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    Roubos e Furtos


    Vai às compras no Centro de Manaus? Fique atento a roubos e furtos

    Lojistas e clientes relataram crimes e opinaram sobre a segurança na região. Polícia Militar ressaltou dicas para o público evitar ser vítima de crimes comuns

    Uma das ruas visitadas pela reportagem foi a Eduardo Ribeiro
    Uma das ruas visitadas pela reportagem foi a Eduardo Ribeiro | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    Manaus - Em época de intenso fluxo de pessoas no Centro, Zona Sul de Manaus, como, por exemplo, os dias que antecedem a Black Friday ou "Sexta-feira Negra", em que há inúmeras promoções de itens em valores à queima de estoque, e também aquecem as vendas de fim de ano (Natal e Ano Novo), o Portal Em Tempo percorreu algumas das principais ruas do centro comercial para saber sobre a sensação de segurança ou insegurança de lojistas e clientes neste período. 

    No percurso estão as ruas Eduardo Ribeiro, Henrique Martins e Marechal Deodoro (a rua do bate-palma), onde lojistas e clientes relataram alguns crimes. Para eles, os mais comuns são furtos de aparelhos celulares, bolsas e cordões.

    Sobre os delitos, a Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) se manifestou. “As pessoas andam desatentas com o celular, com as bolsas abertas, cordões e pertences expostos à mercê de assaltantes”, conta o capitão Tasso Alves, da PM-AM, que atua com o policiamento ostensivo na região.

    Todos os anos, o local é um dos preferidos da população amazonense devido à grande quantidade de lojas, opções de produtos e serviços, e o que chama mais atenção: o preço baixo. A auditora de qualidade Nathália Costa, de 26 anos, costuma realizar suas compras de fim de ano no local. Apesar de se sentir insegura, não abre mão de ir, pois algumas de suas necessidades só são atendidas na região.

    Nathália Costa
    Nathália Costa | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    “Nessa época de fim de ano é complicado, dá medo mesmo! Só venho porque algumas coisas só encontro aqui. Apesar de haver mais opções, acredito que nos shoppings esteja mais seguro. O Centro está precisando de mais segurança", relata Nathália.

    Nathália conta que adotou algumas medidas para não ser vítima de roubo ou furto, como: carregar a bolsa na frente do corpo, não andar com dinheiro, somente com cartões de crédito ou débito e estar sempre atenta ao movimento a sua volta.

    A autônoma Tayene Brasil, de 33 anos, que está frequentemente no local pesquisando valores e comprando produtos para seu negócio, lamenta a sensação de impotência ao presenciar os acontecimentos. “Graças a Deus, nunca fui roubada, mas já presenciei correrias e gritarias. A sensação é de impotência, e é complicado”.

    Tayane Brasil, de 33 anos
    Tayane Brasil, de 33 anos | Foto: Luan Freitas

    De acordo com a trabalhadora, os crimes geralmente acontecem nas ruas Marechal Deodoro e na avenida Epaminondas. Os infratores furtam bolsas, carteiras e até mesmo objetos de passageiros do transporte público - este último através das janelas abertas dos coletivos. “Já vi eles puxando o cordão de um passageiro, e as pessoas ficaram em estado de choque", informou Tayene.

    Yeli Ferreira, de 32 anos, técnica em patologia clínica, também presenciou roubo em um transporte coletivo, na avenida Sete de Setembro. A profissional relata a sensação de ter presenciado o ato. “Foi apavorante! Quando entrei no ônibus, uma moça, que eu jamais imaginei que fosse ladra, encostou um senhor de idade na parede do veículo e roubou o celular. Uma passageira tentou ajudá-lo, mas também foi vítima de agressão física”, relembrou.

    De acordo com a testemunha, a mulher retornou ao interior do ônibus com hematomas no rosto enquanto a agressora gritava palavras de baixo calão contra ela.

    Na mesma época e local, Yeli conta que presenciou, também, um arrastão contra pedestres que transitavam na região. A consumidora se escondeu em uma loja, que baixou as portas, em seguida com o intuito de impedir uma possível invasão dos ladrões. “Saíram arrastando bolsas, celulares, tudo. A gente fica imaginando que vai acontecer de tudo: tiros, mortes, perder uma criança... porque existem muitas mães que trazem crianças para o Centro. Minha reação foi orar e pedir a Deus para que nada acontecesse”, contou.

    | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    No momento da entrevista, Yeli disse que sente falta de uma maior atenção da polícia para a região e lamentou que já estava há quase uma hora no caminhando pelas ruas e não avistou nenhuma viatura realizando rondas. Ela aproveitou e fez um apelo à Polícia Militar.

