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    Cheia 2018


    Defesa Civil do Amazonas destaca possibilidade de grande cheia para 2018

    Calhas dos rios do Amazonas são monitoradas com ajuda dos municípios

    A Defesa Civil do Amazonas tem feito o monitoramento de todas as calhas do Amazonas | Foto: divulgação


    Muitos estranharam as fortes chuvas recorrentes que atingiram o Amazonas nas últimas semanas. Tradicionalmente, setembro e outubro sempre foram considerados os meses mais quentes do ano na Região Amazônica. Com as chuvas chegando mais cedo este ano, a Defesa Civil do Amazonas não descarta a possibilidade de uma grande cheia em 2018.

    Segundo o Coronel Fernando Pires Júnior, Secretário da Defesa Civil do Amazonas, este pode ser um cenário possível. “Estamos no período conhecido como ‘Verão Amazônico’, no entanto já nos preparamos para o inverno, mesmo que, por enquanto, não tenhamos nenhum fenômeno climatológico previsto. Já temos um levantamento sendo feito de quantas famílias poderão ser afetadas em 2018 pelas cheias. Esse estudo deverá ser uma boa ferramenta para que os efeitos da cheia sejam minimizados”, destacou.

    Defesa Civil faz o monitoramento das calhas do Amazonas
    Defesa Civil faz o monitoramento das calhas do Amazonas | Foto: divulgação



    A Defesa Civil do Amazonas tem feito o monitoramento de todas as calhas do Amazonas com a ajuda das Defesas Civis dos municípios.

    O agricultor Raimundo Pereira Tavares (77) é dono de uma fazenda em uma área de várzea, na zona rural de Parintins (distante 534km de Manaus). Ele é mais um dos afetados sempre que uma grande cheia atinge o município. Para o agricultor, a possibilidade de uma grande cheia em 2018, destacada pela Defesa Civil, se confirma. “Estamos passando por um período de grande estiagem. Depois de uma grande estiagem, vem sempre uma grande cheia”, ressaltou. 

    Segundo Nara Núbia Tavares (46), filha do agricultor, o período de cheia só traz prejuízos para a família, principalmente no período da noite quando embarcações passam próximo à margem do rio, em alta velocidade.

    “Essas atitudes inconsequentes trazem grandes prejuízos, tanto as embarcações que ficam atracadas na beira, quanto a estrutura da casa. Já fizemos a denúncia várias vezes, mas nada é feito e, no ano seguinte, tudo se repete”.

    De acordo com a professora universitária Layla Castro (29), moradora do bairro Jauary, um dos mais afetados no período da cheia no município de Itacoatiara (distante 266km de Manaus), as ações desenvolvidas pela administração pública do município são precárias. “Sempre que há uma cheia mais severa, esta área da cidade fica embaixo d’água. Nos últimos anos essa situação tem sido recorrente. A única medida que vemos são as construções de pontes de madeira para o transito de pedestres. No entanto, há muitas outras demandas que não são supridas, principalmente depois que a água começa a descer, como os prejuízos nas estruturas das casas e a pavimentação das ruas do bairro”, afirmou.

    Para Layla, fica ainda o prejuízo financeiro, considerando que a área afetada é inteiramente comercial. “No período de cheia todos os comerciantes ficam prejudicados, pois as vendas caem consideravelmente. Há ainda um outro fator que é a falta de segurança. Como o fluxo de pessoas reduz nas ruas, muitos acabam sendo vítimas de bandidos que ficam escondidos entre as pontes. E por fim, é possível destacar também a falta de saneamento básico e de higiene, já que ficamos expostos à água, muitas vezes poluída, com lixo e dejetos. Esperamos que, caso essa enchente em 2018 se confirme, ações mais efetivas sejam desenvolvidas no município”, concluiu.

    Capacitação

    Visando otimizar ações preventivas e diminuir os impactos em relação a subida do nível das águas dos rios em Manaus, e em todos os municípios do interior do Estado em 2018, a Defesa Civil do Amazonas realizou na última semana a Oficina de Capacitação em Proteção e Defesa Civil, direcionada aos gestores dos municípios, com orientações de como devem proceder em cada caso, como o reconhecimento de uma Situação de Emergência ou um Estado de Calamidade Pública.

    A atividade foi realizada no Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM), no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste. A ação contou com a presença de coordenadores da Defesa Civil de municípios banhados pelas calhas do Baixo e Médio Amazonas, Médio e Alto Solimões, Rio Negro, Purus e Madeira. A capacitação fez parte da Semana Nacional de Redução aos Desastres Naturais e do Programa de Capacitação 2017/2018, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional.

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