Fonte: OpenWeather

    Alerta


    Manaus tem mais de 250 sequestros em dois anos e meio, diz SSP

    Casos de sequestros acontecem diariamente na capital amazonense, mas a maioria das vítimas não registram os crimes nas delegacias

    Apenas 14 pessoas foram presas por conta desse crime. Especialistas afirmam que vítimas não registram os casos | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Em plena a luz do dia, na avenida Djalma Batista, Zona Centro Sul de Manaus, uma das principais vias da cidade, uma aposentada, de 68 anos, acompanhada de sua neta de nove anos, foi vítima de um sequestro relâmpago, quando chegavam a uma drogaria.

    ”Fui tirar minha neta do banco traseiro do carro, quando surgiram dois homens. Me ameaçaram e fizeram eu retornar para dentro do carro. Depois circularam com a gente por meia hora e nos abandonaram em uma rua deserta da Zona Norte”, relatou a vítima, que teve pertences e o automóvel levados pelos criminosos.

    Atribuindo a um livramento divino, a aposentada relatou que recuperou os bens, após oito horas, com ajuda dos amigos.

    Leia também: Menino desaparecido no interior do AM pode estar morto, diz delegada

    “Orei muito e pedi que eles não fizesse nada comigo e nem com minha neta. Depois que nos abandonaram, peguei um táxi, fui à casa da minha mãe e depois fui para delegacia. Na madrugada de segunda, encontraram meu carro próximo à barreira”, disse a aposentada, que ainda informou que os suspeitos do crime não foram encontrados pela polícia.

    Conforme dados da Agência Senado, o crime que mais cresce no país não faz parte das estatísticas oficiais, por não estar descrito adequadamente no Código Penal Brasileiro.

    Números fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam que, em aproximadamente dois anos e seis meses, a capital amazonense registrou 250 casos de sequestro em geral. E em dois anos, apenas 14 pessoas foram presas pelo crime.

    A prática desse delito envolve, de modo geral, a participação de mais de um criminoso e o uso de arma de fogo. Sob ameaça, a vítima é obrigada a fornecer o seu cartão bancário e respectiva senha, para que os sequestradores possam realizar saques em caixas eletrônicos.

    Além de perder o dinheiro e, quase sempre, o automóvel, telefone celular, joias e talão de cheques, as vítimas muitas vezes sofrem violência física e acabam sendo assassinadas. Quem sobrevive, não escapa dos traumas.

    Para especialistas em violência urbana, a proliferação dos casos de sequestro-relâmpago, no Brasil, mostra que qualquer pessoa pode estar sujeita a essa ação criminosa. Eles recomendam que a população esteja sempre alerta e adote um comportamento preventivo.

    Polícia

    Há dois meses como titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o delegado Jeff David Mac Donald informou que não tem conhecimento sobre a prática criminosa nesse período. MacDonald ainda ressaltou a importância de as vítimas registrarem os casos.

    “Existe no direito penal a ‘cifra negra’, que são os crimes que acontecem, mas que, pelo fato de não serem devidamente registrados, não entram para as estáticas da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).

    Podem até ser crimes recorrentes, mas, se não houver registro policial, por meio de Boletim de Ocorrência, os procedimentos de investigação não serão aplicados”, disse o delegado.

    Leia mais:

    PC ouve testemunhas de suposto sequestro de criança no AM, diz família

    Vitória Gabrielly foi assassinada por asfixia, aponta laudo da perícia

    Receba notícias do Em Tempo via WhatsApp. Saiba como participar!

    CIDADANIA

    Comentários