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    opinião: cristina monte


    Você faz parte da geração Y? Entenda quem são os millennials

    Os nascidos durante a explosão da internet aderiram ao imediatismo e ao altruísmo, principalmente, como estilo de vida

    A articulista perfila sobre a chamada geração Y, que engloba os nascidos entre 1981 e 1996
    A articulista perfila sobre a chamada geração Y, que engloba os nascidos entre 1981 e 1996 | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus - Eles são rotulados como “millennials” ou “Geração Y” e vivem dilemas – às vezes – muito diferentes dos jovens das gerações passadas, porém – outras vezes - muito parecidos! Eles nasceram entre os anos 1981 e 1996 e estão entrando no mercado de trabalho, ou já seguem construindo suas carreiras profissionais, mas diferentemente da questão dos dilemas, se deparam com um mundo completamente diferente do que os das gerações anteriores encontraram.

    O fato é que até o século XX o mundo seguia uma cronologia que nos permitia entender e refletir sobre as coisas. Isso englobava os contextos social, político e econômico, por exemplo. No entanto, agora ninguém consegue saber exatamente o que está acontecendo e, menos ainda, arriscar uma previsão em médio prazo.

    No máximo, caminhamos pisando em ovos e tentando nos valer de tendências e do bom senso, que nem sempre traz a resposta imaginada.

    A velocidade do tempo imprimiu outro ritmo à aldeia global. E somos – diariamente – bombardeados, por todos os lados, por tudo: muitas notícias, muitas opiniões, muitos produtos, muito tudo e a gente precisa tomar decisões rápidas, baseadas numa análise superficial, porque temos muitas atividades e pouco tempo para aprofundamentos.

    Felicidade pra viver

    E é nesse contexto mundial que essa geração busca ser feliz. Feliz no trabalho, na vida pessoal e consigo mesmo! Eles nasceram no boom da internet e, portanto, desenvolveram um melhor relacionamento com a instantaneidade global. A internet trouxe ilimitadas possibilidades de informação, porém, ao mesmo passo do aumento da quantidade, superficializou o conteúdo.

    Também, opostamente da geração anterior, eles não se prendem em carreiras pouco interessantes. Mudam com muita facilidade de emprego ou de projeto, pois estão mais em busca de uma realização pessoal do que ter a carteira cheia de dinheiro. Isso é incrível, porque eles se lançam e são mais desapegados e desprendidos.

    Porém, esse salto pro mundo – muitas vezes – só é possível graças à ajuda financeira dos pais, que trabalharam arduamente para construir algo. Apesar de irreverentes, cheios de poses nas fotos do Instagram e esbanjando atitude, boa parte dos millennials, ainda vive sob as asas dos progenitores.

    Não fazem ideia de quanto custa a conta da energia elétrica e não se preocupam em saber como a comida foi parar no refrigerador. Também foram muito mimados e são extramente impacientes. Um dia na vida de um millennial pode representar uma década. Tem que ser tudo já! É uma pressa e ansiedade sem fim.

    Novos significados

    Para eles o barato da vida não é ter uma casa boa com jardim e varanda, um carro 2.0 na garagem e não se preocupam em pagar a escola dos filhos que nem pretendem ter. O lema deles é curtir a “experiência” da vida. Tudo tem que ter uma pitada de prazer e de diversão.

    O foco é se divertir nas redes sociais e ser um cidadão do mundo, cultivando um propósito de vida mais sustentável e inclusivo. Todos querem vivenciar a sensação de pertencimento. Todas as tribos querem ter sua selfie exposta na tela do globo.

    Mas, esse mundo perfeito das redes sociais nem sempre espelha a realidade limitante, frustrante e insegura. Saindo da rede a vida é bem menos glamourosa e os anseios humanos - iguais aos do século XIX - ainda se fazem presentes na dúvida, no medo, na fragilidade existencial. Muitos jovens entram em depressão, enquanto outros caminham pro lado das drogas, dos jogos virtuais e assim vai.

    Multo multi

    Também é preciso considerar que uma geração não é um produto industrializado embrulhado numa caixinha quadrada. Se a gente considerar que os nascidos em 1981 percorreram um caminho bem diferente do que os nascidos em 1996, iremos nos deparar com muitas nuances de vida e de histórias pessoais.

    Inclusive, porque há uma série de elementos individuais, como nível educacional, realidade social, cultural, entre outros, que é preciso incluirmos nesse papo.

