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    Assassinato


    Marido mata mulher e alega suicídio para escapar da prisão em Manaus

    A suspeita era que Jeruza Helena Torres Nakamine teria se matado, porém o laudo do IML apontou que ela foi assassinada. O marido da vítima é o principal suspeito

    A vítima, segundo o laudo, foi morta com 14 facadas | Foto: Josemar Antunes

    Manaus - Há exatos dois meses, o suposto suicídio cometido pela empresária Jeruza Helena Torres Nakamine, de 51 anos, foi contestado pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC). O laudo de necropsia assinado pelo perito médico-legista Roberto Trindade Levinthal, no dia 9 de maio deste ano, aponta que a mulher foi assassinada com 14 facadas.

    O marido da vítima, segundo a Polícia Civil, o também empresário Ivan Rodrigues das Chagas, de 56 anos, é o principal suspeito de ter cometido o crime. Os peritos Gisele Barreto, Hilton Soares e Cíntia Chagas foram os responsáveis pela realização da pericia no local do crime, que foi decisiva para apontar o assassinato.

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    A empresária foi encontrada morta dentro da própria casa, com múltiplos ferimentos por arma branca no tórax, membros superiores e região cervical. O crime ocorreu na manhã do dia 12 de abril de 2018, na rua Luanda, conjunto Campos Elíseos, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste de Manaus.

    Antes da chegada da polícia, conforme aponta o laudo, houve tentativa de forjar a cena do crime. 

    Conforme o documento, a vítima estava em cima de uma poltrona e foi golpeada, diversas vezes, por um instrumento de ação cortante e perfurocortante. A morte, segundo o laudo, foi causada por choque hipovolêmico, devido à hemorragia externa maciça causada pela incisão profunda em região cervical anterior (esgorjamento). "Além disso, pela rigidez cadavérica, a morte ocorreu há mais de cinco horas", diz um trecho do documento. 

    Jeruza Helena com o marido, suspeito de cometer o crime
    Jeruza Helena com o marido, suspeito de cometer o crime | Foto: Divulgação

    A ocorrência foi atendida inicialmente pelo delegado do 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP), mas após o resultado dos exames, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) abriu um inquérito para investigar o caso.

    De acordo com o delegado Jeff David Mac Donald, o marido da vítima, acompanhado de um advogado, prestou depoimento na unidade policial, na tarde da última segunda-feira (11), e confessou a autoria do crime, mas não foi preso devido ter passado o flagrante. 

    O delegado não informou a motivação do assassinato. Jeff David Mac Donald informou que aguarda conclusão do inquérito policial para solicitar o mandando de prisão em nome de Ivan Rodrigues das Chagas.

    Em buscas de respostas e pedidos de justiça, familiares e amigos estiveram no prédio da DEHS, por volta das 15h de segunda-feira. Todos estavam usando camisas com fotos da vítima. Até então, a morte de Jeruza era um mistério. Segundo eles, a empresária mantinha uma relação marital (casamento sem documento) com Ivan, mesmo após descobrir as traições do companheiro.

    De acordo com os familiares, Jerusa era proprietária da empresa J.H. Torres Nakamine, do ramo de segurança eletrônica. Após sete dias da morte da empresária, Ivan requereu na Vara de Órfãos e Sucessões do Fórum Ministro Henoch da Silva Reis uma liminar para expedição de alvará judicial visando autorização para administração e gestão da empresa. 

    A casa da vítima, onde ocorreu o crime
    A casa da vítima, onde ocorreu o crime | Foto: Josemar Antunes

    No dia 6 de junho deste ano, Ivan solicitou na 2ª Vara da Família do Fórum Ministro Henoch da Silva Reis uma ação de reconhecimento de união estável, cumulada com partilha de bens ou indenização. Todos os processos requeridos pelo empresário foram negados pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). 

    Amantes

    Familiares confirmaram que Ivan mantinha um relacionamento amoroso, há dez anos, com uma mulher de 50 anos. Porém, o relacionamento acabou após o empresário se envolver com uma mais jovem, a secretaria da empresa gerenciada por Jeruza. 

    Inconformada, a mulher de 50 anos passou a enviar, como forma de vingança, mensagens de texto pelo aplicativo WhatsApp para Jeruza, informando os locais de encontro do empresário com a nova amante.

    Em razão da poligamia, Jeruza pediu a separação com divisão de bens, mas Ivan não teria aceitado. A intenção do empresário era ficar com 100% dos bens patrimoniais e financeiros para administrar a empresa com a segunda amante que, segundo os familiares da vítima, também é casada. 

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