Fonte: OpenWeather

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    Por que Manaus é tão quente? Você já ouviu falar em 'ilhas de calor'?

     

    Que a capital do Amazonas é uma cidade quente, moradores e visitantes de Manaus já constataram. Nem todos, no entanto, sabem explicar o motivo de tanta "quentura". Moradores mais antigos, afirmam que a temperatura vem aumentando nos últimos anos. Além do fato da cidade estar localizada perto da Linha do Equador, região mais afetada pelos raios do sol, há a proximidade com a densa floresta, que dificulta a circulação dos ventos, porém isso não é tudo.

    A cidade vem sendo afetada nos últimos anos, pelas "Ilhas de Calor", fenômeno já estudado e mapeado por institutos de pesquisa e universidades. A influência da urbanização, com construções de concreto e pouca vegetação, em determinadas áreas, é apontado como principal fator para surgimento dos pontos de calor.

    " Moro no bairro Dom Pedro desde 1978, quando nos mudamos do centro para cá. O bairro era novo, havia algumas área de matas nas proximidades e não era esse calor insuportável. Acho que o bairro cresceu sem arborização e isso torna a sensação térmica muito forte nos dias mais quentes", disse a professora aposentada, Elizabeth Santos.

    Zona Centro-Oeste

    A professora tem razão. Um estudo  divulgado em 2012 pelo Centro de Pesquisa Leônidas e Maria Deane da Fiocruz Amazônia, coordenador pelo pesquisador Sylvain Desmoulière demonstrou que os bairros Chapada, Dom Pedro e Alvorada, na Zona Centro-Oeste da capital, são "ilhas de calor", por terem uma temperatura maior do que as regiões próximas. Nessas áreas, a temperatura chega a ficar até 8 graus acima das demais, segundo o estudo.

    Confira no infográfico o que são e como se formam as ilhas de calor em Manaus:

    Alterações climáticas 

    De acordo com estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a cidade de Manaus, nos últimos anos, apresentou alterações climáticas típicas de grandes cidades. Entre 1961 e 2010, a temperatura média da capital aumentou 0,7% graus Celsius e atingiu 26,5ºC.

    Para os pesquisadores que participaram do levantamento, a elevação se deve principalmente ao crescimento da área urbanizada, embora efeitos globais relacionados à mudanças climáticas não devam ser desprezadas. É preciso levar em consideração o aumento da área urbanizada da cidade. Em 1973, Manaus ocupava 91 quilômetros quadrados de área. De acordo com o IBGE, em 2016, a cidade passou a ocupar 11.401.092 quilômetros quadrados, ou seja, contou com um crescimento espantoso, em 43 anos. Com mais prédios, concreto e asfalto, tomando lugar da vegetação nativa, as "ilhas de calor" apareceram com força na cidade.

    Leia também: Falta de árvores revela a diferença de temperaturas em Manaus, diz pesquisa

    Ausência de vegetação

    A consequência do aumento da área urbanizada e a ausência de vegetação para o surgimento das ilhas de calor são nítidas. "A diferença de temperatura entre as partes mais urbanizadas de Manaus e uma área de floresta como a da Reserva Biológica dos Cueiras, que fica 30 quilômetros de distância da capital é de 3ºC, em cinco dos 12 meses do ano", demonstra a pesquisa do Inpe.

    Capital concentra mais de 2 milhões de habitantes em uma área em constante crescimento urbano -Foto: Embratur

    Picos de calor

    O estudo indica ainda que a atmosfera das áreas urbanas de Manaus se tornou mais seca. Para Regina Alvalá, uma das pesquisadoras que participou do levantamento, atual pesquisadora do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), os dados apontam o efeito das ilhas de calor na cidade de Manaus, havendo dois horários distintos para o pico de calor. " Na maioria das vezes, o primeiro pico ocorre às 8h da manhã e o segundo entre 15 e 17 horas". Os pesquisadores acreditam que esse pico pode estar relacionado ao horário de rush do trânsito manauara.

    Outro estudo coordenados pelos físicos Francis Wagner e Rodrigo Augusto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realizado entre maio de 2010 e abril de 2011, apontou resultados diferentes. O levantamento encontrou o primeiro pico de calor às 7h da manhã e um segundo às 20 horas. A maior diferença encontrada na pesquisa entre a área urbana e área rural foi de 3,5º C. Nesse estudo, as áreas mais quentes da cidade foram mapeadas em áreas mais urbanizadas, enquanto as mais frias, eram justamente onde existia a vegetação mais preservada.

    Vista aérea da cidade de Manaus - Foto: Embratur

    Record de calor em 2015

    A tarde de segunda-feira,  21 de setembro de 2015, foi considerado o dia mais quente em Manaus, em um período de 90 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura naquele dia chegou a 38,9°C na estação oficial da capital do Amazonas, com sensação térmica de mais de 42 graus. Na ocasião, o Inmet explicou que as temperaturas em 2015 estavam sendo influenciadas pelo "El Niño". O fenômeno acontece quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes que o normal. Com isso, os ventos que sopram na altura do Equador diminuem e ficam mais fracos, causando mudanças climáticas. Na região Amazônica, ele dificulta a formação de nuvens, diminuindo as chuvas e aumentando as temperaturas do ar.

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