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    Malária


    Casos de malária diminuem 25,5% em Manaus, de janeiro a novembro

    Foram notificados 5.857 casos de malária no município de Manaus, representando redução de 25,5% com relação ao mesmo período de 2018

    O vetor de transmissão da malária é a fêmea do mosquito Anopheles. | Foto: Divulgação/ Ministério da Saúde

    Manaus - Apesar de seguir com grande número, o volume de casos de malária mantém a linha de redução em Manaus. De janeiro a novembro de 2019 foram notificados 5.857 casos na capital do Amazonas, que representa uma redução de 25,5% com relação ao mesmo período de 2018, quando foram notificados 7.867 casos da doença. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

    A meta de redução superou as expectativas estabelecidas na Programação Anual de Saúde (PAS) deste ano, que era de redução de 15% em 2019, com relação ao mesmo período de 2018. Mesmo em áreas de maior risco, nas zonas Norte e Leste, o número ainda está dentro do esperado.

    Meta de redução superou as expectativas estabelecidas na Programação Anual de Saúde (PAS).
    Meta de redução superou as expectativas estabelecidas na Programação Anual de Saúde (PAS). | Foto: Divulgação

    Segundo os dados do Sistema de Informação e Vigilância Epidemiológica (SIVEP) sobre a malária, na relação de localidades positivas, foi identificado que a invasão Monte Horebe, localizada próxima a região de floresta na Zona Norte, registrou apenas três casos de malária durante todo o ano de 2019.

    Maiores ocorrências

    Já na Zona Leste, região que historicamente mantém o maior número de casos devido às condições geográficas e sociais, os números caíram mas mantém com maior volume de casos. Em novembro deste ano, o chefe do Núcleo de Controle da Malária na Semsa, João Altecir Nepomuceno da Silva, chegou a alertar que a principal preocupação atualmente é com o registro de casos na Zona Leste.

    Zona Leste concentra 44,4% do total de casos em Manaus.
    Zona Leste concentra 44,4% do total de casos em Manaus. | Foto: LEONARDO MOTA

    A região teve redução de 20% no primeiro semestre, mas registrou um aumento significativo na região da estrada do Brasileirinho, ramal do Ipiranga e as invasões nas áreas dos bairros Santa Inês e Jorge Teixeira. De acordo com dados da Semsa, a Zona Leste mantém este ano a redução de casos, com 3,7% a menos do que no ano passado, passando a concentrar 44,4% do total de casos em Manaus.

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    O aumento de casos na Zona Leste ocorreu por causa de ocupações desordenadas do território, com novas invasões. Essas invasões surgem na periferia da cidade, em áreas de floresta com rico manancial de água limpa, que é o habitat natural do mosquito transmissor da doença "

    João Altecir, chefe do Núcleo de Controle da Malária na Semsa, sobre casos em invasões na Zona Leste

    O chefe do Núcleo explicou que, normalmente, antes das invasões, as áreas apresentam baixa infestação de malária, já que o número de pessoas é pequeno, ou seja, há pouca oferta de sangue. Mas, no momento em que a população entra e desmata, traz a oferta de sangue, a infestação aumenta de forma descontrolada, ocasionando a epidemia.

    “A Semsa tem feito a intervenção nessas áreas da forma mais imediata possível e com isso o controle da doença vem sendo mantido no município, mas o alerta nos serviços de saúde é permanente”, afirmou.

    Saúde Pública

    A malária já foi maior problema de saúde pública do Amazonas. Em 2015, o Estado chegou a registrar 73.744 casos da doença. Crescimento de 9,4% na comparação com o ano anterior, 2014, quando houve 66.788 casos da doença em todo o Estado.

    A gerente de malária da Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD), unidade de referência da rede estadual de saúde, Monica Costa alerta que os principais sintomas da doença são: febre, calafrio e dor de cabeça, podendo ser acompanhado de mal-estar, dor muscular, sudorese, náusea e tontura. 

    Realizado nas unidades de saúde da Semsa, o exame da gota espessa leva em média 45 minutos
    Realizado nas unidades de saúde da Semsa, o exame da gota espessa leva em média 45 minutos | Foto: Thiago Monteiro

    Após o diagnóstico o indivíduo deve seguir as orientações médicas e principalmente realizar o tratamento completo. "A pesquisa de plasmódio é feita na gota espessa através da microscopia. Uma gota de sangue do dedo é retirada e colocada numa lâmina de vidro. Após essa coleta a lâmina com sangue passa pelo processo de secagem e coloração e depois é levada ao microscópio para o diagnóstico", contou. 

    O exame da gota espessa leva em média 45 minutos e pode ser realizado na FMT-HVD e outras unidades de saúde da Semsa e da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). 

    Período de chuvas e áreas de risco

    Nos meses de dezembro a maio, o Amazonas enfrenta o período de fortes chuvas. De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) a associação entre as temperaturas elevadas e as pancadas de chuva comuns do período favorecem o surgimento de criadouros do mosquito Anopheles, transmissor da malária. É o período, também, de maior presença de pessoas em áreas de risco de transmissão, como balneários e zonas rurais.

    O vetor de transmissão da malária é a fêmea do mosquito Anopheles, infectada por protozoários do gênero plasmodium. O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente por meio da picada do mosquito infectado.

    A ocorrência do mosquito nas residências também é possível, quando elas são construídas muito próximas de zonas de mata ou de zonas desmatadas. As invasões na periferia da cidade são as grandes responsáveis pelas ocorrências da doença.

    Outro fator agravante é o clima tropical da região amazônica, que é ideal para a criação e proliferação desses mosquitos. A diferença para a Zika, Chikungunya e dengue, é que para a malária, há medicamentos e um sistema organizado de saúde para dar o diagnóstico. 

    O mosquito transmissor da doença tem o que os pesquisadores chamam de “hábitos crepusculares”: passam o dia escondidos e seu período de maior atividade se registra ao entardecer e nas primeiras horas da manhã.

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