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    Dia de Combate ao Tabagismo


    Combate ao tabagismo: conheça pessoas que superaram o vício em Manaus

    No dia de combate mundial ao tabagismo, pessoas que venceram o vício e os que ainda lutam para abandonar o cigarro contam histórias de superação

    O hábito de fumar traz riscos severos à saúde e, quanto mais cedo for abandonado, menores são as chances de contrair doenças sérias em uma idade mais avançada | Foto: Divulgação

    Manaus – Há dois anos o cigarro não é mais parte da rotina da jornalista Maysa Leão, de 28 anos. Ela começou a fumar aos 20 anos de idade, influenciada, assim como muitos jovens, por amigos mais velhos que já fumavam. Para se enturmar melhor com os amigos, Maysa começou a fumar escondido. Nesta quinta-feira (31) em que se comemora o Dia Mundial Sem Tabaco, o Em Tempo traz relatos de histórias de algumas pessoas que venceram a luta contra o cigarro. 

    Após passar seis anos com o hábito de fumar, Maysa conseguiu largar o vício e hoje faz parte de um número crescente de pessoas que abandonaram o vício em nicotina. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet, no período entre 1990 e 2015, a porcentagem de fumantes diários no Brasil caiu de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre mulheres.

    Mesmo com a diminuição de fumantes no mundo, a data ainda é importante para trazer atenção aos malefícios causados pela nicotina
    Mesmo com a diminuição de fumantes no mundo, a data ainda é importante para trazer atenção aos malefícios causados pela nicotina | Foto: Divulgação

    Ainda de acordo com o estudo realizado em 2015, aproximadamente um bilhão de pessoas no mundo inteiro fumavam diariamente, o equivalente a um em cada quatro homens e uma em 20 mulheres. A proporção é levemente diferente da registrada 25 anos antes: em 1990, era um em cada três homens e uma em cada 12 mulheres.

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    Para o repórter fotográfico Joel Rosas, de 50 anos, o ponto decisivo para largar o vício foi uma atitude do filho de 11 anos. Joel, que fumava há duas décadas assustou-se ao ver o filho, na época com cinco anos, brincando com um cigarro na boca. 

    “Eu havia jogado um cigarro e de repente o flagrei brincando com isso, como se ensaiasse fumar. Aquilo me assustou de tal forma que decidi que daria esse exemplo para meu filho e largaria o cigarro”, afirmou.

    Assim como Maysa, o repórter fotográfico também começou a fumar para parecer “descolado” com os amigos. “Na década de 80, fumar era uma atitude de uma pessoa popular. As propagandas eram bonitas e os personagens incentivavam as pessoas a alimentar o vício”, conta. 

    Joel foi fumante por 20 anos e, após largar o vício pode notar as mudanças no corpo e levar uma vida mais saudável
    Joel foi fumante por 20 anos e, após largar o vício pode notar as mudanças no corpo e levar uma vida mais saudável | Foto: Arquivo pessoal

    O que começou como uma brincadeira virou um hábito sério que chegou a alterar a rotina de Joel e, consequentemente, hoje acarreta problemas de saúde. “Não conseguia tomar um café sem querer fumar cigarro, hoje em dia vejo as consequências que o hábito trouxe como a pele ressecada e dentes que amarelados”, diz ele, complementando que, se tivesse continuado o vício, os problemas poderiam ser mais profundos.

    A coordenadora estadual da Atenção Oncológica, enfermeira Marília Muniz, afirma que o cigarro é um dos principais fatores de risco do câncer na atualidade e seu consumo está relacionado ao desenvolvimento de neoplasias malignas nos aparelhos respiratório, digestivo e urinário, além das de mama. 

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    “Procuramos sempre alertar sobre a importância de se abandonar esse mau hábito que, além do câncer, também pode causar doenças cardiovasculares severas, levando à morte”, diz Marília. 

    Sobre a data

    O Dia Mundial Sem Tabaco foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no ano de 1987.  O dia é uma forma de alerta para a população sobre as doenças e mortes causadas pelo tabagismo, que poderiam ser evitadas com o abandono do cigarro.

    No Brasil uma extensa campanha de conscientização é realizada por órgãos subordinados ao Ministério da Saúde. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) é um dos principais órgãos na frente de combate ao tabagismo. O tema da campanha deste ano é "Tabaco e doença cardíaca". 

