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    Infidelidade


    Mudança de lado envelhece políticos que diziam ser a 'renovação' do AM

    De eleição em eleição é comum ver políticos mudarem de partidos e ideologias para migrarem para outro rumo. Rebecca Garcia, Marcelo Ramos e Hissa ABrahão se aliaram ao Amazonino e deixaram de ser "a esperança de renovação"

    Trio que se apresentava como a renovação da política foi cooptado por Amazonino Mendes
    Trio que se apresentava como a renovação da política foi cooptado por Amazonino Mendes | Foto: Reprodução

    Manaus - O período de quatro anos entre uma eleição e outra pode significar o tempo exato do envelhecimento para alguns jovens políticos do Amazonas que neste espaço não titubearam em aderir ao que criticavam na última eleição geral, em 2014, e precocemente já estão envelhecidos.

    Pois, naquele ano, exatamente no dia 24 de fevereiro, quatro políticos encarnavam o novo, usando o palanque das redes sociais e costuravam uma reunião na qual anunciaram a rebelião contra os “velhinhos” do sistema. Eram a versão política baré dos quatro rapazes de Liverpool, mas como Zeca Torres e Aldisio Filgueiras ensinaram: “Porto de lenha nunca será Liverpool”. Rebecca Garcia, Marco Antônio Chico Preto, Marcelo Ramos e Hissa Abraão formavam o quarteto.

    Destes, após idas e vindas, Rebecca, Marcelo e Hissa acabaram ao lado do governador Amazonino Mendes, o mais velho dos nossos políticos e símbolo da velha política que manda no Amazonas desde a eleição de Gilberto Mestrinho em 1982. Chico Preto foi o único que resistiu ao charme do Negão.

    No manifesto de fevereiro de 2014 a união dos “jovens” era para fazer frente ao “chapão” articulado pelo senador Eduardo Braga (MDB), que garimpava apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) e do prefeito Arthur Neto (PSDB). Em 11 de maio de 2014 os quatro deram entrevista ao Em Tempo indicando que o manifesto de fevereiro não surtiu a união esperada e cada um decidiu seguir caminhos próprios, mas com o discurso comum de renovação da política.

    Rebecca Garcia, com 41 anos à época, dizia ter se preparado para governar o Estado e que planejava melhorar a vida das pessoas na cidade e no Estado, destacando a experiência adquirida no tempo que ficou como deputada federal e depois secretaria de Governo na gestão do ex-governador Omar Aziz (PSD).

    Com 33 anos e ocupando a vice-prefeitura de Manaus, o deputado federal Hissa Abraão (PPS) dizia na mesma reportagem de 11 de maio que sua candidatura ao governo do estado representava a “renovação política”. “O povo vive um clima de mudança e não quer candidatos com megaestruturas, e sim postura. E eu venho com este propósito”, anunciava.

    Aos 41 anos em 2014, o ex-deputado Marcelo Ramos, ainda no PSB, vendia o peixe da juventude e o fato de não ter na política o DNA do grupo que está no poder no Amazonas desde a eleição de Gilberto Mestrinho e cuja melhor tradução atualmente é o próprio Amazonino. “Represento a mudança que a população almeja. Esse momento exige de mim oferecer ao povo do Amazonas uma alternativa de mudança e renovação”, afirmava.

    Marco Antônio Chico Preto, 45, também era pré-candidato e se dizia o representante que iria unir “juventude e experiência” para dar um olhar especial ao interior. “Tenho o compromisso de tirar o Estado do abandono... e estou habilitado a fazer isso”, garantia.

    Ao fim do período de convenções, Rebecca Garcia aceitou ser candidata a vice-governadora na chapa de Braga, Hissa Abraão largou a parceria com o prefeito Arthur Neto e pelo PPS se elegeu deputado federal, Chico Preto foi candidato a governador e obteve quase 30 mil votos no primeiro turno e ficou em quarto lugar na eleição. Marcelo Ramos foi o que se deu melhor, pois teve quase 180 mil votos, ficou famoso por mandar Braga “ajoelhar no milho” pelos erros cometidos durante as administrações anteriores dele, e turbinou a campanha que faria dois anos depois para a prefeitura de Manaus, quando foi ao segundo turno, mas não teve força para bater Arthur Neto.

    O tempo passou...

    Hoje, quatro anos depois, e com uma nova eleição geral pela frente, a velha política cooptou praticamente todos os que se vendiam como novo em 2014. O governador Amazonino Mendes colocou sob as asas dele Rebecca Garcia, Hissa Abraão e Marcelo Ramos.

    Rebecca será candidata a vice-governadora na chapa de Amazonino. Hissa Abraão sentiu na pele o que Amazonino faz com aliados novos, mas será candidato ao Senado pelo mesmo partido dele, o PDT. Marcelo Ramos está no PR, cujo presidente Alfredo Nascimento levou para a coligação comandada por Amazonino.

    Embora nunca tenha vendido o peixe da juventude na política, Marcos Rotta, aos 51 anos, também acabou cooptado para trabalhar pela reeleição de Amazonino Mendes.

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