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    Eleições 2018


    Amazonas é um dos oito estados do Brasil sem candidatura feminina

    Muitos partidos ainda não entendem a necessidade de inclusão da mulher em espaços de poder, mesmo que sejam mais de 50% da população brasileira. Apesar da política de cotas os partidos ainda não dão esse acolhimento

    Das 186 candidaturas apresentadas em todo o país, 160 são masculinas e apenas 26 são femininas
    Das 186 candidaturas apresentadas em todo o país, 160 são masculinas e apenas 26 são femininas | Foto: Malika

    Manaus - Adisputa pelo governo, no pleito de 2018, deverá acontecer apenas entre homens em oito estados brasileiros, e o Amazonas é um deles. Completam a lista Alagoas, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e Rondônia. Nesses locais, nenhum partido político lançou candidaturas femininas para a chefia do executivo estadual durante o período de convenções, encerrado no último domingo (5). No Rio Grande do Sul, a pré-candidata Abigail Pereira (PCdoB), anunciou a desistência da candidatura na segunda-feira (6).

    Até o momento, das 186 candidaturas apresentadas em todo o país, 160 são masculinas e apenas 26 são femininas. No entanto, esse status ainda pode mudar, uma vez que os partidos devem registrar as candidaturas até o dia 15 de agosto e têm até o dia 17 deste mês para fazer alterações nas chapas. Durante esse período, podem ocorrer desistências e substituições.

    No Amazonas, foram registradas três candidaturas femininas, porém todas na condição de vice-governadora. Rebecca Garcia (PP) disputa ao lado de Amazonino Mendes (PDT), enquanto a professora Maria Auxiliadora Castro (PSTU) e a assistente social Ilzanete Campos Paz (PSOL) concorrem ao lado de Sidney Cabral e Nindberg Barbosa, respectivamente, em chapsa puro-sangue, ou seja, sem coligações.

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    Atualmente, a legislação exige que pelo menos 30% das vagas devem ser preenchidas por mulheres. Além disso, 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, criado pela minirreforma eleitoral de 2017, devem ser destinados a candidaturas femininas, bem como 30% do tempo de propaganda eleitoral.

    No entanto, para a presidente nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Santos, apesar das exigências, um dos fatores responsáveis pelo baixo número de mulheres encabeçando chapas de cargos majoritários é a falta de investimento dos partidos nas candidaturas femininas.

    “Muitos partidos ainda não entendem a necessidade de inclusão da mulher em espaços de poder, mesmo que sejam mais de 50% da população brasileira. Apesar da política de cotas e determinações envolvendo financiamento de campanha e tempo de propaganda, os partidos ainda não dão esse acolhimento. Muitas mulheres que saem candidatas, atualmente, são motivadas pela participação social que tem em entidades e sindicatos, onde obtêm destaque e são convidadas por partidos a disputar um cargo. Porém, não há, de fato, um estímulo de participação e formação política por parte das siglas”, justificou.

    Ainda de acordo com a presidente, a ausência de candidaturas de mulheres aos governos desses estados também está ligada à jornada tripla que envolve o trabalho, o cuidado doméstico e a participação política. “O papel social que as mulheres desempenham ainda é muito associado a esses três segmentos; a sociedade cobra isso das mulheres. A participação é uma necessidade. Se não falarmos por nós, quem irá falar? ”, disse.

    Indo além da falta de investimentos na qualificação política das mulheres, o antropólogo Ademir Ramos observa que a estrutura dos partidos políticos é autoritária e, por isso, demandam uma reestruturação e democratização deles. “Historicamente, os grupos e partidos políticos são dominados por homens. Não se muda uma realidade por força de lei. É preciso uma estratégia de formação e capacitação para que as mulheres obtenham participação efetiva nesse processo político”, afirmou.

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