    Neste ano, o tema da campanha de conscientização antitabagismo deste ano foca nas doenças cardíacas geradas pelo hábito de fumar
    Neste ano, o tema da campanha de conscientização antitabagismo deste ano foca nas doenças cardíacas geradas pelo hábito de fumar | Foto: Divulgação

    Já no Amazonas, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) realiza uma campanha de alerta e traz a atenção para os índices de pessoas que desenvolvem câncer devido ao tabagismo. Segundo especialistas, o tabaco está relacionado a pelo menos oito tipos de cânceres, que somam 19,4% do total de diagnósticos previstos para 2018 no Estado.

    O câncer de estômago desponta no número de previsão de atendimentos com aproximadamente 460 casos para este ano. Câncer de pulmão, brônquio e traqueia aparecem logo após com uma somatória de 370 casos previstos para 2018, em seguida, câncer de boca, 120 casos, laringe, 100 casos, bexiga, 50 casos e, por último, câncer no esôfago com previsão de 50 casos apenas em homens. Os números chegam a um total de 1.140 dos 5.860 novos diagnósticos previstos para o Amazonas este ano, segundo o Inca.

    O coordenador estadual do Programa de Controle do Tabagismo no Amazonas, cardiologista Aristóteles Comte Alencar, reforça que o consumo de cigarro é considerado uma epidemia global, que mata sete milhões de pessoas ao ano, sendo 900 mil fumantes passivos. Quase 80% dos mais de um bilhão de fumantes no mundo vivem em países de baixa e média renda, onde o peso das doenças relacionadas ao tabagismo é maior.

    Pessoas que fumam são muito mais propensas a desenvolver algum tipo de câncer ou contrair problemas de saúde mais graves
    Pessoas que fumam são muito mais propensas a desenvolver algum tipo de câncer ou contrair problemas de saúde mais graves | Foto: Divulgação

    De acordo com Aristóteles Alencar, os acidentes vasculares cerebrais (AVCs), infartos, transtornos mentais e diversas doenças crônicas, têm relação direta com o tabagismo. “Hoje sabemos que o tabagismo é uma doença epidêmica, pois causa dependência física e psicológica, em função da nicotina”.

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    Mais de 4,7 mil substâncias químicas tóxicas estão presentes em um único cigarro, incluindo o monóxido de carbono, amônia, entre outras. “Também encontramos na composição, diversas substâncias cancerígenas, a exemplo do arsênio, níquel, benzopireno, cádmio e chumbo”, explica o médico. 

    Ainda de acordo com o cardiologista, quanto mais cedo se abandona a dependência, menos exposto às substâncias tóxicas o indivíduo ficará e menos chances terá de desenvolver diversas doenças ao longo da vida.

    Programas municipais

    O programa Municipal de Controle do Tabagismo, oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) teve início em 2007, com a instalação do primeiro ambulatório para tratamento de fumantes. Atualmente, a rede municipal conta com 21 ambulatórios, com cobertura nos cinco Distritos de Saúde.

    Cada ambulatório oferece tratamento e acompanhamento multiprofissional com médico, psicólogo, fisioterapeuta, enfermeiro, nutricionista, odontólogo e assistente social, entre outros profissionais. O tratamento é feito em grupo, por meio de terapia cognitivo-comportamental, e, dependendo do quadro clínico, o paciente recebe medicação de suporte.

    A Prefeitura oferta, de forma gratuita, auxílio para fumantes que quiserem abandonar o vício do tabagismo
    A Prefeitura oferta, de forma gratuita, auxílio para fumantes que quiserem abandonar o vício do tabagismo | Foto: Divulgação

    De acordo com dados da Semsa, entre 2013 e 2017, em torno de 1,8 mil pessoas passaram pelo Programa, que tem um índice de cessação (pessoas que param efetivamente de fumar) de aproximadamente 60%. Taxa acima da média nacional, de 50%.

    Para quem busca abandonar o cigarro, como o cozinheiro João Neto Medeiros, de 27 anos, o programa oferecido pela prefeitura é uma alternativa acessível. Fumante há aproximadamente nove anos, João já tentou abandonar o vício por vontade própria outras vezes, mas nunca completou nenhum tipo de tratamento. 

    “Tentei várias vezes parar, mas no fim acabava desistindo e voltava a fumar, cheguei inclusive a usar adesivos de nicotina, mas sem sucesso. Recentemente, um amigo me indicou o programa oferecido pela saúde municipal e resolvi tentar parar, e agora largar de vez o vício”, disse. 

    Para os fumantes com o mesmo desejo de abandonar o vício e têm interesse no tratamento, o telefone 0800 280 8 280 está disponível para informações e indicações sobre a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de onde o paciente e o que precisa procurar para fazer o tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

    Edição: Lívia Nadjanara

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