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    Paralisação


    Falta de ônibus em Manaus não aumenta busca por transporte alternativo

    Greve chega ao segundo dia e apenas 70% da frota dos ônibus circula nas ruas da capital amazonense, onde mais de 750 mil pessoas dependem dos ônibus

    Paralisação parcial do transporte público já dura mais de 30 horas | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Com a paralisação de 30% da frota do transporte público de Manaus, os mais de 750 mil usuários têm procurado outros serviços de transporte. Os micro-ônibus do transporte alternativo e executivo têm sido uma das soluções para chegar ao destino, além da utilização de mototaxistas e motoristas por aplicativo.

    Ao Em Tempo, o mototaxista Same Fernandes, de 50 anos, informou que a greve dos rodoviários não aumentou a demanda do serviço do transporte de passageiros.

    Segundo ele, a concorrência desleal dos motoristas de aplicativos de transporte de passageiros e de outros mototaxistas não legalizados, conhecidos como "clandestinos", vem causando a diminuição do serviço.

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    Fernandes reclama da concorrência desleal de mototaxistas clandestinos
    Fernandes reclama da concorrência desleal de mototaxistas clandestinos | Foto: Josemar Antunes

    Fernandes ressaltou, ainda, que a renda atualmente de um mototaxista gira em torno de R$ 80 a R$ 120 por dia. A categoria conta com mais de três mil profissionais regulamentos pela Prefeitura de Manaus, afirma o trabalhador.

    Já o motorista João Vitor, de 26 anos, que presta serviços à empresa Uber, a greve aderida pelos rodoviários tem aumentado a demanda dos serviços, porém os lucros caíram cerca de 25%. O motivo, segundo ele, seria por conta do aumento do preço do litro da gasolina, anunciado pela Petrobras.

    O vendedor Charles Mendes, de 28 anos, disse que a greve é válida em buscas dos direitos trabalhistas, mas acaba prejudicando a população que sai de casa para trabalhar ou estudar.  

    Em meio à crime, há que utilize o aplicativo da Uber para solicitar transporte
    Em meio à crime, há que utilize o aplicativo da Uber para solicitar transporte | Foto: Daniel Landazuri

    "Espero que os empresários cumpram com as reivindicações dos rodoviários e, não prejudiquem os usuários. Na manhã de ontem [terça-feira], precisei utilizar o serviço da Uber e desembolsar R$ 25 para chegar ao meu destino", pontuou. 

    Conforme João Vitor, com a greve, os serviços do transporte por aplicativo aumentam sempre no início da manhã, já que muitas pessoas que trabalham e estudam precisam chegar aos seus destinos.

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    Alguns passageiros reclamam do valor gasto com a Uber por conta da paralisação dos rodoviários
    Alguns passageiros reclamam do valor gasto com a Uber por conta da paralisação dos rodoviários | Foto: Divulgação

    Já Carlos Silva, de 37 anos, que recentemente passou a trabalhar como motorista da Uber em Manaus, os lucros estão abaixo da média. "Em Curitiba, eu trabalhava para a Uber. Me mudei para Manaus para tentar uma vida melhor, pois vim com a esposa que foi transferida de empresa, porém o custo de uma corrida aqui é abaixo do que eu previa. Além do mais, a cada dia que passa o meu lucro só diminui. Tô tendo que pagar para trabalhar", diz o homem. 

    Apesar da frota de ônibus operar em 70% pelas ruas da capital amazonense, os pontos de ônibus e terminais de integração continuam lotadas com usuários à espera dos coletivos. A greve aderida pelos rodoviários reivindica os direitos trabalhistas, como dissídio coletivo de 2018/2019, ainda não concedido pelas empresas, além do reajuste salarial de 6,5%.

    Não há previsão para o término da paralisação, porém Prefeitura estipulou o prazo até as 18h desta quarta para sindicatos entrarem em acordo
    Não há previsão para o término da paralisação, porém Prefeitura estipulou o prazo até as 18h desta quarta para sindicatos entrarem em acordo | Foto: Ione Moreno

    Membros do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), acompanham desde as primeiras horas, a movimentação nas oitos garagens de empresas de ônibus, com ameaça de 100% de paralisação na próxima semana.

    Após a reunião entre a Prefeitura de Manaus e os sindicatos dos Rodoviários e Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), a categoria aguarda o prazo de 24 horas, estipulado pelo Prefeito de Manaus Arthur Vírgilio Neto, na noite de terça-feira (29), para anunciar oficialmente a paralisação total do transporte público.

    Edição: Isac Sharlon

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