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    Artigo


    A propósito dos roubos nas igrejas

    A Arquidiocese de Manaus lamenta profundamente os roubos que vêm ocorrendo em nossas igrejas

    Os bens da Igreja são comunitários e em geral adquiridos com grande esforço por parte dos fiéis.
    Os bens da Igreja são comunitários e em geral adquiridos com grande esforço por parte dos fiéis. | Foto: Janailton Falcão

    A Arquidiocese de Manaus lamenta profundamente os roubos que vêm ocorrendo em nossas igrejas, e não só na nossa mas também nas evangélicas, sobretudo nas regiões periférica da cidade. É muito raro que passe uma sem um ou mais arrombamentos. O que mais gostam de levar, é exatamente o que há de mais valioso, do ponto de vista material; o sistema de som. Mas, há casos e, infelizmente não são raros, em que houve profanação do sacrário e quebra de imagens.

    A comunidade sempre faz um Boletim de Ocorrência e espera que as autoridades competentes tomem as devidas providências. Num Estado de Direito a população deve confiar nos órgãos policiais e no poder judiciário, na defesa do patrimônio. Os bens da Igreja são comunitários e em geral adquiridos com grande esforço por parte dos fiéis. Esperamos da autoridade competente a elucidação dos fatos e a punição dos culpados bem como a recuperação dos bens. Para isto pagamos impostos.

    Reconhecemos, que nossas Igrejas não são as únicas vítimas da atual onda de violência que assola nossas cidades e atinge até as comunidades rurais. Os pobres são sempre as maiores vítimas. E a maior de todas as violências é a corrupção que tem efeitos perversos e o ladrão é a própria autoridade que tem como missão cuidar da coisa pública. Sabemos que a violência é múltipla e tem inúmeras causas, por isso a solução do problema ultrapassa a esfera policial, embora sempre dependa desta.

    Recomendamos as nossas comunidades que adotem medidas de segurança para proteger o patrimônio da Igreja, evitando porem tornar-nos reféns do medo e da marginalidade. Iluminação adequada, limpeza, portas seguras e outras medidas simples ajudam. Não estávamos acostumados a fazer isto e, por exemplo, todo mundo tinha a chave. Despesas com segurança são um luxo que o povo não pode ter.

    Sabemos que a maior parte dos roubos está ligada ao consumo de entorpecentes e que enquanto existir o tráfico será difícil resolver a questão. A grande maioria dos ladrões de igrejas são jovens que precisam de dinheiro para alimentar o tráfico. Muitas vezes são parentes e até filhos de comunitários. Não são bandidos ferozes, mas vítimas da droga e daqueles que vivem do sangue e das lágrimas alheias.

    Na Campanha da Fraternidade de 2018, num diálogo com a sociedade, a Igreja católica proporá um debate para achar caminhos de superação da violência, também da violência contra a propriedade e por causa da propriedade. Pode parecer que não, mas a falta de moradia digna, a expulsão do homem do campo pelo grande latifúndio, ou no nosso caso pelo abandono das populações ribeirinhas, estão relacionadas com os furtos em nossos templos. Em todo caso, é fácil apontar culpados e propor soluções fáceis como a de prender todo mundo e até mesmo matá-los. Difícil é começar por si mesmo, adotando a não violência como forma de viver. Ladrões fazem muito barulho, mas são exceção e não regra. A grande maioria das pessoas vive com muito pouco, e adquire seus bens com o suor derramado do próprio rosto. A humanidade é muito pobre quando como única solução possível só tem a vingança coletiva que joga os jovens num sistema penitenciário que mata e ensina a matar.

    Dom Sérgio Castriani

    CIDADANIA

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