Fonte: OpenWeather

    Editorial


    Governo do Amazonas ainda segue regras de 40 anos atrás

    Amazonino continua governando o Estado como governava há 40 anos, quando tudo era permitido, mas os tempos mudaram

    Achando que ao governo tudo é permitido, Amazonino Mendes viu ontem (26) ao menos cinco de suas licitações serem canceladas sob fortes indícios de irregularidades.
    Achando que ao governo tudo é permitido, Amazonino Mendes viu ontem (26) ao menos cinco de suas licitações serem canceladas sob fortes indícios de irregularidades. | Foto: Marcely Gomes

    O governo Amazonino Mendes demora a fazer licitações, mas, quando faz, exagera nos valores, como demonstrou a manchete do EM TEMPO dessa quinta-feira (26) – um processo licitatório no valor de R$ 113 milhões para manutenção de unidades escolares. Tudo isso a três dias do lançamento de sua candidatura ao governo do Estado, que acontecerá no domingo (29), e a dois meses da eleição de 7 de outubro.

    Mas, achando que ao governo tudo é permitido, o governador viu ontem (26) ao menos cinco de suas licitações serem canceladas sob fortes indícios de irregularidades.

    Com certeza, um homem com a experiência de Amazonino deve saber que essas coisas estão erradas. O problema é que ele continua governando o Estado como governava há 40 anos, quando tudo era permitido. Mas os tempos mudaram.

    Por que certos governantes acham que têm mais poderes que outros, quando a instituição governamental é a mesma? Afinal, o governo é uma instituição milenar, e no correr dos tempos foi se aperfeiçoando de tal forma, que na atualidade todo o mundo sabe, inclusive Amazonino, o que pode ou não pode fazer um governante.

    Então, a ele é permitido, lógico, fazer tudo que a lei autoriza, mas nada contra a lei. No entanto, ao que parece, Amazonino finge que não sabe disso.

    Já disse, certa vez, um analista político que, “quando o gestor público não tem apego à lei, é porque desconhece a legislação, ou porque faz questão de ignorá-la. Ou o que é pior, julga-se acima dela”.

    Ao denunciar tais atropelos da Lei, o EM TEMPO não tem medo de ser acusado de estar “perseguindo o governador”, como muitos se vociferam. Simplesmente está cumprindo o seu papel de informar à sociedade e alertar às autoridades o que vem sendo feito ao arrepio da Lei.

    A liberdade de imprensa é um dos pilares de qualquer sistema livre. Sem ela, governantes podem abusar do poder sem tanta vigilância. Ao invés de fechar os olhos para o que vem acontecendo em nosso Estado ou empurrar o lixo para debaixo do tapete, preferimos ficar com o pensamento de Thomas Jefferson:

    “Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último”.

    O papel principal do jornalista é levar à população o conhecimento dos fatos, inclusive e especialmente daqueles incômodos aos governantes poderosos.

    Leia mais:

    Na arte de beneficiar amigos do 'dominó', Negão dispensa licitações

    Quem governa o Amazonas? Os traficantes ou o governador?

    Presídio na Avenida do Turismo? Ninguém quer o vizinho perigoso


    CIDADANIA

    Comentários