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    Revolta


    Revolta em Caapiranga deixa um morto e 11 feridos, incluindo delegado

    Reforços policiais foram enviados para o município na noite desta quarta (22)

    Caapiranga – A população de Caapiranga (distante 134 quilômetros de Manaus) se revoltou, na última quarta-feira (22), após a prisão de Osiane Mendes Lopes, conhecida como “Pingo”, investigada por envolvimento no desaparecimento do jovem Cosmo Dantas Mendes, desde a última segunda (20).

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    Segundo os moradores, “Pingo” debochou de policiais, familiares e amigos de Cosmo ao confessar o homicídio do rapaz, porém, sem relevar a localização do corpo. A afirmação revoltou os moradores e terminou com 11 pessoas feridas, entre elas um delegado e um promotor de Justiça.

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    Ainda temerosos de sair de casa na manhã desta quinta (23), moradores do município disseram ao Em Tempo que a cidade ainda está paralisada por conta do medo que cidadãos têm devido à ação da polícia. 

    “As pessoas só queriam saber onde estava o corpo do rapaz, não havia motivo para que os policiais abrissem fogo contra os manifestantes”, lamenta uma moradora e funcionária pública de 24 anos. Por medo de represálias, a mulher não quis ser identificada. 

    Balas disparadas contra população que estava manifestando
    Balas disparadas contra população que estava manifestando | Foto: Divulgação

    Segundo a população, a manifestação em frente ao prédio do 32° Distrito Integrado de Polícia (DIP) iniciou por volta das 14h de ontem. Parentes e amigos da família de Cosmo pediam para que Osiane informasse o paradeiro do corpo do jovem desaparecido.

    “Ela debochou e disse que nunca encontrariam o corpo dele. Depois mudou a versão e afirmou que só contaria sobre a localização do corpo, mas que a cabeça da vítima foi jogada em outro lugar”, revelou a funcionária pública. 

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    Horas após esse momento, os moradores ainda revoltados pediam por justiça. Segundo eles, os primeiros sinais de violência partiram da polícia. Tiros de aviso foram disparados e, em resposta, os manifestantes atiraram pedras na direção dos policiais. Nesse momento, os PM’s dispararam na direção dos manifestantes. 

    “Sabemos que não foi correto apedrejar a delegacia, mas eles não deveriam ter atirado na população. Estamos com medo, pois a polícia tem o dever de proteger os moradores e, nesse caso, feriu e matou”, lamentou a funcionária pública. 

    Reforços enviados ao município

    Devido à gravidade da situação e como prevenção a novas revoltas, reforços das polícias Militar e Civil foram enviados a Caapiranga no início da noite de quarta. A Força Tática de Manacapuru, além de policiais civis e PMs de Manaus foram enviados, seguindo determinação do secretário de segurança, Coronel Anézio Paiva.

    Osiane Mendes Lopes, suspeita do homicídio de Cosmo
    Osiane Mendes Lopes, suspeita do homicídio de Cosmo | Foto: Divulgação

    Por telefone, o delegado titular de Caapiranga, Sinval Souza, informou que a unidade foi completamente depredada e que uma viatura da PM e outra da PC também foram danificadas. 

    Versão da polícia

    Segundo o delegado, a ação foi comandada por comparsas e familiares das três pessoas envolvidos no caso. O desaparecimento é um caso de repercussão na cidade e a notícia da transferência dos presos levou dezenas de curiosos para frente da delegacia. Infratores armados com espingardas atiraram contra a unidade policial quando o tumulto popular começou.

    O delegado Sinval foi ferido por um tiro de raspão na cabeça, e passa bem. O promotor da cidade, que acompanhava o caso na delegacia e negociava com familiares dos presos a remoção, levou uma pedrada na cabeça.

    Manifestantes em frente a delegacia
    Manifestantes em frente a delegacia | Foto: Divulgação

    O Secretário de Segurança Pública, Coronel Anézio Paiva, determinou apuração rigorosa do episódio para identificar e prender os envolvidos na ação criminosa. Reforços policiais permanecerão na cidade e um efetivo do Grupo Fera e do Comando de Policiamento Especializado da PM também chegou a cidade, no fim da noite, para o restabelecimento da ordem.

    População nega armas

    Em grupos de Whatsapp e Facebook, circula uma versão de que moradores estariam armados e disparavam em direção à polícia. Essa história é negada com veemência por pessoas que estiveram presentes na hora do tumulto. 

    A sobrinha do funcionário público Jasom Firmino de Castro, de 34 anos, ferido com três tiros relata que não havia qualquer pessoa dentre os manifestantes que estivesse armado. Ela também não quis ser identificada. Segundo ela, tudo foi uma reação à ação da polícia de atirar nos moradores. 

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    “Ninguém tinha arma, os manifestantes eram todos pais e mães de família. Estamos comovidos com a situação em que se encontra a família do rapaz”, comentou. 

    Segundo narra a jovem, o tio foi atingido com um tiro no maxilar, a bala atravessou e parou na região da orelha. Os outros dois tiros atingiram o dedo e as costas da vítima. 

    Suspeita envolvida em crimes

    De acordo com a Polícia Civil do município de Caapiranga, Osiane, o comparsa preso com ela, Reginaldo Pereira dos Santos Júnior, e o desaparecido têm diversas passagens pela polícia por envolvimento com o tráfico de drogas, porte de arma de fogo e homicídio. Osiane fazia parte do mesmo grupo criminoso de Cosmo, conforme informações preliminares. Mas estavam rompidos.

    Manifestantes atearam fogo em pedaços de madeira em frente à delegacia
    Manifestantes atearam fogo em pedaços de madeira em frente à delegacia | Foto: Divulgação

    Amigos de Cosmo confirmam que o jovem era usuário de drogas, mas negam que ele tenha participação direta na venda de drogas no município. Já Osiane foi presa no município em maio de 2016, em cumprimento de mandado de prisão preventiva por homicídio. 

    De acordo com informações de autoridades policiais do município, Osiane encomendou o homicídio do próprio companheiro, morto em 2015. Ela permaneceu foragida até a data da prisão. Ela é natural de Manacapuru e na época do delito morava em Manaus. Depois foi se esconder em Caapiranga. 

    Após essa prisão, Osiane foi solta novamente e estava em liberdade até ser presa nesta semana, pelo desaparecimento e suspeita de homicídio de Cosmo. 

    Edição: Isac Sharlon

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