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    Artigo de Opinião


    Editorial: Polícia não pode perder para a bandidagem

    A “inteligência” do crime organizado, em geral, normalmente funciona mais do que a "inteligência da segurança"

    Já está na hora da polícia andar na frente da bandidagem. Não dá mais para fazer operações para “inglês ver”, ou para as câmeras de TV.
    Já está na hora da polícia andar na frente da bandidagem. Não dá mais para fazer operações para “inglês ver”, ou para as câmeras de TV. | Foto: Agência Brasil

    Não é a primeira vez, nem será a última, que esse assunto vem à tona, se transforma em pauta e vira discussão. Trata-se da questão da criminalidade e das ações desenvolvidas para combatê-la.

    Quase sempre, se não sempre, o que assistimos pela tevê são as movimentações de batalhões de policiais transportados em caminhões ou caminhonetes de combate, armados até os dentes. Mas os resultados são mínimos, improdutivos, porque a “inteligência” do crime organizado, em geral, normalmente funciona mais do que a policial.

    A eficiência dos olheiros se sobrepõe aos investimentos que deveriam ser feitos nesse setor de inteligência, de investigação. Mas como esse trabalho não aparece, como, por exemplo, em comboios e em blitzes, não recebe os recursos necessários, apesar de ser essencial e fundamental para as ações eficazes contra o crime. 

    E tome a aumentar o contingente policial, como se um policial para cada bandido resolvesse o problema. Não é bem por aí. Está mais do que claro que investir em tecnologia e comunicação funciona mais do que o policiamento ostensivo, da exposição de tropas nas ruas, como se isso funcionasse ou assustasse bandido.

    O investimento e a preparação de profissionais capacitados para lidar com esse trabalho não podem mais esperar. Pode até existir, mas ainda é muito tímido, incipiente, e os resultados não são satisfatórios. Um exemplo é o tanto de fuzil apreendido no Rio de janeiro. Uma média de mais de 400 por ano.

    Uma arma desse porte, com esse poder de fogo, de guerra, não poderia chegar no morro do Alemão, do Rato Molhado, ou seja lá qual outra favela carioca. De onde vem? Como chega? São respostas que a polícia precisa ter. E as drogas como a cocaína e a maconha, que o Brasil não tem tradição de produção. Como atravessam o país para chegar no alto dos morros?

    Já está na hora da polícia andar na frente da bandidagem. Não dá mais para fazer operações para “inglês ver”, ou para as câmeras de TV. Isso pode até render votos ou mostrar empenho e produzir impacto na opinião pública, mas o fato é que estamos perdendo a guerra.


    Editorial publicado em 09.02.2018 na versão impressa do EM TEMPO.

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