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    Estado de Emergência


    PF prende ex-governador do AM José Melo em nova fase da 'Maus Caminhos'

    A investigação aponta crimes praticados por membros da organização criminosa que corromperam agentes públicos no Amazonas, por meio do pagamento de propina

    | Foto: Fernandes Alfredo



    O ex-governador do Amazonas José Melo (Pros) foi preso pela Polícia Federal, na manhã desta quinta-feira (21), durante a operação “Estado de Emergência", que é um desdobramento da “Maus Caminhos”.

    A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do governador, no bairro Parque das Laranjeiras e em um salão de beleza, no bairro Vieiralves, Zona Centro-Sul de Manaus, de propriedade da ex-primeira dama Edilene Gomes,  além de um sítio, que também é alvo da Operação. 

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    Além da casa do governador, a PF faz buscas na casa de um empresário e de outro político da cidade.

    Segunda fase

    Na semana passada, foi deflagrada a segunda fase da “Maus Caminhos”, denominada  "Custo Político".  Em consequência da investigação foram compridos 84 mandados judiciais de condução coercitiva, sequestro de bens, prisão e busca e apreensão despachados pela juíza federal Ana Paula Serizawa contra três ex-secretários estaduais dos setores de saúde e casa civil e dois secretários-executivos da Secretaria de Saúde (Susam).

    Terceira fase

    A prisão contra Melo marca a terceira fase da Operação Maus Caminhos, iniciada em setembro do ano passado, que investiga o desvio de ao menos R$ 50 milhões de repasses do governo federal ao sistema de saúde do Amazonas, segundo o Ministério Público Federal.

    Na semana passada, houve a segunda fase da operação, batizada de Custo Político, com a prisão de cinco ex-secretários do governo estadual, dos quais dois da pasta da Saúde.

    Segundo as investigações, um dos ex-secretários recebeu ao menos 14 pagamentos de R$ 133 mil para favorecer o Instituto Novos Caminhos, ONG que fazia a gestão de unidades de saúde por meio de convênios com o governo Melo.

    Em maio, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassou Melo por compra de votos para a sua reeleição, em 2014. Em agosto, houve novas eleições no Estado, com a vitória de Amazonino Mendes (PDT).


    A reportagem entrou em contato com um dos advogados do ex-governador, mas ele informou que só cuida do processo de cassação e não soube indicar outro colega.

    Confira a nota da Polícia Federal:

    A Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas, como o apoio da Controladoria Geral da União (CGU) deflagrou na manhã desta quinta-feira (21) a terceira fase da Operação Maus Caminhos, denominada "Operação Estado de Emergência", que tem como objetivo investigar os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e de organização criminosa, envolvendo o ex-governador do Amazonas, José Melo.

    A investigação abrange os crimes praticados pelos membros da organização criminosa alvo da primeira fase que corromperam diversos agentes públicos do Estado do Amazonas, por meio do pagamento de propina, utilizando-se de recursos públicos desviados do Fundo Estadual de Saúde, para o fim de obter o direcionamento de contratos, acelerar a liberação de pagamentos e acobertar os ilícitos praticados.

    O nome da Operação, "Estado de Emergência" é uma referência à situação de calamidade pública que se encontrava a prestação de serviços públicos de saúde no Estado, sendo decretado pelo então governador, em 31 de agosto de 2016, o estado de emergência econômica na saúde estadual, mês anterior à deflagração da primeira fase da "Operação Maus Caminhos".

    Na ocasião da gestão do ex-governador, criou-se o "gabinete de crise", composto pelas secretarias Estaduais de Saúde, da Casa Civil, da Fazenda e de Administração e Gestão, cujos secretários foram presos na "Operação Custo Politico".

    Os fatos relacionados ao envolvimento do ex-governador do Estado somente apareceram após o avanço da investigação e dão conta de que o chefe maior do executivo estadual (José Melo) recebia pagamentos periódicos dos membros da organização criminosa.

    Nesta fase foram cumpridos 07 mandados de busca e apreensão e 01 mandado de prisão temporária, em Manaus e no município de Rio Preto da Eva, no Amazonas. 

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