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    Eleição


    Você decide: que perfil deve ter o próximo governador do Amazonas?

    Seria um político experimentado ou um técnico sem nenhuma experiência?

    Mesa do governador do Amazonas, no antigo Palácio Rio Negro, de onde lideranças decidiam os rumos do Estado | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Diante do atual quadro que mergulha a política brasileira num mar de lama – com raras exceções – e pela inédita eleição suplementar no Amazonas em 2017 - ano em que o Estado foi governado pelo cassado José Melo (Pros), por David Almeida (PSB) e Amazonino Mendes (PDT) -, qual seria o perfil ideal de governador que o eleitor sonha eleger nas eleições de outubro de 2018?

    O EM TEMPO ouviu algumas lideranças da sociedade civil, presidentes de entidades, profissionais liberais e gente simples, do povo, para saber qual é o “governador dos sonhos” do amazonense. Seria um político experimentado? Um técnico sem nenhuma experiência? Um empresário íntegro, honesto e preocupado com o equilíbrio das contas públicas?

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    Todos sabem que os últimos fatos políticos no Amazonas fizeram muito eleitor mudar seu voto. Tanto que a eleição suplementar do ano passado teve um resultado vergonhoso, pois quem venceu o segundo turno do pleito foram as abstenções e votos brancos e nulos, que somados chegaram a 1.01.635 eleitores. Amazonino Mendes (PDT) ficou em segundo com 782.933 votos e Eduardo Braga (MDB) em terceiro, com 539.318.

    Os amazonenses esperam um futuro melhor para o Amazonas
    Os amazonenses esperam um futuro melhor para o Amazonas | Foto: Marcio Melo

    O Arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, por exemplo diz que o próximo governador precisa ser alguém que atento às questões ecológicas, defensor da Zona Franca e ter como prioridade a educação.

    “O novo governador precisa ser conhecedor da questão ecológica e adepto do desenvolvimento sustentável. Defensor da Zona Franca, atento às políticas públicas de inclusão, ser defensor dos direitos indígenas. Precisa ser atento a laicidade do Estado. Que tenha a educação como prioridade e que limite a terceirização dos serviços sobretudo na educação, saúde e segurança. Além disso, precisa ser honesto, não pensando em primeiro lugar na reeleição e tenha um compromisso com o combate a corrupção. Seja republicano e estadista”, descreve.

    Valdiberto Rocha, um dos integrantes da Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas (Omeam), destaca que honestidade e transparência são primordiais para o novo governante do Estado.

     “Quando faltam essas duas qualidades, os prejuízos são refletidos na segurança, na educação, no transporte público”, explica.

    Anseio das mulheres

    Na avaliação da presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Santos, o governador ideal para comandar o Amazonas deve ter mais sensibilidade quanto aos assuntos que envolvem as mulheres e olhe com carinho para as minorias.

    “Nosso novo governador precisa ser alguém que respeite os direitos já constituídos. Estamos vivendo um imenso ataque a estes direitos e, somente com muita luta, poderemos reverter o que já perdemos, como os direitos trabalhistas. Espero que o movimento feminista fique cada vez mais fortalecido porque quando há perdas de direitos, as mulheres são sempre as mais penalizadas, já que existe sempre uma carência de prestação de serviço público a elas”, afirma.

    OAB almeja um governante conciliador

    O presidente da Comissão de Ética da OAB-AM, o advogado Carlos Santiago, defende que o poder tem o objetivo único de servir ao povo, seja de forma direita ou indireta. Ele aponta que neste momento conflituoso que o país vive, é necessário ter um representante com um perfil conciliador.

    “Uma pessoa conciliadora irá procurar fazer uma administração ética, sem corrupção, respeitando os interesses coletivos e elaborando projetos que beneficiem a maior parte da população”, comentou o advogado. Ao analisar o cenário, que irá eleger este próximo governador, Carlos percebe um clima agressivo, mesmo fora de campanha. “Já percebemos muitas acusações, muita vaidade, ataques, revanchismo, mágoas e poucas ideias neste período de pré-campanha”.

    O representante da OAB esclarece que a idade também não pode ser um fator motivador para a escolha do novo governador. Isso porque, há políticos jovens e experientes em descrédito com a população.