    Porém, de modo geral, o desafio central - pra mim - leva em consideração a pouca visão crítica desenvolvida por boa parte dessa turma. Atuar com flexibilidade, se jogar pro mundo, curtir mais a jornada do que a chegada, viver intensamente a sensação do prazer, estar menos preocupado com a grana, ser mais criativo, lidar bem com a tecnologia são características incríveis e que trazem uma nova oxigenação para as gerações mais velhas, que ainda guardam o modelo do “sonho americano” como um objeto de consumo.

    Entretanto, a superficialidade das opiniões, a análise turva muitas vezes embasada em pontos de vista frágeis, a leitura rasa de pouca consistência sob os cenários... Isso é preocupante! Pois, as respostas às nossas questões não estão nos algoritmos, num aplicativo de um smartphone ou no Google. Desenvolver o senso crítico ainda será - talvez - por um bom tempo, o diferencial nesse mundo robótico!

    Da mesma forma que a internet dissemina as informações ela superficializa. Se você assiste TV ou navega na internet, é muito provável que já tenha visto mais de uma vez o termo “millennial”, ou “geração Y”. Mas quem seriam os millennials? E por que existe essa distinção de gerações?

    De acordo com o Centro de Pesquisa Pew, em Washington, nos Estados Unidos, millennials são as pessoas nascidas entre 1981 e 1996. Isso quer dizer que todo mundo que nasceu nessa janela de 15 anos é igual? Não.

    Provavelmente, os mais velhos pensam de maneira bem diferente dos mais jovens em muitos aspectos, mas todos tinham entre cinco e 20 anos quando ocorreram os ataques de 11 de setembro, ou seja, os ataques ou suas consequências aconteceram conforme essas pessoas se tornavam adultas.

    Os millennials também são aqueles que viveram a explosão da internet, passando pela transição de fazer os trabalhos de escola na infância usando uma enciclopédia, para começarem a usar a internet na adolescência ou no começo da vida adulta.

    E é para isso que a distinção de gerações serve. Ela ajuda os pesquisadores a delimitar um período em que ocorreram determinados eventos históricos e tecnológicos e, a partir disso, compreender como um grupo que cresceu e chegou à maioridade nessa época vê o mundo. Ou seja, acompanhar o desenvolvimento de um grupo que foi moldado por experiências de mundo semelhantes.

    A quantidade de anos que abrange uma geração é variável; algumas têm um período de 15-16 anos, outras chegam a quase 20.

    Sabe-se que a geração pós-1997 praticamente já nasceu conectada à internet e mal se lembra de quando não tinha tal facilidade, porém o centro de pesquisa acredita que ainda seja muito cedo para delimitar um corte de tempo como foi feito recentemente com a millennial.

    São mimados, impacientes, digitais. A grande maioria são movidos de toda retórica peculiar de quem é super confiante na tecnologia, sem a necessidade de ter “pensamento crítico” e bastando confiar totalmente em algoritmos e sistemas, ignorando detalhes. Basta saber que o aplicativo tem a resposta que busca.

    Percebemos que todos adotam em algum nível, a postura de espectadores dos acontecimentos. Usam como base fundamental, as intensas postagens nas redes sociais e atribuem a elas, condições de verdade sem nem ao menos criticar.

    Confiam totalmente em postagens cheias de informações superficiais e fragmentadas sem considerar a mínima possibilidade de serem falsas ou equivocadas. De fato, chegam a considerar que, se não está publicado nas redes sociais, provavelmente não é uma informação verdadeira.

    O “pensamento crítico” está cedendo lugar à resposta pronta e rápida que se encontra a um clique, não mais apenas no Google, mas também no Facebook, Instagram ou “naquele grupo de Whatsapp”. Estamos chegando a uma condição social preocupante, onde já não se avalia mais o que passa diante de suas retinas, vidradas em “smartphones”, dos quais somos cada vez mais dependentes.

    A maior preocupação está justamente na indiferença e omissão que se observa diante de toda essa realidade. Assim como num cenário “Walking Dead”, vemos pessoas agindo como “zumbis”, sem se olhar, sem criticar, sem reagir, mesmo quando a situação precisa de uma atitude humana.

