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    Pesquisa


    Pesquisa alerta: amigos podem fazer bem ou mal à saúde

    O Estudo Cardíaco de Framingham (Farmingham Heart Research), liderado por pesquisadores de universidades como Harvard e Cambridge, analisa o poder dos contatos sociais e como podem influenciar em nossa saúde

    Pessoas que valorizamos e com quem estamos em constante contato formam nossa rede social
    Pessoas que valorizamos e com quem estamos em constante contato formam nossa rede social | Foto: Reprodução

    Nós tendemos a copiar a forma como amigos e familiares se comportam, o que potencialmente pode nos levar a engordar demais ou até ao divórcio. Mas há estímulos positivos que podem ser explorados .No começo de um novo ano, várias pessoas adotam resoluções para ter um estilo de vida mais saudável. 

    Muitas acham que fazer dieta ou se inscrever numa academia é mais fácil quando amigos e familiares adotam a mesma resolução. 

    Mas nem todas as decisões que afetam a nossa saúde são conscientes e intencionais, já que tendemos a copiar o comportamento de amigos, colegas e parentes que admiramos. Por que um país inteiro declarou guerra a protetores solares. Suécia, o país onde perder o emprego pode ser uma coisa boa

    Infelizmente, também imitamos os hábitos ruins para a nossa saúde, como fumar ou comer demais. 

    Esse fenômeno ajuda a explicar por que condições não contagiosas, como doenças do coração, derrames e câncer, parecem se espalhar de uma pessoa a outra como uma infecção. 

    Pessoas que valorizamos e com quem estamos em constante contato formam nossa rede social. 

    Obesidade

    O Estudo Cardíaco de Framingham (Farmingham Heart Research), liderado por pesquisadores de universidades como Harvard e Cambridge, analisa o poder desses contatos sociais desde os anos 40, ao acompanhar três gerações de moradores de Framingham, em Massachusetts, nos Estados Unidos. 

    A pesquisa indica que temos mais chance de nos tornarmos obesos se alguém de nosso círculo íntimo for obeso. Conforme o estudo, uma pessoa é 57% mais propensa a se tornar obesa se tiver como amigo ou amiga uma pessoa muito acima do peso.  

    Moradores de Framingham, em Massachusetts, foram acompanhados por pesquisadores desde 1948, para um estudo sobre como os círculos sociais afetam o comportamento humano.

    No caso de ter uma irmã ou irmão obeso, o percentual é de 40%. E uma pessoa que tem parceiro obeso tem chance 37% maior de ficar acima do peso. 

    O impacto é maior se as duas pessoas forem do mesmo gênero e se a ligação emocional entre elas for grande. 

    O estudo de Framingham indica, por exemplo, que ter um vizinho obeso não afeta o seu peso, se vocês não tiverem um relacionamento próximo, mesmo que você o veja diariamente entrando e saindo de casa. 

    Em relacionamentos "desiguais", a pessoa que enxerga a amizade da outra como muito importante é mais propensa a engordar se o amigo ou a amiga ficar acima do peso.  O nível de divórcios e vício em cigarro e álcool também parece se espalhar entre amigos e parentes. 

    Embora nossa saúde seja afetada pelo envelhecimento e predisposições genéticas a certas condições, nosso risco de desenvolver doenças não infecciosas aumenta a depender de certos comportamentos: se você fuma, se adota uma dieta equilibrada, a quantidade de atividade física que faz semanalmente e o volume de álcool que ingere. 

    Doenças não infecciosas como de coração, pulmão, derrame, câncer e diabetes, causam sete a cada 10 mortes no mundo todo. No Reino Unido, são a causa de 90% das mortes. 

    Sentimentos contagiam

    As conexões sociais também podem afetar nosso humor e comportamento. Não surpreende, portanto, que o fumo entre adolescentes seja influenciado pelo desejo de popularidade. Quando adolescentes considerados "populares" fumam, os níveis de dependência em cigarro aumentam e o número de jovens que desejam e conseguem parar de fumar cai. 

    Ao mesmo tempo, jovens cujos amigos são mais desanimados tendem a desenvolver esse tipo de humor também. No caso de depressão clínica, estudos não encontraram evidências de que ela possa se espalhar pelo convívio. 

    Mas desânimo e mau humor já são suficientes para afetar a qualidade de vida dos adolescentes e, em alguns casos, podem aumentar o risco de desenvolverem depressão clínica no futuro. 

    A ideia de que sentimentos contagiam é respaldada por um controverso experimento secreto conduzido em quase 700 mil usuários do Facebook. A pesquisa filtrou de maneira seletiva o que podia ser visto nos feeds de notícia, que usam algoritmos para mostrar postagens relevantes para o usuário da rede social. 

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