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    Crimes


    Mesmo com 'reforço' da segurança, Manaus tem duas mortes por dia

    Balanço divulgado pela SSP-AM aponta que em 2018 houve redução de 15,5% no número de homicídios em comparação com os três primeiros meses dos últimos quatro anos

    Mesmo com a diminuição do número de mortes, o medo toma conta da população nos quatro cantos da cidade | Foto: Janailton Falcão

    Manaus - Mesmo com moradores trancafiados em casas e com medo nos quatros cantos de Manaus, principalmente na Zona Norte, conforme divulgado pelo Em Tempo com as matérias: "Cidade de Deus, o retrato do medo e da insegurança em Manaus" e " Prisioneiros do medo: moradores relatam falta de segurança no Mutirão", publicadas em março e maio de 2018, respectivamente, a Secretária de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM) diz que entre janeiro e março deste ano houve uma queda de 15,5% no número de homicídios em comparação com o mesmo período dos anos de 2014 a 2017.

    A pasta contabiliza apenas 184 homicídios este ano, contra 218 da média dos últimos quatro anos. Apesar da diminuição, a insegurança ainda toma conta da população, que assiste a dois homicídios por dia.

    Vale ressaltar, também, que em janeiro de 2017 houve o segundo maior massacre da história de penitenciárias do país, em que 64 presos foram assassinados, sendo boa parte deles decapitados, em duas unidades prisionais do Estado: o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), ambas em Manaus. 

    Em 2018 foram registrados apenas 184 homicídios nos três primeiros meses
    Em 2018 foram registrados apenas 184 homicídios nos três primeiros meses | Foto: Divulgação

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    Os dados, apresentados nesta sexta (11), pela SSP-AM, são do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), desenvolvido com o objetivo de auxiliar os órgãos de segurança pública a atenderem as demandas da população quanto à necessidade de assistência e segurança pública, de uma maneira integrada e coordenada.

    Força-tarefa 

    Na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), uma força-tarefa com reforço de investigadores e delegados foi criada para dar celeridade às investigações e resolução de casos. Apesar disso, não há divulgação sobre o resultados das investigações da noite que jamais será esquecida no bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus.

    A Polícia Civil adota a "lei da mordaça" para esconder a falta de investigação sobre a chacina que matou seis pessoas e deixou outras nove feridas, na noite do dia 12 de dezembro do ano passado. O atentado, que ocorreu há cinco meses, teria sido motivado por uma rixa dentro de facções criminosas da capital.

    O novo titular da SSP-AM, coronel da Polícia Militar Anézio Paiva, que está a pouco mais de um mês no comando da segurança em todo o Estado, aponta que a redução em diversos indicadores de criminalidade reflete as mudanças de estratégia da gestão.

    “Conseguimos interromper uma sequência de crescimento dos indicadores criminais e de mortes violentas a partir de um trabalho integrado entre a inteligência, a investigação e a polícia nas ruas, com a setorização das viaturas de forma a aumentar a presença policial.

    Em matérias divulgadas pelo Em Tempo, moradores de Manaus relatam medo e insegurança em sair de casa
    Em matérias divulgadas pelo Em Tempo, moradores de Manaus relatam medo e insegurança em sair de casa | Foto: Janailton Falcão

    Aliado a esse trabalho, houve a renovação de parte da frota de viaturas, melhorias técnicas, aumento das delegacias funcionando em regime de plantão e, principalmente, a otimização dos nossos recursos, colocando nas ruas equipamentos que antes estavam subutilizados”, enfatizou Paiva.

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    Investigação?

    Para o delegado titular da DEHS, Jeff David Mac Donald, nomeado recentemente para o cargo, a melhoria dos índices é resultado das diferentes formas de atuações do Estado. “Vem de um conjunto de atividades sociais por parte do governo e atividades em segurança, como as estratégias de combate à criminalidade usando as manchas criminais. Isso reflete diretamente na inibição de crimes de homicídio”, afirmou.

    As investigações em torno do atentado, que matou seis pessoas na Zona Oeste de Manaus e ficou conhecido como "Chacina da Compensa", seguem em silêncio
    As investigações em torno do atentado, que matou seis pessoas na Zona Oeste de Manaus e ficou conhecido como "Chacina da Compensa", seguem em silêncio | Foto: Marcelo Cadilhe

    Apesar de citar as manchas criminais, que corresponde ao índice de criminalidade por bairros da cidade, a SSP-AM não divulgou, quando solicitada pelo Portal Em Tempo este mês, o mapeamento dessas áreas. 

    Outro ponto determinante para o avanço do combate à criminalidade, segundo o delegado, foram as estratégias de ação ostensiva executadas pela polícia. “Com a prisão de mandantes de vários crimes, consequentemente se reduzem as ordens de execuções, normalmente relacionadas ao tráfico de drogas”, disse. 

    O primeiro caso elucidado por Jeff David Mac Donald como titular da DEHS foi apresentado à imprensa no último dia 8 com a prisão de  Rodrigo Rufino de Castro, de 19 anos, por autoria da morte de Denner Pinheiro de Souza, de 23 anos, no dia 4 de março deste ano, na rua Aristides Rocha, bairro Petrópolis, Zona Sul da capital. 

    A redução estatística pode trazer conforto para alguns, mas a realidade é outra para quem vive em área vermelha
    A redução estatística pode trazer conforto para alguns, mas a realidade é outra para quem vive em área vermelha | Foto: Márcio Melo

    Tentativas de homicídios 

    Neste início de ano, também houve queda nos números de tentativas de homicídios, conforme divulgado pela SSP-AM. Nos primeiros três meses de 2018 foram 43 registros, contra 92 da média registrada de 2014 a 2017. A queda, em percentuais, é de 53%. Outros índices que apresentaram avanços neste ano são o de lesão corporal e o de roubo seguido de morte, o chamado latrocínio. 

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    No primeiro caso, de lesão corporal, os indicadores apontam para 1.858 registros nos primeiros três meses de 2018. Se comparados com a média de 2014 a 2017, houve queda de 15,5% - foram 2,2 mil registros nos últimos anos.

    Segundo o delegado titular da DEHS, as estratégias de ação ostensiva executadas pela polícia estão trazendo resultados positivos para a elucidação dos homicídios
    Segundo o delegado titular da DEHS, as estratégias de ação ostensiva executadas pela polícia estão trazendo resultados positivos para a elucidação dos homicídios | Foto: Márcio Melo

    No caso dos latrocínios, os registros apontam para uma queda de 11,8%. Em 2018, foram 13 registros de janeiro a março, muito próximo da média de 2014 a 2017, de 15 casos.

    Além das quedas nos índices de homicídios, tentativas de homicídios, lesões corporais e latrocínios, os dados do Sistema Integrado de Segurança Pública revelam queda de 1,1% nos casos de estupro e aumento de 50,5% nas apreensões de armas de fogo. 

    Reforço ostensivo

    Desde outubro de 2017, houve a substituição de 269 viaturas na capital e interior, a reimplantação do patrulhamento comunitário em bairros das zonas Norte, Leste e Centro-Sul, além do fortalecimento das operações integradas na capital e interior. 

    *Com informações da assessoria

    Edição: Isac Sharlon

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