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    Amazonas


    Após mês violento, SSP mascara dados e apresenta redução de homicídios

    Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira, Secretário de Segurança apresentou os números da violência, sem contabilizar latrocínios e mortes por intervenção policial

    Cúpula da Segurança Pública do Amazonas apresenta números da criminalidade no Amazonas | Foto: divulgação

    Manaus - Três dias após o EM TEMPO divulgar o levantamento das 113 mortes violentas registradas em na capital amazonense, somente no mês de julho, a Secretária de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), realizou uma coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira (9), na sede do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), para apresentar redução na criminalidade. 

    O órgão, no encontro com jornalistas, limitou-se a divulgar apenas o número de casos de homicídios, que somaram 94 casos. As mortes por intervenção policial e casos de latrocínios não foram levados em conta, em um mês marcado por uma série de atos de violência, com a população assustada e refém da insegurança. 

    Cúpula da Segurança Pública do Amazonas apresenta números da criminalidade no Amazonas
    Cúpula da Segurança Pública do Amazonas apresenta números da criminalidade no Amazonas | Foto: divulgação

    O número apresentado nesta quarta-feira aponta uma queda de 6,9% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas apenas em relação a homicídios.

    De acordo com o titular da SSP-AM, coronel da Polícia Militar Anézio Paiva, a análise da estatística é baseada e integrada como a de outros estados. O secretário ainda atribuiu a sequencia de mortes a uma guerra de facções por território do tráfico de drogas. Ele disse ainda que há ações integradas para coibir esse tipo de crime, por meio das forças de segurança pública .

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    "Tivemos um combate imediato com ações de inteligência, investigações da Polícia Civil e ações repressivas e ostensiva por parte da Polícia Militar", declarou Paiva, que não se pronunciou sobre o total de mortes violentas registradas em julho. 

    Questionado sobre a estatística geral, que somaria homicídios, latrocínios e mortes por intervenção policial, o secretário não quis se pronunciar. Ele disse que não poderia responder porque estava saindo para uma reunião.

    Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICC)
    Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICC) | Foto: Ione Moreno

    Mesmo com o anúncio de novas viaturas e ações de aproximação da polícia com a população para combater à criminalidade na cidade, a sensação de segurança não chega ao cidadão, que passou a fazer justiça com as próprias mãos. Um exemplo é o caso do estudante Kayube de Oliveira Carvalho, de 16 anos, morto brutalmente a caminho da igreja onde congregava. O jovem foi confundido com um assaltante e linchado na rua Paranacaxi, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus.

    A demora da resposta policial para evitar a morte de Kayube,  foi associada pelo comandante geral da PM, coronel David Brandão com a falta de estrutura nas áreas periféricas da cidade. 

    "A polícia chegou quando foi acionada, porém um dos fatores que atrapalham o patrulhamento na área periférica é a falta de urbanização. O local do crime é uma via sem pavimentação. Isso atrasa à chegada ao local do crime e leva muitas viaturas à manutenção", informou Brandão.

    Para o delegado-geral da PC-AM, Mariolino Brito, os homicídios praticados pelas facções criminosas são realizados por meio de execução. "A Facção Família do Norte (FDN), se fracionou e começou a matar cirurgicamente. As mortes nesse grupo são pontuais. O autor chega ao local, se infiltra na multidão e mata o desafeto", disse Mariolino.

    Mortes violentas assustaram à população no mês de julho
    Mortes violentas assustaram à população no mês de julho | Foto: Marcely Gomes

    Guerra entre facções

    A guerra entre facções também já fez  vítima inocente em Manaus. Uma menina de sete anos, foi atingida por uma bala perdida na cabeça. A criança perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e atualmente a família enfrenta dificuldades para custear o tratamento dela, que não recebeu nenhum auxilio do Governo do Estado. 

    A reportagem aguarda a resposta da SSP-AM, sobre o número geral das mortes por violência. 

    Recompensas

     A Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai), braço investigativo da SSP, ofereceu uma recompensa financeira para quem fornecer informações que levem à prisão de suspeitos ligados à organização criminosa que atua no Amazonas e envolvidos em dezenas de assassinatos.

    Dos principais suspeitos de envolvimento nos crimes, cinco ainda estão sendo procurados. Com oferta de recompensas financeiras, a Seai busca por informações que levem à prisão Adalberto Salomão Guedes da Silva, vulgo Salomão, Alexsandro Oliveira dos Santos, vulgo Sandrinho, Bruno de Souza Carvalho, vulgo Bruno Fiel, Johnson Alves Barbosa, vulgo Playboy, e Kaio Wuellington Cardoso dos Santos, vulgo Mano Kaio.

    Juntos, estes criminosos respondem por 76 processos em andamento na Justiça do Amazonas por crimes como tráfico de drogas, roubos, organização criminosa e homicídios, conforme levantamento do setor de inteligência da SSP-AM. 

    Anuário Nacional

    Conforme dados do 12º Anuário de Segurança Pública,  divulgados nesta quarta-feira, o Amazonas registrou aumento de 5,3% na taxa de mortes violentas entre 2016 e 2017. A taxa evoluiu de 29,7 para 31,3 mortes por 100 mil habitantes. 

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