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    Pandemia


    Estudo aponta AM como epicentro da Covid-19 no Brasil

    Segundo a PUC do Paraná, a quantidade de infectados no Amazonas o coloca em uma condição pior que a Itália, que já foi epicentro global da pandemia.

    Manaus - Os casos de Covid-19 estão crescendo de forma desproporcional entre os Estados brasileiros. Apesar do Amazonas permanecer com o maior número de casos e óbitos por 100.000 habitantes, a taxa de crescimento no número de novos casos chegou a 100% no Tocantins entre os dias 11 e 18 de maio. 

    As informações são parte de um estudo coordenado pelo professor da Escola de Medicina e do Epicenter, Centro de Epidemiologia e Pesquisa Clínica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), José Rocha Faria, com dados fornecidos pelo Ministério da Saúde.

    Até o momento, os Estados com maior número de óbitos proporcionalmente à sua população são Amazonas (34,6 casos/ 100.000 hab.), Ceará (19,1 casos/ 100.000 hab.) e Pernambuco (17,2 casos/ 100.000 hab.). O número de infectados no Amazonas coloca o estado em uma condição pior que a Itália, epicentro global da pandemia até há poucas semanas, segundo Faria.

    A média nacional no período foi de 51,2%. A Covid-19 possivelmente já é a enfermidade que mais mata diariamente no país. Segundo os últimos dados disponíveis no Datasus, as doenças cardiovasculares, que agrupam mortes por infarto e derrame, entre outras, causam uma média de 1000 mortes por dia.

    Outros Estados com os maiores índices foram Sergipe (98,1%), Pará (94,8%) e Paraíba (89,5%). O Estado do Tocantins também teve o maior aumento em óbitos por Covid-19 no período (166,7%), seguido de Roraima (150%), Pará (87,7%) e Piauí (77,8%).

    Índices

    As diferenças entre os índices de contaminação nos estados brasileiros podem ser causadas por diversos fatores. 

    Os pesquisadores estão analisando os números de infecção e mortes para tentar identificar os fatores que levam ao aumento dos casos.

    “Estamos olhando variáveis socioeconômicas, desenvolvimento, obediência às medidas de distanciamento social”, diz Faria.

    Análise

    Um cenário a ser analisado é o de São Paulo: na semana de 11 a 18 deste mês, o Estado teve aumento de 36,7% no número de casos e 28,9% de aumento dos óbitos, ficando entre os três menores crescimentos do país.

    “São Paulo conseguiu controlar um pouco o crescimento de casos e óbitos na última semana. Por outro lado, no Amazonas tanto o número de óbitos quanto de casos está crescendo acima da média nacional. É um cenário que está ruim e tende a piorar”, destaca Faria.

    A discriminação das taxas por estados brasileiros ajuda a entender a pandemia: a análise de números absolutos leva a grandes distorções, segundo Faria. “Cada região, Estado, tem condições bem distintas. É preciso fazer análises distintas”, ressalta.

    “Em um país tão grande como o Brasil, é essencial fazer a conversão do número de casos proporcionalmente à população e isso deve ser feito no menor território possível para dar um retrato mais fiel da situação”, explica.

    Mortes oficiais no Amazonas

    Na edição de ontem (21) do boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), foram confirmados por exame laboratorial 59 óbitos pela doença, sendo 39 ocorridos nas últimas 24 horas, elevando para 1.620 o total de mortes no Estado, sendo 1.094 em Manaus e 526 em 47 municípios do interior.

    As cidades amazonenses com mais de 10 casos fatais são Manacapuru (76), Tabatinga (47), Tefé (45), Parintins (45), Itacoatiara (38), Coari (37), Iranduba (23), Maués (23), Autazes (22), São Gabriel da Cachoeira (15), Benjamin Constant (15), Presidente Figueiredo (11) Santo Antônio do Içá (9), Borba (9) e Tonantins (9).

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