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    opinião: cristina monte


    A educação fora de idade nas escolas brasileiras

    No País, mais de 7 milhões de alunos matriculados até o ensino médio estão atrasados

    A jornalista Cristina Monte traz o tema desta semana sobre a qualidade e o nível sócio-educacional das crianças brasileiras
    A jornalista Cristina Monte traz o tema desta semana sobre a qualidade e o nível sócio-educacional das crianças brasileiras | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus - Se você pensa que escola é lugar para aprender matemática, português, ciência e outras disciplinas, você está enganado! Pelo menos isso não acontece - como deveria - para mais de 7 milhões de crianças e adolescentes, do ensino fundamental e médio.

    Eles vão às aulas, mas estão em distorção idade-série, isto é, esses alunos apresentam dois ou mais anos de atraso escolar. Ou seja, 7 milhões de estudantes não estão aprendendo e, menos ainda, apreendendo!

    O dado vem do estudo “Panorama da distorção idade-série no Brasil”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). É uma tragédia anunciada em pleno curso!

    Na maioria das vezes, esses alunos não conseguem escrever corretamente, fazer uma interpretação de texto ou realizar uma equação de 1º grau. Que futuro terão pós-banco escolar?

    De acordo com o Censo Escolar 2017, o País possui mais de 35 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental e no ensino médio, tanto nas redes pública quanto na privada.

    Desse total, quase 5 milhões estão no ensino fundamental e mais de 2 milhões no ensino médio, e seguem em descompasso com a grade curricular da série compatível à idade do aluno. Eles estão atrasados!

    Regiões campeãs da distorção

    E os estados brasileiros com mais distorção idade-série são os da Região Norte e Nordeste. No Norte, 41% dos alunos estão nessa situação, enquanto no Nordeste são 36% dos estudantes em distorção idade-série, significando que o aluno está em uma série, porém seu desempenho não corresponde ao ano em questão.

    E é bastante lógico que essa defasagem se acentue com o passar dos anos, já que a base do aprendizado é tão sólida quanto à areia movediça.

    Isto é, o aluno está estudando um conteúdo que não consegue internalizar, arrastando a distorção pra frente e pra vida toda. Então, geralmente reprova, desanima, desmotiva e acaba aumentando a evasão escolar.

    Sem contar os problemas familiares, financeiros, de locomoção e a fase de transformação física e mental, o aluno tem que aturar um ambiente educacional ultrapassado: é o professor-palestrante, a monotonia da sala de aula e um sistema que desconsidera o lúdico, não estimula a criatividade e o senso crítico, e não está em sintonia com a realidade do século XXI. Aí não tem aluno que aguente!

    Manaus e os alunos

    Voltando ao estudo do Unicef e ao Norte do País, Manaus traduz muito bem essa triste realidade.

    São quase 100 mil estudantes das redes municipal e estadual em distorção idade-série e, pelo incrível que pareça, parece que só o órgão se deu conta disso! Um exército de crianças e jovens com poucas chances de um amanhã melhor!

    Problema posto e com implicações catastróficas num futuro próximo, pois já estamos vivendo um cenário de transformações tecnológicas vigoroso, nem sabemos o tamanho desse buraco, e o que isso irá representar em termos de produtividade e competitividade pro País. Na área social, teremos um imenso desafio...

    Enfim, o Unicef - diante desse quadro - apresenta algumas possibilidades para avançar e garantir o direito ao estudo às crianças e adolescentes, que são: elaborar análises precisas da situação da distorção idade-série em nível municipal e estadual; estabelecer políticas públicas específicas para combater o fracasso escolar com foco nos mais vulneráveis e desenvolver propostas pedagógicas de atenção especial a estudantes em risco de fracasso e abandono escolar. E agora, o que será que será?

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