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    Após quatro meses


    PC adota 'lei da mordaça' sobre investigação da chacina na Compensa

    Especializada em Homicídios e Sequestros não repassa mais informações sobre a chacina que ocorreu no ano passado no bairro da Compensa, Zona Oeste da capital.

    Durante esses quatro meses, apenas o principal suspeito de ter sido o mandante da chacina foi preso. Andrei de Souza Guabiraba, o "Buiú", de 36 anos, foi capturado pela Força-Tarefa da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). | Foto: Raphael Tavares

    Manaus - Após quatro meses de uma noite que jamais será esquecida no bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus, a Polícia Civil adota a "lei da mordaça" para esconder a falta de investigação sobre a chacina que matou seis pessoas e deixou outras nove feridas, na noite do dia 12 de dezembro do ano passado. O atentado teria sido motivado por uma rixa dentro de facções criminosas da capital.

    A equipe do EM TEMPO tentou inúmeras vezes contato com o titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, por meio da assessoria de imprensa da PC, mas teve a informação de que estava sendo impossível obter contato com a autoridade devido à falta de comunicação entre os departamentos. A reportagem ainda foi à sede da DEHS, mas o policial não estava presente no prédio. Os investigadores explicaram que não tinham autorização para comentar esse caso.

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    Até o momento, o crime segue sem solução. Um dos familiares das parentes foi procurado e explicou que, por medo de represálias, não busca mais informações sobre o caso na delegacia. "Nós cansamos de ir atrás de algo na delegacia, eles nunca têm nada de novo e não dão nenhuma explicação para nós, só dizem que estão investigando, mas a gente não vê nenhum resultado dessa investigação. Temos até medo de sofrer algum tipo de ameaça por conta dos criminosos que realizaram o atentado", contou a familiar, que prefere não se identificar.

    Apenas um preso

    Durante esses quatro meses, apenas o principal suspeito de ter sido o mandante da chacina foi preso. Andrei de Souza Guabiraba, o "Buiú", de 36 anos, foi capturado pela Força-Tarefa da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

    A prisão dele foi como um prêmio para a força de segurança do Estado que iniciou uma caçada pelos bairros de Manaus logo após a execução das vítimas no CSU da Compensa. Seis dias após a chacina, "Buiú" foi localizado no centro comercial de Manaus e, depois disso, a polícia silenciou sobre o caso.

    Entenda como ocorreu a chacina

    Homens fortemente armados e encapuzados invadiram o campo do CSU do Compensa, durante um treino de futebol entre os times T5 Jamaica e Compensão, ambos patrocinados pela FDN, e realizaram os disparos. Dois homens morreram no local e outros quatro não resistiram aos ferimentos enquanto eram socorridos até o SPA Joventina Dias. 

    As vítimas fatais da chacina foram o gerenciador David Costa da Silva, de 27 anos, o segurança Ronaldo Oliveira de Souza, de 23 anos, o vigilante Michel de Sena Passos, de 33 anos, o soldador Edilson Xavier Diniz Júnior, o estudante José Diego Sena Serrão, de 17 anos, e o promotor de vendas Rodrigo Oliveira de Souza, de 24 anos.

    Facção dividida

    Em entrevista ao EM TEMPO, no dia 15 de dezembro, três dias após o crime, o delegado titular da DEHS explicou que as investigações apontavam que as mortes eram reflexos de uma divisão dentro da facção Família do Norte (FDN).

    “Começamos a analisar os crimes ocorridos durante a semana e vimos que uma pessoa foi executada por engano por ter um apelido igual de outra pessoa. Essa outra comandaria o tráfico de drogas na zona Sul. Por conta disso, houve essa retaliação. Temos informações de inteligência nesse sentido, com testemunhas, inclusive”, disse o delegado.

    Depois desse período, várias tentativas de contato para atualizações sobre o caso foram realizas, porém, nada mais foi divulgado sobre a chacina.

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