Fonte: OpenWeather

    opinião: cristina monte


    Dicas de empreendedorismo: a alternativa certa para o desemprego

    Em tempos de crise econômica e demissões, virar o seu próprio chefe ainda é a ideia certa para se acreditar

    A jornalista Cristina Monte opina sobre alternativas de trabalho e renda para não sair do mercado de trabalho
    A jornalista Cristina Monte opina sobre alternativas de trabalho e renda para não sair do mercado de trabalho | Foto: Acervo Pessoal

    Manaus - Você sabia que desde 2014, quando começou a crise econômica no País, perdemos até agora cerca de 4 milhões de postos formais no mercado de trabalho? Praticamente 1 milhão por ano! Diante deste quadro, muita gente tem visto no empreendedorismo a saída pra sobreviver e começar uma nova carreira.

    Quando eu percebi - associando dados - que era possível correlacionar a migração dos desempregados ao empreendedorismo, me senti inspirada a escrever sobre o assunto, visando reforçar, de modo geral, sua influência sob três vieses superimportantes: oportunidades de trabalho, novos modelos de negócios (principalmente em virtude do desenvolvimento tecnológico e das startups) e aumento de produtividade e geração de rendas para as empresas e para o País.

    Sem abracadabra

    Não é uma solução mágica, mas é uma baita luz no fim do túnel, que diz respeito, inclusive, a uma nova mudança cultural que vem se mostrando mais que um simples surto de empreendedorismo, e tem se potencializado no Brasil de anos pra cá.

    Leia também: Mulheres dão os primeiros passos no empreendedorismo após maternidade

    Para se ter uma ideia, de acordo com a reportagem da revista Exame, já em meados de 2015, 52 milhões de brasileiros entre 18 e 64 anos estiveram envolvidos na criação ou na manutenção de um negócio, conforme dados do estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) daquele ano.

    Se a gente considerar que há cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo trabalhando na informalidade e que essa informalidade já corresponde por 60% de todas as vagas formais do mundo, percebe que há uma enorme frente de trabalho e produção.

    Visão macro

    Porém, não basta ser muito bom no que se produz ou no que oferece, é preciso entender toda a estrutura do negócio para chegar ao sucesso. No livro “O Mito do Empreendedor”, do Michael E. Gerber, o autor reforça esse pensamento.

    Boa colocação não reflete em qualidade

    Além disso, precisamos melhorar nossa produção. É fundamental que o brasileiro seja mais criativo e que isso seja refletido nos produtos, desenvolvendo-os com maior grau de inovação e ineditismo para elevar tanto a inserção quanto a competitividade internacional, além de impactar positivamente na geração de empregos.

    Esta constatação é fruto do recente estudo também do Global Entrepreneurship Monitor, divulgado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o qual aponta o Brasil em 10ª colocação no grupo de 65 países que mais empreendem.

    Mas, a “qualidade” dos nossos produtos não é nada satisfatória. O Global Entrepreneurship Index (GEI) reforça esse aspecto ao classificar o Brasil na 98ª colocação em um ranking de 137 países, de acordo com a reportagem do site Terra.

    Sem inovar é fracasso certo

    Isso significa que o Brasil tem amplas possibilidades de alcançar uma colocação no pódio, porém os produtos precisam ser melhorados, já que são considerados muito simples e que apenas atendem às necessidades básicas do mercado interno.

    Precisamos inovar mais e usar a criatividade a nosso favor, criando produtos com maior grau de sofisticação, por exemplo. Você concorda que se nossos produtos tivessem melhor qualidade, venderíamos mais e aumentariam as vagas de emprego?

    Pequenos, porém potentes

    De acordo com o relatório especial do Sebrae, “Os Negócios Promissores em 2018”, apesar do fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), constatado entre 2014 e 2017, a criação anual de novos microempreendedores individuais (MEIs) se manteve robusta, chegando a quase 1 milhão de novos MEIs por ano. Praticamente o mesmo número de desempregados no período.

    O estudo observa que esse crescimento dos MEIs “parece estar mais associado ao processo de formalização dos negócios, do que ao ritmo de crescimento da economia”.  Além disso, eu vejo outra possibilidade embutida nesta afirmação.

    Para mim, além do que foi dito, a formalização é a convicção por parte da população de que, conforme o cenário econômico, as vagas tão cedo não voltarão e que o jeito é partir por outro caminho, construindo ou tentando construir o próprio negócio.

    MEI, o meio de recomeçar

    Com o empreendedorismo o cidadão aprende que é preciso sair da zona de conforto, representada pela segurança e garantia do emprego formal, e meter a cara e as mãos na massa e ser dono do seu próprio negócio, assumindo riscos e benefícios.

    Vantagens

    A configuração de MEI apresenta boas e importantes vantagens, como o baixo custo de criação e manutenção, e menos burocracia envolvida para o registro, que pode ser obtido pela internet (Portal do Empreendedor). Além disso, como o MEI se enquadra no Simples Nacional, fica isento de vários tributos federais.

    Arregaçar as mangas

    O outro lado da moeda é que o microempreendedor precisa se planejar, conhecer muito bem o seu mercado (público, concorrente etc.), controlar as finanças, lembrar que é preciso fazer duas declarações do Imposto de Renda, entender como funciona o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) e, não menos importante, tirar lições dos erros. Ou seja, aprender com as falhas contribui para ir aprumando o negócio. Mesmo que seja um pequeno negócio, a gestão é como nas grandes empresas, guardadas as devidas proporções!

    Fortes e robustos

    O Relatório do Sebrae aponta que até o fim deste ano será possível que o número de MEI chegue a 8,7 milhões e o total de Pequenos Negócios atinja a marca dos 13,6 milhões de empreendimentos.

    As áreas mais promissoras mapeadas no relatório, que foi baseado de acordo as projeções econômicas de 2017, são as atividades ligadas às áreas de alimentação, saúde, educação, comunicação/computação, vendas e entretenimento.

    Pequenos gerando empregos

    Além disso, índices da pesquisa, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que em março - pelo terceiro mês consecutivo - os pequenos negócios lideraram a geração de empregos no País.

    Estamos falando de 47,4 mil novas vagas com carteira assinada (mais de 90% do total). Só nesse primeiro trimestre do ano, já somavam cerca de 200 mil postos de trabalho, isto é, um aumento de 127% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme o estudo.

    Dá uma olhadinha

    Se você está trabalhando, mas sonha em ter seu próprio negócio ou se está desempregado e não sabe como iniciar, te convido a acessar o portal do Sebrae e verificar os cursos on-line disponíveis e gratuitos.

    Dentre alguns, identifiquei o “Aprender a Empreender”, que de acordo com o objetivo do curso, contribui para ajudar o aluno a desenvolver atitudes que compõem o perfil empreendedor por meio da interação com conceitos sobre mercado, finanças e empreendedorismo. Já é o primeiro passo!

    Mas, o assunto não termina aqui. Há muito que falar! Já estou preparando outro artigo sobre empreendedorismo. Divulgarei mais adiante! Até lá!

     Leia mais

    Empregos informais tomam conta das ruas de Manaus

    Amazonas tem 253 mil desempregados

    Isel seleciona modelos de negócio em Manaus para receber incentivo

    Comentários