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    Caso Borba


    Pai de jovem carbonizado em Borba recebe ameaças de morte

    A família acredita que o preconceito religioso tenha contribuído com a revolta da população

    As pessoas que estavam no local, no dia do crime estão prestando depoimento | Foto: divulgação

    Borba - "No mesmo dia em que mataram meu filho, eu passei a receber ameaças em uma rede social. Pessoas dizendo que vão me matar e atear fogo na casa da minha família", relatou bastante abalado o pastor José Cardoso, de 47 anos. Ele é pai de Gabriel Lima Cardoso, de 18 anos, que foi linchado pela população revoltada no último domingo (8), em Borba (a 151 quilômetros de Manaus).

    Ele foi preso suspeito de estuprar e matar uma adolescente, de 14 anos, no município. Gabriel foi arrancado da delegacia, onde estava preso, agredido e depois teve o corpo jogado em uma fogueira.

    Ainda em choque com a perda do filho de forma brutal, o pastor Cardoso contou que acredita que o preconceito religioso tenha contribuído com a revolta da população.

    “Crimes horrendos já aconteceram na cidade e não tiveram essa repercussão. Só fizeram essa crueldade com o Gabriel porque ele era filho de um pastor. Existem vídeos que mostram pessoas dizendo que iriam vir atrás de mim”, disse Cardoso. 

    Ele ressaltou que a situação ocorreu por conta da resistência da cultura local. “Pelo fato da cidade ter sido colonizada pelos jesuítas, existe uma persistência da população às crenças. Isso porque nosso trabalho evangélico tem se expandido na cidade”, explicou o pai de Gabriel Cardoso.

    Leia também: População se revolta e agride suspeito de assalto até a morte no AM

    Morando há 24 anos em Borba, o pastor não tem pretensão de se mudar da cidade. Porém, pretende viajar com a esposa para se recompor emocionalmente. 

    Investigações

    A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) identificou 10 pessoas envolvidas no linchamento de GabrielDe acordo com o delegado Mateus Moreira, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), as pessoas que estavam no local, no dia do crime estão prestando depoimento.

    A PC-AM ainda informou que está colhendo os depoimentos dos familiares da adolescente de 14 anos, que foi vítima de homicídio, assim como os de Gabriel, suspeito do crime e, posteriormente, brutalmente assassinado. O jovem de 18 anos teve o corpo completamente carbonizado em uma fogueira feita pela população na frente da delegacia.

     O jovem de 18 anos teve o corpo completamente carbonizado em uma fogueira
    O jovem de 18 anos teve o corpo completamente carbonizado em uma fogueira | Foto: divulgação

    Em uma entrevista a uma TV local, o titular da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), coronel da PM Anézio Brito de Paiva, explicou que todos os suspeitos serão autuados criminalmente.

    "As pessoas identificadas vão responder por homicídio contra o Gabriel, lesão corporal dos seis policiais agredidos e depredação do patrimônio público", explicou Paiva.

    O delegado-geral Mariolino Brito destacou, que o levantamento de danos causados está sendo realizado, assim como a conclusão das identificações de indivíduos envolvidos na ação criminosa. O delegado informou que o Inquérito Policial (IP) vai ser instaurado para apurar as circunstâncias do crime.

    Registros

    Em três anos e meio, a SSP-AM registrou 67 casos de linchamento no Estado. Em fevereiro de 2017, moradores em fúria invadiram a 73ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), em Novo Aripuanã (distante 227 quilômetros da capital amazonense), e agrediram Lucinete Gama, 30. 

    A mulher estava presa por atear fogo na própria casa e matar uma mulher e uma criança de dois anos. Revoltada, a população jogou gasolina e ateou fogo em partes da delegacia e em carros que estavam no pátio da unidade policial. Os envolvidos foram presos pela polícia.

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