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    Vendedores


    Luta por sobrevivência: relatos de quem só quer levar o pão para casa

    Em Manaus, falta de emprego formal faz com que jovens busquem alternativas para conseguir o sustento diário

    A escolha dos ônibus, como local principal para o comércio, é estratégico | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - “Vencer na vida é transformar o sofrimento em aprendizado”, afirma o estudante Marcos Eduardo Pessoa,18, que encontrou na venda de trufas uma alternativa para obter recursos para custear os estudos e driblar o desemprego. O estudante afirma que diariamente oferece os produtos dentro dos coletivos da capital e conta sobre o sonho de ingressar em uma Universidade.

    Segundo Marcos, há um mês e meio dedica grande parte do tempo para vender as trufas e afirma que a escolha dos ônibus, como local principal para o comércio, é estratégico. O estudante tem o sonho de concluir o ensino supletivo. “Escolhi os ônibus porque é um dos locais mais movimentados de Manaus. Eu estou trabalhando para concluir meus estudos, conseguir um trabalho melhor e sair dos coletivos. Quem tem o seu trabalho, tem que dar valor”, frisou.

    O estudante também disse que após concluir o ensino médio, pretende cursar psicologia. “A nossa vida é cheia de altos e baixos, temos que batalhar, pois nada cai do céu. Meus pais me apoiam na venda das trufas e disseram para eu continuar e conquistar cada uma das minhas metas”, concluiu Marcos.

    Outro vendedor que também atua dentro dos coletivos, afirmou que há quatro anos realiza o comércio de acessórios dentro dos ônibus da capital. Jorge Nira, 30, frisou que custeia a faculdade de engenharia mecânica por meio das vendas. “Eu dedico a minha vida ao trabalho, ao sustento do meu filho de 5 anos. Quero me tornar um empresário de sucesso”, disse o vendedor.

    Jorge também afirmou que os passageiros reclamam das vendas dentro dos transportes públicos. “Não estamos nos ônibus porque queremos e sim porque precisamos. Eu sei que às vezes nos incomodamos, mas esse é o meio que encontramos para sustentar a nossa família honestamente. Pedimos mais paciência da população”, concluiu o vendedor.

    "Leitura no busão"

    Nilson Júnior, 32, trabalhou anos como recepcionista em grandes hotéis da cidade.  Há cinco anos ficou desempregado e precisou ir em busca de algo melhor para sua família. Ele começou com as vendas de trufas e em julho de 2018 passou a vender poesias.

    Ele faz uma coletânea com textos que acha na internet, às vezes quando acha necessário, acrescenta seu toque pessoal, sempre creditando o autor. Todo mês ele faz uma edição diferente. "Tem meses que coloco poesias cristãs, outros meses coloco de autoestima. Esse mês são umas dicas de vida. Eu estava navegando na Internet, no site 'O pensador' e surgiu a ideia das poesias. O nome que dou ao trabalho é 'Leitura no Busão', explica o ambulante.  O preço do produto quem faz é o cliente, cada um paga o quanto quiser. 

    Por dia, Nilson vende 300 exemplares e costuma lucrar uma média de R$ 90, a outra parte do dinheiro ele utiliza para tirar almoço e passagens de ônibus. Nilson diz que é suficiente para atender as necessidades da família, apesar disso, trocaria a função por um trabalho formal. 

    "Nos embalos da música latina"

    Josué, Luis e José são irmãos que ganham a vida vendendo doces e cantando nos ônibus.
    Josué, Luis e José são irmãos que ganham a vida vendendo doces e cantando nos ônibus. | Foto: Lucas Silva

    Os venezuelanos que vêm a cidade em busca de oportunidade também têm se arriscado nos coletivos. O Portal EM TEMPO falou com três deles, os irmãos Luis, José e Josué Vargas. 

    Luis, 30, é o mais velho e foi o primeiro a vir para Manaus. "Na Venezuela está difícil, com o salário mínimo de um mês de trabalho minha mãe consegue comprar apenas um pacote de arroz", conta.

    No seu país, Luis era técnico hidráulico e proprietário de uma borracharia e com a venda de trufas, mangarataia e pirulitos, ele consegue pagar aluguel, luz e água. Quando seus irmãos chegaram, ele logo comprou uma caixa de isopor e uma caixinha de som para cada um.  Além de vender doces, os irmãos também cantam grandes sucessos do momento em português e espanhol. Toda a família tem envolvimento com a música. "Cheguei com minha esposa e meu filho há um ano e foi muito complicado, foram sete dias viajando de ônibus", compartilha Luis

    Luis pediu abrigo a uma senhora informando que não tinha dinheiro para pagar aluguel. Ela lhe deu um voto de confiança e permitiu que ele ficasse lá até conseguir o valor do aluguel. Embora seja difícil a vida nos coletivos, ele afirma que dá para viver bem. "Isso aqui é o paraíso", diz. 

    Taxa de desemprego cresce no Amazonas

    Taxa de desemprego cresce no Amazonas
    Taxa de desemprego cresce no Amazonas | Foto: Lucas Silva

    O Amazonas está entre os 14 Estados que tiveram crescimento na taxa desemprego no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. O índice saiu de 13,9% no ano passado para 14,9% neste ano. Isso representa um total de 293 mil pessoas desempregadas. A informação consta nos dados da Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios - Contínua (PNAD-C), divulgada pelo Instituo Brasileiro e Estatística (IBGE).

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