    “O novo representante deve se concentrar em fazer gestão para o coletivo, com comportamento ético no exercício do poder. Ele deve servir, principalmente os mais pobres e as mulheres”, salientou. Quanto o que já está definido para este pleito, ela sinaliza que irá propor que o novo governador assine uma carta compromisso, para que seja garantida inclusão social e políticas públicas em favor do desenvolvimento do Estado.

    Inácia Bruce quer mais assistência para os idosos
    Inácia Bruce quer mais assistência para os idosos | Foto: Marcio Melo

    Movimento LGBT quer ser prestigiado

    À frente da causa LGBT no Amazonas, Bruna La Close, reclama da ausência de políticas públicas para a classe, que possui mais de 10 mil pessoas cadastradas. Para ela, apostar em um candidato com propostas inovadoras e pensamento moderno trará mudanças para o Estado. Ao elencar os principais problemas que o movimento enfrenta, ela diz haver falta de uma delegacia contra crimes de ódio, além de casas de acolhimento para homossexuais que passam por situações de risco e vulnerabilidade. “O que percebemos hoje é um troca-troca de cargos. Os mandatos viraram vínculo empregatício e esta preocupação com a classe LGBT simplesmente não existe”, salienta.

    Questionada sobre as políticas públicas para a categoria, ela haver somente a existência do Centro de Referência Adamor Guedes, dentro da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejusc), e que conta apenas com uma gerente para atender homossexuais, negros, quilombolas e integrantes de terreiros.

    “É preciso haver um suporte com psicólogos, psiquiatra, assistente social e advogado”, diz. Para ela, o ideal é ter um governante que facilite esta interlocução com as necessidades. ”Essa falta de apoio é refletida, por exemplo, no quantitativo de assassinatos. Em 2016, foram 82 LGBTs mortos e nenhum criminoso está na cadeia”, cita.

    Josafá Nascimento morador do bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus
    Josafá Nascimento morador do bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus | Foto: Marcio Melo

    Fala povo

    Josafá Nascimento, locutor – 38 anos

    "Moro no São Jorge há nove anos e neste tempo vi pouco ser investido no transporte público urbano. Os coletivos não condizem com o preço pago e a demanda de ônibus não é suficiente para atender a população. Moro na travessa Arthur Reis e é uma área bastante movimentada, com comércios e quitinetes. Precisamos ser alcançados nesta área".

    Inácia Bruce, aposentada – 69 anos

    “Toda vez que vou para parada espero em média de meia hora a 50 minutos para o ônibus passar. Já vivi muito e queria um pouco de conforto na minha idade. Queria mais assistência aos idosos. As pessoas pensam que quem é idoso vive só em casa, mas também temos uma vida ativa. Preciso de suporte público naquilo que não consigo mais por conta própria".

    Francisca Moraes é moradora do município de Tefé
    Francisca Moraes é moradora do município de Tefé | Foto: Marcio Melo

    Francisca Moraes, agricultora – 43 anos

    “Sou de Tefé e não temos chance de crescimento no interior. Quem quiser vir para Manaus, tem que largar tudo e recomeçar uma vida do zero. O próximo governante poderia ser mais atento nos investimentos aos municípios de uma maneira geral. Nem atendimento médico nós temos direito. Meu sobrinho sofreu um acidente de moto e precisou fazer uma cirurgia. Tivemos que vir para a capital sem nenhuma ajuda. É deprimente".

    Maria Elza, feirante – 44 anos

    "Sou da época que a feira inteira era feita de madeira. Vimos todos crescerem e ganharem seu espaço. Ainda continuo na esperança de ter uma loja melhor para aumentar minha renda. Espero mais dedicação e compromisso de quem for assumir o novo posto de governador do Estado".

    Gerbeson Santos, vendedor ambulante – 38 anos

    "Moro do outro lado do rio, próximo à Praia da Lua. Nunca vi o governador próximo às pessoas mais isoladas, mas espero essa atenção daquele que for eleito. Pessoas no poder devem se preocupar com os mais simples, que não têm tanto acesso a elas".

    Colaborou Thiago Botelho e Nicolas Daniel Marreco

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