tive todo o cuidado e mesmo assim em abril de 2020 senti todos os sintomas do vírus. Fiz o teste e deu positivo para o contato com o vírus. Apesar disso, os sintomas foram brandos”, lembra a cozinheira.

    No fim do ano passado, mais uma notícia boa, mas com preocupações por conta da pandemia. Sua primogênita, Ana Flávia, descobriu uma gravidez. Ela atualmente está no terceiro mês da gestação “Tenho medo, pois não peguei Covid e estou fazendo o pré-natal em um SPA (sistema de pronto atendimento) próximo da minha casa. Estou tomando todos os cuidados, mas me preocupo. Os agendamentos para os exames estão sendo feitos em momentos em que não estão atendendo pessoas com o coronavírus, mas sei lá, pode ter vírus nos móveis, nos corrimãos. Eu me preocupo”, contou Ana Flávia.

    Cuidados dobrados

     A pandemia do coronavírus resultou em uma queda significativa no número de exames de pré-natal, fundamentais para avaliar a gestante e o bebê, ainda que nunca tenha sido recomendada a paralisação do acompanhamento médico nessas circunstâncias.

    A orientação do ginecologista e obstetra, João Catarino Júnior, é que os exames de pré-natal não parem. pois desta forma  é possível detectar a Covid-19,

    “O pré-natal têm que continuar, a recomendação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasco) é que essas gestantes continuem fazendo o pré-natal regularmente, pois é assim que se identifica não só a Covid-19, mas também outras doenças como as diabetes gestacional", explica.

    O especialista ainda despreocupa as futuras mamães de que a  transmissão do coronavírus não passa para o bebê quando a grávida tem contato com o vírus. "As grávidas dentro de uma estatística não compõem um grupo de risco. Durante esta pandemia, inclusive, acompanhamos muitas mulheres grávidas com a Covid-19. Muitas apresentando sintomas leves com as características que já conhecemos: perda do olfato e do paladar, calafrios e outros sintomas mais fracos. Porém é importante que se ressalte que é uma doença nova, que ainda estamos conhecendo. Os cuidados que as grávidas tem que ter são os mesmos que devem ter as demais pessoas".

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