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    opinião: cristina monte


    Empreendedorismo feminino: o glamour inteligente em meio à crise

    Com as técnicas precisas, o poder feminino que sempre esteve presente dentro de casa é altamente otimizado

    A jornalista Cristina Monte chama a atenção para as mulheres aderirem ao espírito empreendedor
    A jornalista Cristina Monte chama a atenção para as mulheres aderirem ao espírito empreendedor | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus - Mulheres! São sempre elas que encontram soluções quando a grana de casa anda curta. Se viram daqui e dali até solucionarem a dificuldade. E com o empreendedorismo feminino, elas se reinventam e mais do que pagar algumas contas e mesmo alcançar a independência financeira, percebem que são poderosas, elevam a autoestima, a segurança pessoal e poder de decisão.

    Hoje em dia, a gente fala muito de empreendedorismo, mas na verdade, as nossas mães e avós já resolveram muitos problemas financeiros fazendo trabalhos manuais, como por exemplo, costura, crochê ou vendendo bolo.

    Era uma graninha extra que ajudava na compra do supermercado ou para completar o pagamento de alguma conta. Mas, eram atividades solitárias sem poder transformador.

    Os tempos mudaram, as mulheres ganharam espaço na sociedade e no trabalho. São, inclusive, as que mais estudam! Porém, apesar das conquistas ainda são injustiçadas, pois os salários são geralmente menores, mesmo quando desempenham funções similares aos colegas.

    Mas, elas não se deixam abater e seguem se aperfeiçoando ou buscando alternativas de renda. Mesmo repartindo o tempo com tantas tarefas, como a educação de filhos, os serviços de casa e muito mais, elas não deixam a peteca cair.

    Fazendo da crise uma limonada

    E com a crise econômica dos últimos anos, muitas ficaram desempregadas e outras tantas viram a renda de casa despencar por conta do desemprego do companheiro ou de outro membro da família.

    E é nesse ambiente que o empreendedorismo ganhou corpo no Brasil. Lembra a história do limão? Então, a gente tem feito uma bela limonada, entrando de cabeça no empreendedorismo, afinal existe vida pós-carteira assinada.  

    No meu artigo intitulado “Vamos de Empreendedorismo?”, disponível no www.cristinamonte.com.br, apresento o Relatório Especial do Sebrae “Os Negócios Promissores em 2018”, constatando que, apesar do fraco desempenho do PIB, entre 2014 a 2017, a criação de MEI (microempreendedor individual) manteve-se robusta, gerando anualmente quase 1 milhão de novos MEI.

    Isso é uma transformação no modo como encaramos o empreendedorismo, que traz na sua essência a oportunidade da inclusão de gente que não consegue mais retornar ao mercado de trabalho, mas que tem algum ofício que pode ser absorvido pelo mercado consumidor. Agora, envolve uma rede (fortalecida) e mesmo que sejam apenas projetos embrionários, já um baita passo pra frente.

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    Elas na pista

    Em relação às mulheres, na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2016, em parceria com o Sebrae, a gente vê que a participação feminina no empreendedorismo cresceu 15,4% enquanto o gênero masculino cresceu 12,6%.

    No intuito de fortalecer o empreendedorismo feminino, a Rede Mulheres Empreendedoras (RME) vem apoiando iniciativas no Brasil todo para divulgar as histórias de empreendedoras que transformaram a sua jornada e, dessa forma, auxiliar outras mulheres que desejam empreender, mas não sabem como começarem.

    De acordo com a RME há no País mais de 24 milhões de mulheres à frente de negócios. Porém, conforme a 3ª edição do estudo da Rede, que contou com a participação de mais de 2 mil mulheres em todo o País, 86% delas não se planejam para iniciar o empreendimento e cerca de 65% misturam as finanças do negócio às contas pessoais e acabam pagando as contas da empresa com cartão de crédito e débito pessoal. Há muito trabalho pela frente!

    Unindo forças

    Pra ajudar as manauaras que desejam empreender, acontecerá no próximo dia 14 de novembro, no auditório da Fieam, o “1º Café com Empreendedoras de Manaus”. Na ocasião algumas mulheres contarão a sua experiência com empreendedorismo, inclusive eu terei a oportunidade de falar o quanto o empreendedorismo vem mudando meu olhar tanto em relação aos negócios quanto à vida. Além disso, a programação contemplará palestras sobre o tema.

    Até aqui o empreendedorismo feminino seria apenas uma oportunidade de complementar a renda de casa ou ser uma fonte de entrada de recursos para prover algumas das necessidades femininas como comprar roupa, arrumar cabelo ou outro mimo que nós mulheres gostamos e nem sempre temos condições de arcar, e isso também nos deixava muito dependentes dos homens que acabavam tendo a palavra final sobre o orçamento familiar e certo poder sobre a gente!

    Afinal, o Brasil abriga milhões de mulheres de classes sociais menos favorecidas, mas que mantêm sonhos e desejos como qualquer atriz da novela das 9. E é nesse cenário que o empreendedorismo feminino cresce, trazendo dignidade e fazendo com que a gente passe a tomar conta do nosso próprio nariz e dar as cartadas, sem precisar da complacência masculina.

    Sinceramente, eu vejo o empreendedorismo feminino como um poderoso instrumento de autoconhecimento, de trabalho, de liberdade, não só financeira, mas, principalmente, pela força do empoderamento! É a oportunidade para as mulheres tomarem as rédeas da vida, podendo escolher e decidir seus próprios caminhos.  

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