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    Sem investimento


    Inpa e outros órgãos podem desaparecer, afirma Philip Martin Fearnside

    Órgão pode desaparecer devido à demora de chegada de recursos federais

    O ganhador do Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que, devido aos problemas, o Inpa pode chegar a desaparecer | Foto: Janailton Falcão

    Manaus - Dono do Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), o pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Martin Fearnside, elenca como a redução e demora da chegada de recursos dos governos federais e estaduais impactam no desenvolvimento dos projetos da instituição.

    EM TEMPO -  Qual é a expectativa para a potencialização do Instituto Nacional de Pesquisas Amazonia (Inpa), em vista das consecutivas reduções de recursos do governo federal, para área de ciência, uma de 26% em 2017 e  mais 44% este ano?

    Philip Martin Fearnside fala sobre os problemas enfrentados pelo Inpa e outros órgãos que necessitam de verba federal para se manter
    Philip Martin Fearnside fala sobre os problemas enfrentados pelo Inpa e outros órgãos que necessitam de verba federal para se manter | Foto: Janailton Falcão

     Philip Martin Fearnside - Às vezes o orçamento não passa de promessa, não significa ter na horam dinheiro em conta. Como os governos passam por um processo de contingenciamento, só podemos receber maiores recursos, se a arrecadação dos impostos for elevada.

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    Além disso, os pagamentos sempre acontecem de forma parcelada, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos e países europeus. E, quando o valor chega, já temos pouco tempo para fazer licitações e nem chegamos a gastar e, sendo obrigados a devolver o valor.

    EM TEMPO - Na prática, como essa demora e ausência de recursos impacta, nas atividades do Inpa?

    PF – O maior problema do Inpa é a contratação. Os servidores estão se aposentando, morrendo e o nosso quadro de recursos humanos está diminuindo em quase 40%. Antes tínhamos mil funcionários, agora pouco mais de 500. E, com esta instabilidade em relação a Previdência Social, àqueles com direito à aposentadoria, já saem para conseguir o benefício, deixando a instituição vazia.

    Precisamos de pessoas qualificadas para a realização de nossos projetos, orientações alunos bolsistas e setores administrativos. A situação já é crítica, tanto na parte da pesquisa como na administração. Há cada vez mais gente no INPA, mas são alunos, bolsistas, etc. e não funcionários.

    Philip Martin Fearnside fala sobre os problemas enfrentados pelo Inpa e outros órgãos que necessitam de verba federal para se manter
    Philip Martin Fearnside fala sobre os problemas enfrentados pelo Inpa e outros órgãos que necessitam de verba federal para se manter | Foto: Janailton Falcão

    A perspectiva para o Inpa não é boa, já que há anos não se realiza concursos públicos. Com isso, não estamos conseguindo cobrir algumas áreas, como as de pós-graduação, que recebem a cada ano, 20 alunos, para estudar nos cursos de Ecologia, Ciências de Florestas Tropicais, Clima e Meio Ambiente e nos mestrados de Gestão de Áreas Protegidas, Botânica, Biologia de Água Doce, Agronomia e Genética.

     EM TEMPO - Para onde são direcionadas as novas vagas para institutos de pesquisa?

    PF - Grande parte das novas vagas que têm surgido no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e, nos últimos anos têm sido alocadas à burocracia em Brasília, e todos os institutos federais de pesquisa, inclusive o INPA, estão prestes a desaparecer se não houver uma mudança.

    EM TEMPO - O senhor consegue observar uma mudança viável para o fortalecimento da instituição e pleno desenvolvimento de estudos?

    PF – Estão cortando as bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Caso estas reduções continuem ao longo do tempo, o Inpa vai acabar por conta da falta de recursos humanos. Isso porque, além das reduções dos recursos federais, ainda demoramos a receber valores do governo estadual.

    A perspectiva para o Inpa não é boa, já que há anos não se realiza concursos públicos.
    A perspectiva para o Inpa não é boa, já que há anos não se realiza concursos públicos. | Foto: Arquivo Em Tempo

    Para se ter uma ideia, recebemos nesta semana R$ 350 mil do governo do Estado, referente a um valor do ano de 2016. Mas, embora estejamos em uma situação delicada, já passamos por momentos piores em que a até distribuição de energia na instituição foi suspensa.

    EM TEMPO - Há algum pedido ou movimento do INPA para sensibilizar tanto governo Federal e Estadual a disponibilizarem com mais frequência, mais recursos para a instituição?

    PF – A direção do Inpa tem se manifestado com os ministérios em relação a estes repasses, que já eram pequenos e ficaram ainda menores. Estamos fazendo o que podemos, principalmente, porque as pessoas são motivadas pelo dinheiro e sem o pagamento das bolsas e aquisição de produtos para desenvolvimento de pesquisas.

    Além da falta do dinheiro do Instituto em si, os projetos de pesquisa de fontes como o CNPq e o governo estadual há muito tempo não vêm liberando parcelas já aprovadas, por falta de dinheiro nessas agências de fomento.

    A indicação de bolsistas também e bloqueada, pelos “Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) no CNPq, por exemplo, mesmo tendo saldos substanciais de dinheiro aprovado. Os meus próprios projetos têm sofrido muito com isto.

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