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    Atlas da violência


    Em 10 anos, mais de 12 mil pessoas foram assassinadas no Amazonas

    Os dados são do Atlas da Violência 2018 e foram divulgados nesta terça-feira (5)

    Os dados são referentes aos últimos 10 anos | Foto: Marcely Gomes

    Manaus - Em dez anos (2006-2016), o Amazonas registrou 12.233 homicídios, conforme o Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que foi divulgado nesta terça-feira (5). Por ano, neste mesmo período,1.223 pessoas foram assassinadas. 

    Conforme o relatório, o Brasil atingiu, pela primeira vez em sua história, o patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. A taxa de 30,3%, registrada em 2016, corresponde a 62.517 homicídios naquele ano, 30 vezes o observado na Europa naquele mesmo ano, e revela a premência de ações efetivas por parte das autoridades públicas para reverter o aumento da violência.

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    Apenas entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas pelo uso de armas de fogo no país.

    Uma verdadeira corrida armamentista que vinha acontecendo desde meados dos anos 1980 só foi interrompida em 2003, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, o índice de mortes por armas de fogo era de 71,1%, o mesmo registrado em 2016.

    No Amazonas, 7.359 pessoas foram assassinadas por arma de fogo no período de 2006 a 2016.

    Homicídios nos estados

    A evolução das taxas de homicídios foi bastante heterogênea entre as Unidades da Federação (UFs) entre 2006 e 2016, variando desde uma redução de 46,7% em São Paulo a um aumento de 256,9% no Rio Grande do Norte.

    Sete unidades federativas do Norte e Nordeste têm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes: Sergipe (64,7), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). Entre os 10 estados onde a violência letal cresceu no período analisado, estão o Rio Grande do Sul e nove pertencentes às regiões Norte e Nordeste.

    No Rio de Janeiro, as taxas diminuíam desde 2003, mas em 2012 esse movimento se reverteu e, em 2016, houve forte crescimento dos índices. São Paulo mantém uma trajetória consistente de redução das taxas de homicídio desde 2000. Alguns fatores que podem explicar esse desempenho são as políticas de controle responsável das armas de fogo, melhorias no sistema de informações criminais e na organização policial e a hipótese de pax monopolista do Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Narcotráfico

    No Estado, a guerra entre Família do Norte (FDN), PCC e Comando Vermelho (CV) tem acabado com famílias na capital amazonense e no interior do Amazonas.

    Segundo dados da forças de segurança do Amazonas, a região é propícia para o escoamento de drogas e armas para outras regiões do país. De acordo com a polícia, traficantes e mulas (transportadores de drogas), enviam entorpecentes por meio fluvial (rios), estradas (rodovias federais) e aérea (por meio de aeronaves clandestinas ou voos comerciais no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes). 

    SSP-AM

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que tem adotado uma série de ações para fortalecimento da segurança pública e redução da criminalidade no Estado, com investimentos em inteligência, operações integradas na capital e interior e reestruturação das forças policiais, incluindo as melhorias salariais aos profissionais da segurança.

    Com a formação de escrivães e investigadores, a SSP-AM vai encaminhá-los ao interior. Segundo a nota, a secretaria também está em fase de licitação para locação de 491 viaturas que vão renovar a frota na capital e interior das Polícias Militar e Civil, beneficiando todo o Estado com novas viaturas.

    "Desde outubro houve reorganização do patrulhamento da Polícia Militar na Capital, de modo a deixar a polícia mais presente. Uma força tarefa, com designação de mais equipes de investigadores e delegados, foi montada na Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros para investigar os casos. As ações estão se revertendo em redução dos indicadores de homicídio, em Manaus, em 2018, que está 16,2% menor de janeiro a abril deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os latrocínios também caíram 32%", finaliza a nota.

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