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    Com a palavra


    'Vamos lutar por pautas que contemplem o Amazonas', diz Marcelo Ramos

    O parlamentar destacou a importância do auxílio emergencial para a população, atendendo medidas que respeitem o teto de gastos

     

    O deputado afirmou que irá ser incisivo na busca de culpados pelo colapso no sistema de saúde do Amazonas
    O deputado afirmou que irá ser incisivo na busca de culpados pelo colapso no sistema de saúde do Amazonas | Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

    Manaus - O atual vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Marcelo Ramos (PL) possui uma notória carreira política, que se iniciou ainda na faculdade, quando ocupou a presidência do grêmio estudantil e, mais tarde, a presidência do Centro Acadêmico do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

    Em 2005, Ramos foi subsecretário Municipal de Esportes de Manaus e, depois, Chefe de Gabinete do Departamento de Relações Internacionais do Ministério do Esporte. Após dois anos, assumiu o mandato de vereador na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Foi presidente do Instituto Municipal de Transportes Urbanos (IMTU). Ao reassumir o cargo de vereador, conseguiu ser reeleito em 2008. Em outubro de 2010, pela primeira vez foi eleito deputado estadual com quase 19 mil votos. Na Assembleia Legislativa, atuou como presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana.

    Em 2014, Marcelo Ramos concorreu pela primeira vez ao Governo do Estado do Amazonas, sendo o terceiro candidato mais votado com 179.758 votos. Em 2016, Marcelo concorreu à Prefeitura de Manaus, ficando em segundo lugar com mais de 457 mil votos. Foi eleito deputado federal pelo Amazonas em 2018, com mais de 106 mil votos.

    Em entrevista ao EM TEMPO, o deputado destacou que seu cargo na Câmara lhe permitirá defender os assuntos de interesse do povo amazonense, como a Zona Franca de Manaus (ZFM), que corre sérios riscos com novas reformas. O parlamentar afirmou ainda que o colapso no sistema de saúde do Amazonas foi causado principalmente por erros administrativos e pelo negacionismo de muitos. Segundo Ramos, é possível encontrar uma solução para o auxílio emergencial, que não ultrapasse o teto de gastos e gere uma despesa além do possível ao País.

     

    O parlamentar afirmou ainda que o colapso no sistema de saúde do Amazonas foi causado principalmente por erros administrativos
    O parlamentar afirmou ainda que o colapso no sistema de saúde do Amazonas foi causado principalmente por erros administrativos | Foto: Divulgação

    EM TEMPO: O senhor conseguiu ser eleito a um cargo de grande importância na Mesa Diretora da Câmara este ano. O que isso representa para o Amazonas?

    Marcelo Ramos: Ter sido eleito ao cargo de vice-presidente da Câmara é uma grande honra para mim, um deputado federal de primeiro mandato, e porque, desde 1982, o Amazonas não ocupa uma vaga na Mesa Diretora da Câmara. Penso que essa eleição é muito significativa para nosso estado do Amazonas, em especial, pelo compromisso que o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL), firmou, presencialmente, no nosso estado. Arthur e eu vamos atuar pela manutenção das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus, e lutar para ter a garantia de recursos, junto ao governo federal, para a recuperação da BR-319. Isso entre outras pautas importantes para o Amazonas e para o Brasil.     

    EM TEMPO: Quais são as prioridades das pautas da Câmara, alinhada com o Senado, neste momento? Quais delas são voltadas ao Amazonas? 

    Marcelo Ramos: Temos em mente que a segunda onda da pandemia é grave e requer ações sociais em defesa daquelas pessoas mais afetadas pela crise. No entanto, o país, do ponto de vista fiscal, também passa por sérios problemas. Por isso, defendemos a importância de buscamos soluções que fiquem dentro do teto de gastos e não passem uma mensagem de irresponsabilidade fiscal aos investidores. Creio que uma das soluções pode ser um auxílio emergencial mais focado nos que mais precisam, ou uma remodelagem do programa Bolsa Família, de modo a incluir aqueles que hoje não dispõe de nenhum apoio social.  

    EM TEMPO: Diversas reformas têm previsão para serem votadas neste ano, entre elas a tributária. Em que fase está a discussão da reforma? A bancada do Amazonas já discute formas de proteger o modelo de desenvolvimento econômico da Zona Franca?

