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    Insegurança


    Segurança: crimes e estatísticas ameaçam reeleição de Amazonino

    Para especialistas, governador será bombardeado por adversários e terá que explicar ineficiência e falta de melhoria nas ações do Governo para área de segurança

    O governador tampão, Amazonino Mendes, deve se defender argumentando que está há pouco tempo à frente do executivo estadual. | Foto: Arquivo/Em Tempo

    Manaus- Estatísticas alarmantes e crimes que expõem a fragilidade da Segurança Pública no Amazonas colocam em risco a reeleição do governador Amazonino Mendes (PDT). Para os especialistas, a onda de criminalidade vivida pelo estado será um dos principais temas a serem abordados pelos candidatos. A necessidade de melhoria na área será decisiva na escolha do voto pelo eleitor.

    O professor e cientista político Helso do Carmo Ribeiro afirma que os adversários deverão usar os casos mais recentes e de maior repercussão para bombardear a candidatura de Amazonino. Por outro lado, o governador tampão deve se defender argumentando que está há pouco tempo à frente do executivo estadual.        

    “O Amazonino deve usar um discurso mais defensivo e falar que está agindo para combater os criminosos. Ele vai dizer que contratou uma empresa de inteligência para dar consultoria ao Estado. No entanto, a medida é muito questionada devido ao valor pago por informações que os especialistas locais já têm”, disse.

    Para o especialista, o cenário de insegurança vivido pela população será decisivo para o eleitor definir seu candidato.  “A onda de insegurança será fundamental em todas as candidaturas. A população está muito cansada de viver tudo isso. Todos tememos a violência que está espalhada pela cidade, é um sentimento de desamparo total”, comentou.

    Detento do semiaberto morreu em João Lúcio após ser baleado no bairro Alvorado.
    Detento do semiaberto morreu em João Lúcio após ser baleado no bairro Alvorado. | Foto: Divulgação


    Amazonino eleito por minoria

    O resultado do pleito em 2017, no qual Amazonino teve votação inferior a soma dos votos inválidos, que não são contabilizados no resultado final da eleição, expressa a insatisfação dos amazonenses em relação aos políticos.

    “O governador foi eleito com cerca de 700 mil votos, menos do que os votos brancos, nulos e abstenções. Então, o Amazonino já entra nesta disputa muito fragilizado. Teremos os candidatos explorando a insegurança contra ele com muita força. O próximo governador será aquele que souber vender o seu discurso no tempo reduzido de campanha”, lembrou Ribeiro.

    Na eleição suplementar realizada em agosto do ano passado, Amazonino obteve 782.933 votos, enquanto os nulos foram 342.280, brancos 70.441 e abstenções 603.914. A soma 1.016.635 é superior ao eleitorado do governador.  

    Especialistas desaprovam ações

    Se por um lado os criminosos estão bem aparelhados com armas e munições pesadas e facções cada vez mais organizadas, por outro, há polícias com pouco efetivo e sem poder bélico suficiente, segundo os especialistas em Segurança Pública.

    De acordo com análise do coronel aposentado da Polícia Militar, Clécio Sales, que esteve à frente do escritório de planejamento estratégico da corporação por sete anos, as ações do Estado são erradas e ineficazes para combater o tráfico de drogas e os crimes que o permeiam.

    “Quando temos duas facções, elas vão brigar por território e isso causa terror na sociedade. Aí muita gente diz que, enquanto eles estiverem se matando entre eles, está bom, mas não está! O Estado precisa intervir, tem inocentes morrendo, tem policiais que não saem de casa com medo de morrer”, comentou o coronel.

    Para Sales, é preciso reestruturar a Secretaria, colocar mais PMs nas ruas e investir em treinamento de pessoal. “Nós temos pelo menos 1500 homens servindo de segurança para autoridades e prédios públicos. Policiais que deveriam estar nas ruas prevenindo e combatendo o crime. A Secretaria não tem sede, funciona no porão de um shopping”, afirmou.

    Segundo o delegado-geral, Mariolino Brito, 35 delegados estão trabalhando na elucidação dos homicídios.
    Segundo o delegado-geral, Mariolino Brito, 35 delegados estão trabalhando na elucidação dos homicídios. | Foto: Marcelo Cadihe

    Mortes violentas em Manaus

    De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), entre maio e a primeira quinzena de julho foram 225 homicídios. Somente no mês de junho, 103 pessoas foram assassinadas. O número representa 43% de aumento em relação ao mês anterior. Ainda segundo a própria Secretaria, Manaus registra uma média de duas mortes violentas por dia.

    Somente no último fim de semana, Manaus registrou 14 assassinatos. Entre os casos, as execuções de ex-detentos degolados causaram pânico na população. Nesta terça-feira (24), a SSP convocou coletiva de imprensa para anunciar uma força tarefa que tem o objetivo de intervir nas ações de criminosos na cidade. Segundo o delegado-geral, Mariolino Brito, 35 delegados estão trabalhando na elucidação dos homicídios.  

    Crime choca no interior

    No início de julho, um linchamento chocou o Estado. Moradores de Borba (a 151 km da capital), revoltados com o estupro e assassinato de uma adolescente de 14 anos, invadiram a delegacia do município para matar o acusado de cometer o crime. Depois, a população carbonizou o corpo de Gabriel Lima Cardoso, de 18 anos, numa fogueira em via pública.

    Os policiais militares que estavam de plantão na unidade disseram que a população ameaçou tocar fogo no local caso o preso não fosse entregue a eles. Acuados durante a ação dos moradores, seis policiais ficaram feridos e o prédio foi depredado. A Polícia Civil instaurou inquérito e dez pessoas envolvidas no linchamento já foram detidas.

    Após ligação misteriosa, agente de portaria é assassinado em Manaus
    Após ligação misteriosa, agente de portaria é assassinado em Manaus | Foto: Josemar Antunes

    População vive aterrorizada

    Durante uma ação de vacinação contra o sarampo no bairro Jorge Teixeira, na zona Leste de Manaus, servidores da Secretaria de Saúde do município (Semsa) foram impedidos por traficantes de adentrar as ruas para imunizar a população.

    Após uma operação realizada na comunidade, o secretário da SSP, coronel Anézio Paiva, negou a denúncia feita pela própria Prefeitura de Manaus e disse que as ameaças aos trabalhadores não passavam de boatos.  Ainda durante a ação, cinco infratores foram presos, mas nenhum crime teria relação com as ameaças.

    Outra situação que gerou repercussão na última semana foi a insegurança vivida pelos moradores da área conhecida como “Buritizal”, no bairro da União, zona Centro-sul da cidade. A região é completamente dominada por traficantes ligados a uma facção criminosa que impede a entrada da Polícia no local. 

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