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    Editorial


    Quem governa o Amazonas? Os traficantes ou o governador?

    Quando uma facção criminosa impede que agentes de saúde realizassem seu trabalho de imunização contra um surto de doença, é um lamentável sinal de que o Estado está sem comando

    prefeito de manaus amazonino mendes em coletiva FOTO MARCELO CADILHE
    prefeito de manaus amazonino mendes em coletiva FOTO MARCELO CADILHE | Foto: ALBERTO CESAR ARAUJO/EM TEMPO

    O apelo dramático feito pelo prefeito Arthur Virgílio (PSDB) na noite de quarta-feira (18) é algo muito grave e que não pode ficar relegado a torpedos nas redes sociais ou em matérias de jornais, rádios e TVs.

    Quando uma facção criminosa impede que agentes de saúde realizassem seu trabalho de imunização contra um surto de doença, é um lamentável sinal de que o Estado está sem comando. Afinal, quem manda no Amazonas, o tráfico ou o governador?

    Em um dos trechos de seu desabafo, Arthur chega a dizer que o trabalho de seus profissionais foi impedido por traficantes do bairro Jorge Teixeira, filiados à falange de tráfico “que ameaça dominar este Estado”.

    E onde está, neste momento, a autoridade do sr. Amazonino Armando Mendes, que contratou a peso de ouro (5,6 milhões de reis) um xerife americano para combater a criminalidade no Estado? Na verdade, quando o assunto é crime organizado no Amazonas e em outras cidades do Brasil, existem sugestões demais e ações concretas de menos. Principalmente quando o assunto é o combate à violência relacionada ao narcotráfico e ao crime organizado. Chega a parecer (ou será que é real?) que as facções criaram um estado paralelo? Tipo “ daqui pra lá o governador governa, daqui pra cá quem governa somos nós”.

    O prefeito de Manaus fez um apelo ao governador para que ele coloque as forças policiais na rua, “porque realmente é de indignar qualquer um nós imaginarmos que tem uma equipe salvando vidas e, ao mesmo tempo, arriscando as suas vidas, porque traficantes, gente da pior ordem, da pior laia, do pior caráter, da pior extração acha que pode, com a força das suas armas, impedir que um trabalho benemérito das equipes seja feito”.

    É lamentável que o Amazonas já esteja sendo comparado com outros Estados que vivem em clima de guerra civil, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Aqueles que não querem enxergar ainda insistem em sustentar a tese de que não vivemos numa região violenta.

    Mas a verdade é que vivemos sim, num Estado violento, a ponto de o ex-secretário de Segurança e vice-governador, Bosco saraiva, admitir que “o tráfico de drogas está mais forte que o Estado. Eles se organizaram de uma forma absurda”, em declaração em 2017.

    Estamos, sim, sr. Governador, num dos Estados que é palco de rebeliões em presídios, que mata, limita acesso a algumas ruas onde existem bocas de fumo. Essas áreas mal vigiadas se transformaram em territórios acima da lei. Estamos sim vivendo sob o domínio do medo, de forma que o tráfico até expulsa equipes de vacinação.

    Lamentavelmente, não se vê ação concreta e efetiva do governo no combate a essas ações. Então, não é exagero nem falta de respeito perguntar: quem, de fato, governa o Amazonas?

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