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    SONO


    Seu filho é sonâmbulo? Conheça o tratamento para a doença

    Doença do sono, também chamada de hipnofrenose, afeta principalmente crianças

    Estudo aponta que 15% das crianças sofrem com o problema | Foto: Divulgação

    Manaus - A cena que se vê nos filmes é praticamente a mesma da vida real. Uma criança "acorda" no meio da noite e começa a vaguear pela casa. Os pais acordam com o barulho, e quando se levantam para ver o que é, acabam verificando que o filho está dormindo, ainda, mesmo estando andando por toda a casa. A esse quadro, chamamos de sonambulismo.

    Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o sonambulismo, também chamado de hipnofrenose, afeta pelo menos 15% das crianças. Mas você pode ficar calmo! Muito raramente o problema chega à idade adulta, e pode ser sanado já na pré-adolescência. É o que explica a médica Adriana Pessoa, que é especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Associação Médica Brasileira.

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    "Geralmente, esse problema afeta crianças com pico de idade entre 8 e 12 anos. Em alguns episódios, a criança pode ficar só sentada na cama, ou engatinhar em torno da cama, ou até andar o quarto dos pais e ficar quieta. Já em outros casos, a criança pode correr pela casa ou apresentar um comportamento inapropriado. Esse quadro pode ser acompanhado de sintomas autonômicos, como sudorese ou vermelhidão da face", explica a endocrinologista.

    Thiago Monteiro foi sonâmbulo quando era criança, e protagonizou até um episódio engraçado em família
    Thiago Monteiro foi sonâmbulo quando era criança, e protagonizou até um episódio engraçado em família | Foto: Reprodução

    Casos

    O jornalista Thiago Monteiro, de 30 anos, conta que foi uma criança que teve algumas crises de sonambulismo. Segundo ele, a primeira crise aconteceu quando ele tinha 10 anos de idade.

    "Meus pais me contam que, nessa vez, eu entrei no quarto deles, abri a porta do guarda-roupa e urinei dentro do móvel. Até hoje morro de vergonha quando lembro disso", lembra o comunicador, em risos.

    Já na segunda ocasião, Thiago lembra que foi até a cozinha da casa, ainda dormindo, e tentou urinar no reservatório do bebedouro da casa, mas foi impedido pelo pai, que já estava prevenido depois da primeira crise.

    Depois disso, ele não lembra de mais nenhuma crise. "Todas as minhas crises foram sempre relacionadas a querer ir ao banheiro. Só que quando eu cheguei em uma certa idade, isso acabou parando. Não tive nenhuma outra crise recente", afirma.

    Raramente, segundo a especialista, o problema chega à idade adulta
    Raramente, segundo a especialista, o problema chega à idade adulta | Foto: Reprodução

    Já a também jornalista Mara Magalhães, de 26 anos, conta que sofre com o sonambulismo até hoje, ainda que esporadicamente. Ela relata que as crises eram mais frequentes na infância, por volta dos 8 anos de idade, mas que recentemente, ela sofreu outra crise em uma viagem de férias.

    "Quando eu era menor, eu e minha família morávamos em uma casa perto de um lago, em Iranduba, e teve uma madrugada em que eu simplesmente sair de casa, ainda dormindo, e fui caminhando até o lago. Eu só não entrei na água porque meu avô viu e acabou impedindo", contou.

    Recentemente, Mara teve outra crise. "Fui com amigos para Presidente Figueiredo, e dividir o quarto com uma amiga. Durante a noite toda eu fiquei conversando com ela, mas dormindo. De manhã eu não lembrava de nada, e foi aí que ela me contou o que tinha acontecido", afirmou.

    E o tratamento?

    Apesar das crises, Mara conta que não chegou a procurar um médico, porque a intensidade das mesmas diminuiu com o tempo. "Eu nunca fui diagnosticada por um especialista nessa área, mas sei que as crises diminuíram, então não precisei fazer exames ou uso de qualquer outro tratamento", conta a comunicóloga.

    Mara Magalhães sofreu com o sonambulismo durante a infância, e recentemente teve outra crise, durante uma viagem
    Mara Magalhães sofreu com o sonambulismo durante a infância, e recentemente teve outra crise, durante uma viagem | Foto: Ione Moreno/EM TEMPO

    A médica Adriana Pessoa afirma que existem alguns fatores para o sonambulismo, que podem influenciar num possível tratamento, como a predisposição genética e algumas doenças, como a apneia obstrutiva do sono, refluxo gastroesofágico e até uma certa ansiedade por deixar de dormir com os pais. 

    "Outros fatores que estão envolvidos são a questão da privação do sono e a própria idade. Mesmo assim, a gente pode afirmar com segurança que duas crises de sonambulismo por mês não precisam de tratamento. No entanto, é preciso deixar o ambiente da casa seguro para a criança, evitando, por exemplo, deixar objetos que a criança possa se machucar ou deixar a porta aberta, o que pode permitir que ela saia de casa."

    Adriana ainda ressalta que sempre é importante procurar um especialista, para que o problema possa ser diagnosticado com clareza.

    "É importante o diagnóstico do especialista se o problema estiver afetando diretamente o cotidiano da criança. A gente começa o tratamento com algumas medidas comportamentais, e se elas não resolverem, é recomendado o uso de um medicamento prescrito pelo especialista, que vai saber identificar o quadro real e mostrar o tratamento adequado", finaliza.

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