    Marcelo Ramos: Nós na Câmara estabelecemos uma agenda prioritária para o país, que inclui a necessidade de aprovar, urgentemente, o Orçamento de 2021. Após isso, vamos discutir a PEC Emergencial, na sequência, a PEC da Reforma Administrativa, e a PEC da Reforma Tributária, para que o Brasil tenha um ambiente de negócios sadio e possa voltar a crescer após a contenção da crise sanitária, que penaliza a todos e, em especial, ao Amazonas. Entendemos que pelo fato de a Reforma Tributária ainda não estar com uma proposta madura e consensual, uma vez que existem no texto em discussão na Casa muitos conflitos regionais e setoriais, deixaremos esta PEC pro segundo semestre senão corremos risco de a proposta sugar todas as energias a ponto de não conseguirmos aprovar nada neste primeiro semestre. Apesar de o texto prever a necessária simplificação dos tributos, a PEC 45 ignora temas como as profundas desigualdades regionais em nosso país. Sobre a nossa Zona Franca, além do compromisso do presidente da Câmara e da união da bancada em torno do tema, já há consenso que qualquer que seja o texto, o nosso modelo econômico terá suas vantagens comparativas preservadas. A defesa da nossa indústria é a defesa dos empregos e de uma economia pujante, visto que este é o setor com maior massa salarial e grande geração de postos de trabalho.

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    Os problemas em torno da total revitalização da BR-319 são antigos mais não insolúveis. Passam por questões orçamentárias e ambientais, mas não de falta de vontade política "

    Deputado federal Marcelo Ramos, sobre as obras na BR-319

     

    EM TEMPO: Estamos em um período onde o enfrentamento à Covid-19 é uma pauta prioritária. O senhor acredita que seria possível ter evitado a crise de Saúde no Amazonas se ações preventivas tivessem sido tomadas? Há medidas que ainda precisam ser tomadas a nível municipal, estadual e federal?

    Marcelo Ramos: Acho que houve muitos erros administrativos, o negacionismo e, ainda, um vírus que parece aos especialistas que possui uma taxa mais alta de transmissão. No entanto, no momento, prefiro direcionar todas as minhas energias para ajudar na solução dos problemas da saúde em nosso estado. Quando todos os amazonenses estiverem em condições de receber oxigênio e um tratamento digno, serei duro em buscar os culpados. 

    EM TEMPO: Em relação à retomada do auxílio emergencial, com base nos resultados econômicos de 2020 e nas discussões entre os parlamentares, o senhor acredita que será possível uma retomada? Ou, como o senhor já sugeriu, uma reformulação do Bolsa Família? 

    Marcelo Ramos: Como disse anteriormente, o país, logo após aprovar o Orçamento de 2021, até março, deve colocar, imediatamente após, a PEC Emergencial, que traçará políticas sanitárias, sociais e econômicas que incluirão alguma forma de apoio financeiro aos desassistidos por programas sociais ou uma remodelagem do Bolsa Família.   

    EM TEMPO: Qual sua posição em relação às articulações políticas envolvendo o Executivo federal nas eleições do Congresso?

    Marcelo Ramos: Defendo e sempre defenderei a independência e a harmonia entre os Poderes. A vitória massiva do deputado Arthur Lira e do senador Rodrigo Pacheco nas duas Casas Legislativas é uma comprovação e a maior expressão dessa independência. Tanto assim que ambos tiveram muitos votos entre parlamentares de todas as tendências, de direita, centro e até da oposição ao governo.     

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    Além do compromisso do presidente da Câmara e da união da bancada em torno do tema, já há consenso que qualquer que seja o texto, o nosso modelo econômico terá suas vantagens comparativas preservadas "

    Deputado federal Marcelo Ramos, sobre a Zona Franca de Manaus

    EM TEMPO: O que está sendo posto em prática para agilizar a recuperação da estrada BR-319? Ainda há muitos empecilhos para a obra?

    Marcelo Ramos: Os problemas em torno da total revitalização da BR-319 são antigos mais não insolúveis. Passam por questões orçamentárias e ambientais, mas não de falta de vontade política. Temos agora um ministro da Infraestrutura que nós apoiará na criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da BR 319, que lançaremos após o carnaval, e vamos agregar os parlamentares e governadores de toda a Amazônia. A crise da falta de oxigênio no Amazonas expôs ao mundo a urgência em viabilizarmos uma ligação rodoviária do nosso estado com o restante do país. 

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