    “Isso é preocupante, porque assim como eu observo a ausência das rondas as pessoas de má índole observam muito mais. Fim de ano chegando, todo mundo querendo aproveitar as compras, então contamos com a polícia para a nossa segurança”, avalia a consumidora.

    De acordo com o capitão Tasso Alves, aproximadamente 90 policiais divididos nos turnos matutino, vespertino e noturno, estão ativos na "Operação Natal da Paz", juntamente com o efetivo administrativo, responsável pelo policiamento a pé, complementando a patrulha pela região.

    “O Patrulhamento Ostensivo Geral (POG) ajuda porque são policiais que estão próximos das lojas e da comunidade. Existem acontecimentos que a viatura não consegue avistar, mas que o policiamento a pé consegue, então com certeza estamos minimizando muito os furtos e assaltos aqui na área Central", ressaltou o capitão.

    Capitão PM Tasso Alves
    Capitão PM Tasso Alves | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    "Natal da Paz"

    De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), a operação tem como objetivo trazer maior sensação de segurança à população prevenindo ações criminosas, reforçando o policiamento em áreas comerciais e bancárias - que ficam ainda mais movimentadas com a chegada das festas de final de ano.

    Conforme a instituição, o período natalino no Centro, Zona Sul, terá reforço policial de 300 policiais.

    A reportagem solicitou da SSP-AM dados referentes aos registros de roubos e furtos na região central da cidade nos meses novembro e dezembro de 2017 e 2018, mas não houve respostas até a publicação desta matéria. 

    Furtos em lojas

    A vendedora Miliane Lopes, de 25 anos, relatou que na loja em que trabalha, na rua Henrique Martins, nunca ocorreram roubos, mas os furtos se tornaram rotineiros e triplicam no fim de ano.

    Miliane Lopes
    Miliane Lopes | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    “Graças a Deus, no tempo em que estou aqui, nunca aconteceu assalto à mão armada, mas os furtos são diários. Aqui na loja temos dois setores: roupas e bolsas, assessórios e bijuterias, então é constante dos dois lados, não só no final do ano, mas no decorrer também. Só que quando chega novembro e dezembro, os furtos dentro da loja aumentam”, relatou a vendedora.

    Segurança 

    Os funcionários do local, de proprietários chineses, adotaram o método de observação manual do movimento no local. Caso alguém seja visto furtando, os seguranças realizam a abordagem de forma cautelosa por medo de represália.

    “Semana passada pegamos um rapaz que tentou furtar dois perfumes, então os seguranças que trabalham aqui o chamaram no particular e pediram para que tirasse os produtos do bolso. Não fizemos alarde, apenas deixamos ele sair para evitar burburinho porque a gente não sabe o que pode acontecer", relembrou Miliane.

    A funcionária contou, ainda, que evitar confusões também é uma das medidas tomadas na loja. “Saímos daqui às 18h para pegar ônibus, e como a maioria das pessoas têm família, a gente evita confusões e resolve internamente. Caso coisas piores aconteçam, aí acionamos a polícia”, destacou.

    | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    Outra fonte, que preferiu não ter a identidade relevada, também destacou o receio em denunciar os infratores. Na ocasião, contou que as principais vítimas são pessoas idosas que, geralmente, são incapazes de se defender, e revelou que os crimes são cometidos por um grupo já conhecido pelas redondezas.

    “Aqui na Marechal, o índice de roubo é muito alto, acontece bastante e as pessoas não interferem por medo de vingança. Todos os infratores são unidos, eles são muitos e andam armados. Essa situação nos prejudica demais, só quem trabalha no Centro sabe o que se passa diariamente. Queria que isso mudasse”, lamentou.

    Medidas de prevenção

    Eliomar Rodrigues, de 24 anos, vendedor em uma sapataria, também afirmou que os crimes aumentam em época festiva, mas ressalta quais medidas são tomadas anualmente pelo proprietário da loja para evitar os corriqueiros acontecimentos.

    Eliomar Rodrigues
    Eliomar Rodrigues | Foto: Leonardo Mota/Em Tempo

    “Temos uma preparação muito grande para esse período. Reforçamos o quadro de funcionários, adotamos uma maior responsabilidade na observação de clientes e contamos com um sistema de segurança por meio de câmeras e segurança noturna. Todos os dias, a partir das 18h, horário de encerramento de expediente e aumento de riscos, os profissionais vêm e tomam conta do local para não acontecer esse tipo de caso”, relatou o vendedor.

    O capitão Tasso Alves deu dicas de prevenção ao transitar pelas ruas do local. “Peço a todos que fiquem atentos aos seus pertences. Não andem com fones no ouvido e celular na mão. Guarde seu aparelho e bolsas em um local seguro. Evite usar cordões e outros bens de valor que chamem a atenção de outras pessoas", recomendou o oficial.

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