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    Opinião: Guilherme Torres


    A divina atividade de Inteligência: meios contra o crime organizado

    Nossa legislação caminha "a passos de tartaruga" e, com isso, o Sistema de Segurança Pública Nacional vem perdendo a guerra contra as facções criminosas.

     

    | Autor: Divulgação

    ​"Envie alguns homens em missão de reconhecimento à terra de Canaã, terra que dou aos Israelitas. Envie um líder de cada tribo dos seus antepassados". Foi o que disse Deus a Moisés, no livro de Números, capitulo 13.

    ​Como se nota, a primeira atividade de inteligência que se tem notícia ocorreu 1440 (mil quatrocentos e quarenta anos) a.C. Assim, Deus, em sua infinita sabedoria, instruiu Moisés (primeiro líder do campo da Inteligência) a enviar um representante de cada tribo para que fosse feito o que hoje nós denominamos de Ação de Recon (Ação de Reconhecimento).

    ​E disse Deus: "Vejam como é a terra, e se o povo que vive lá é forte ou fraco, se são muitos ou poucos, se a terra em que habitam é boa ou ruim; se as cidades em que vivem são cidades sem muros ou fortificadas; se o solo é fértil ou pobre; se existe ali floresta ou não. Sejam corajosos! Tragam alguns frutos da terra."

    Criam-se, naquele momento, técnicas operacionais de inteligência, tais como: Recon, estória de cobertura, busca, infiltração de agentes e relatório de inteligência.

    Delegado Guilherme Torres
    Delegado Guilherme Torres | Foto: Arquivo Pessoal

    Já em Números, capítulo 13, versículo 26, os agentes voltam a Moisés e Arão, onde prestam Relatório da Missão (Relatório de Operação). "Entramos na terra à qual você nos enviou, onde mana leite e mel! Aqui estão alguns frutos dela. Mas o povo que vive lá é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes".

    Atividade milenar

    A atividade de inteligência é divina e milenar. É feita para municiar o tomador de decisão de dados e, assim, elaborar um planejamento operacional. Pois bem, a Lei número 12.80/2013 prevê, em seu artigo 3, inciso VII, a possibilidade de infiltração de agentes em caso de crime organizado.

    No entanto, não prevê garantias aos agentes operacionais, os meios de obtenção de prova, o que se pode ou não fazer. Enfim, precisamos, urgentemente, utilizar todos os meios e recursos disponíveis para o combate efetivo ao Crime Organizado.

    Nossa legislação caminha "a passos de tartaruga" e, com isso, o Sistema de Segurança Pública Nacional vem perdendo a guerra contra as facções criminosas. Necessário se faz, também, o investimento na capacitação dos agentes de segurança pública.

    * Guilherme Torres é delegado, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado no Amazonas

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