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    Segurança do Governador


    Governador Amazonino tem uma Cicom para chamar de sua

    O governador Amazonino Mendes (PDT) tem à disposição, diretamente, pelo menos 60 policiais trabalhando na Casa Militar para sua segurança

    A Casa Militar é o órgão responsável por garantir a segurança de Amazonino e da família dele durante 24 horas por dia
    A Casa Militar é o órgão responsável por garantir a segurança de Amazonino e da família dele durante 24 horas por dia | Foto: Divulgação

    Manaus - A crise da segurança pública no Amazonas explodiu no primeiro semestre no Amazonas e ligou o sinal de alerta das autoridades, estudiosos e entidades da sociedade civil.Neste período, foram 26,6 mil casos de roubos, furtos, homicídios, latrocínios e agressões físicas, como mostrou o Em Tempo na edição do último dia 28 de julho.

    A estatística, contudo, passa longe do governador Amazonino Mendes (PDT) que tem à disposição, pelo menos 60 policiais trabalhando na Casa Militar, para lhe garantir um ir e vir tranquilo pelo Estado. O número está no portal da Transparência do Governo do Estado. 

    Casa Militar

    Amazonino Mendes tem a disposição dele diretamente, pelo menos 60 policiais trabalhando na Casa Militar para lhe garantir segurança
    Amazonino Mendes tem a disposição dele diretamente, pelo menos 60 policiais trabalhando na Casa Militar para lhe garantir segurança | Foto: Divulgação

    A Casa Militar é o órgão responsável por garantir a segurança de Amazonino e da família dele durante 24 horas por dia, em Manaus e nos deslocamentos para o interior e outros Estados. O governador, portanto, não está sujeito a outra estatística que mostra a escalada da violência, em julho, quando 113 pessoas tiveram mortes violentas na capital amazonense, média superior a três por dia. 

    Comandada por um coronel de carreira, o secretário Miguel Marinho, o órgão reúne em regime estatutário 60 policiais militares de várias patentes. São 11 soldados, nove cabos, 21 sargentos, 11 tenentes ou aspirantes a oficial, um subtenente, dois capitães e quatro majores. 

    Conforme o portal da Transparência do Governo do Estado, em julho a Casa Civil tinha 91 servidores, que receberam salário médios na casa do R$ 6 mil. Além dos 60 militares, a Casa Militar tinha em julho outros 41 servidores, 24 deles são comissionados sem vínculo com a administração pública - não fizeram concurso e são de livre nomeação do governador -. Neste grupo de comissionados chama atenção o fato do Departamento de Segurança Pessoal possuir quatro gerentes, todos com salários de R$ 4.209,79. 

    Comparação

    Para se ter ideia da robustez do efetivo militar que garante a segurança do governador e família, o Comando Militar da Amazônia mantém ao longo da fronteira com cinco países - Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela e Guiana –24 Pelotões Especiais de Fronteiras (PEFs), cada um com uma média de 60 homens, comandados em geral por um tenente.

    Esses militares são responsáveis pela manutenção da soberania nacional, mas também auxiliam no combate aos chamados crimes transnacionais, como o tráfico de drogas e armas e o contrabando. 

    Cicoms

    O número de policiais militares à disposição da segurança do governador também contrasta com os efetivos das Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms), a principal estrutura de policiamento preventivo do Estado.

    Na 22ª Cicom,  localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, que é responsável pelo policiamento de bairros como o “nobre” Adrianopólis, estão lotados 102 homens, sendo 89 diretamente nas operações de segurança. Os demais estão afastados por problemas de saúde ou exercendo funções administrativas. Na 24ª Cicom, que cobre o Centro de Manaus, o efetivo total é de 202 homens. Já na 16ª, com atuação no Aleixo, o efetivo é de 60 homens.  

    O número de policiais nas ruas, contudo, varia e pode ser menor, pois a escala de trabalho da categoria prevê 24 horas de trabalho ininterruptos por 72 horas de folga. Esse regime altera o número da tropa que está efetivamente nas ruas fazendo o policiamento ostensivo.

    ENTREVISTA: Luiz Antônio de Souza

    Sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas 

    1 - O que aconteceu para a violência explodir em Manaus?

    A violência é a expressão máxima da falta de capacidade de resolução de conflito pela mediação. As pessoas não aprenderam a resolver conflitos pela conversa, pelo debate ou mesmo pela busca das ferramentas que a cidadania nos empresta (denúncia pública, denúncias aos organismos de fiscalização e controle, denúncia e busca de reparação judicial e extrajudicial etc). Então, frente a qualquer coisa que nos constrange ou importuna, nos valemos do que nos é mais primitivo, o uso da força física.

    2 – O Governo do Estado perdeu o controle da segurança ou optou pelo “deixa a vida me levar”?

    O Estado perdeu completamente o interesse/disposição em atuar nas contendas, no combate lógico e racional aos fatores que nos trouxeram até aqui. O Estado enquanto representação de elites não está preocupado com a questão por uma razão simples, as elites estão blindadas, ela, se muito, sofre pequenos efeitos colaterais dessa criminalidade exponencial. Moro em um bairro "de elite" que tem taxas de mortalidade violenta suecas e de furtos e roubos baixíssimas. E quando tem algum registro, em horas o aparato policial (ai sim) atua e neutraliza o problema. O argumento de que o Estado "não tem capacidade de resolução de conflitos e crimes", por óbvio é um absurdo. Claro que o Estado possui capacidade, mas não tem interesse.

    3 – As autoridades de segurança apontam o tráfico de drogas como elemento principal para o aumento da violência. Procede?

    Temos por fim a violência decorrente do negócio da droga. As pessoas não se matam por estarem drogadas (na maioria das vezes), mas sim por conta da grana, no negócio entono do mercado das drogas. E aí, mais uma vez o Estado não se interessa em equacionar o problema pois quem morre e mata são frações das classes "de baixo", subalternas, pobres.

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