    Generalizações

    As generalizações em torno da geração millennial se amplificam, e o mercado esquece que uma geração é formada por nuances que vão além da idade. Envolvem contextos, acessos e escolhas humanas – que por si só são únicas. Para desmistificar a visão do millennial debatido em rodas de negócios, o antropólogo Michel Alcoforado, CEO da Consumoteca, conduziu estudo qualitativo em três capitais do País para entender quem é esse tal millennial.

     “Como antropólogo, a gente quer entender porque as pessoas são como elas são. Todo mundo tem uma teoria sobre os millennials. Estamos falando de geração que nada mais é do que um grupo de pessoas que convivem e que passam pelos mesmos processos históricos. Isso condiciona uma visão específica. Mas isso ocorre em todas as gerações”, afirmou durante apresentação no Conarec 2017, em São Paulo.

    Falar sobre gerações, explicou, é como observar vagões de trem: aqueles que estão no mesmo vagão estão sob as mesmas condições de espaço e caminho, mas isso não significa que são iguais.

    De geração em geração

    Para exemplificar a visão de geração pelo contexto, Alcoforado lembrou as características gerais das gerações anteriores. Os baby boomers, por exemplo, representam a geração do pós-guerra. “O contexto os conduzia a querer basicamente liberdade. Eles vão romper com os padrões familiares e tudo em nome da liberdade”, disse.

    A geração X, por sua vez, representa o padrão clássico da ambição americana. Eram os anos dourados, do sonho americano de sucesso. “Para eles, você é aquilo que você tem”, disse. Os millennials, nascidos a partir da década de 80, contudo, enxergam o propósito como o principal ponto da vida deles. 

    “Essa geração é conectada com a internet, que acredita demais em si, gosta de expor e tem algo de hedonista – o prazer é o principal elemento na vida deles. Tudo tem de ser divertido”, afirmou.

    Em linhas gerais, explicou, para essa geração nada faz sentido e há uma forte necessidade de pertencimento. “Apesar de terem essa mesma estrutura, eles são muito diferentes”, disse. “A gente precisa saber disso porque não adianta olhar esse consumidor como massa em um mundo em que o importante é a diferença e a customização”.

    Os 3 perfis

    O estudo identificou três perfis básicos dessa geração que está mudando tudo. Confira.

    O focado

    Ele tem como mantra a qualidade de vida. Eles trazem um padrão de estilo de vida parecida com a geração X e acreditam de verdade no “Work hard. Play hard”. “Ele acredita que precisa trabalhar muito desde que ele tenha um sofá maravilhoso quando chegar em casa. E isso leva a uma expectativa diferente”, afirmou o antropólogo.

    Aqui o sucesso profissional é o que conta. Segundo o estudo, 41% dos “focados” acreditam que o salário deles vai dobrar em cinco anos e 58% acreditam que vão crescer e ter sucesso nos próximos anos dentro da área de atuação. “Eles acreditam que sofrem agora, mas que o beneficio vai chegar”, disse.

    Neste perfil, o consumo é uma retribuição do esforço no trabalho. É o perfil que gosta de ostentar nas redes sociais as viagens que faz, os restaurantes e os lugares que frequenta. No trabalho, ele pensa que é dono – é o grande representante do intraempreendedorismo.

    O equilibrado

    Para eles, o caminho é mais importante do que chegar. “O grande objetivo da vida desse cara é a busca por propósito e trabalho tem de levar seu estilo de vida em consideração”, afirmou. Esse é o perfil que busca equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho – essa busca representa 54% dos “equilibrados”.

    É também a geração da vida saudável. “O principal objetivo é ter uma vida estável e segura, que representa uma renda mensal que dá conta dos gastos. Mais ganhos além disso para ele não importa”, afirmou.

    O equilibrado busca a profissão dos sonhos e continuam estudando para garantir a estabilidade de vida deles. É o perfil mais propenso a largar o emprego para empreender a fim de realizar seu propósito de vida. É o perfil que busca experiência em tudo o que faz.

    O altruísta

    Para o millennial altruísta o que importa é o mundo. É o perfil que abdica da própria vida em prol de uma causa. “O objetivo dele é deixar uma marca no mundo e se não for assim não serve para ele”, afirmou Alcoforado.

    A busca desse jovem é criar impacto no mundo, segundo 40% dos jovens desse perfil. Aqui, o ativismo é muito importante. Para eles, trabalho tem de ser a realização. De acordo com o estudo, 64% dos altruístas desejam ter uma vida segura e estável.

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