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    Transporte Aquático


    Projeto hidroviário deve mudar a vida de navegadores na capital

    Novo corredor logístico pode colaborar com o avanço da economia regional e de outros Estados, além de beneficiar portos e terminais hidroviários da cidade

    Os resultados do Estudo de Levantamento Técnico, Econômico e Ambiental (EVTEA) foram apresentados no começo deste mês na capital amazonense pode mudar a vida de navegadores da capital. | Foto: Janailton Falcão

    Um novo projeto nacional pretende beneficiar portos e terminais hidroviários de Manaus nos próximos anos. A proposta é encabeçada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em suas unidades regionais nas cidades de Belém e Santarém (PA), Macapá (AP), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Manaus (AM) e o Distrito Federal, em Brasília.

    Os resultados do Estudo de Levantamento Técnico, Econômico e Ambiental (EVTEA) foram apresentados no começo deste mês na capital amazonense pode mudar a vida de navegadores da capital.

    Segundo informações do Dnit, o rio Amazonas é um dos mais importantes caminhos econômicos para a região, chegando a 65% do total transportado de cargas.

    Recentemente, tem sido prejudicado devido a falta de demarcação e infraestrutura adequada como a sinalização e a precariedade da qualidade das cargas náuticas. O problema gera escassez econômica em alguns períodos do ano devido às decorrentes vazantes e cheias, próprias da região, impedindo a navegação de barcos recreios e balsas.

    Um dos objetivos da hidrovia é criar uma alternativa de escoamento para o transporte de cargas
    Um dos objetivos da hidrovia é criar uma alternativa de escoamento para o transporte de cargas | Foto: Janailton Falcão

    Realidade e expectativas

    Antônio Sintra é barqueiro e, para ele, a vida nas águas é totalmente diferente da planejada pelo governo. Ele diz que é cargueiro de pessoas e mercadorias em barco recreio há 38 anos.

    “Nós levamos a vida como podemos. Faço duas viagens por mês e todo ano tenho que aprender novos caminhos porque os percursos antigos ficam cheios de mato”, conta.

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    Sintra revela que na comunidade de barqueiros a única lei de navegação é aquela que eles mesmos constroem entre si.

    “Não há fiscalização nos rios e muito menos segurança. Eu, graças a Deus, nunca fui assaltado, mas quando as lanchas chegam para atacar no meio do rio não podemos fazer nada”, revelou.

    O barqueiro Antônio Sintra disse que não sabia do novo projeto do governo e que a vida nos rios é diferente do que eles dizem
    O barqueiro Antônio Sintra disse que não sabia do novo projeto do governo e que a vida nos rios é diferente do que eles dizem | Foto: Janailton Falcão

    Para ele, o novo projeto não causa muita diferença na vida de quem navega. “A gente fica desacreditado, né? É difícil esperar algo novo. Só sinto falta das demarcações nos trajetos porque isso importa muito na hora de viajar”, finaliza.

    O Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma) informa que está otimista com o novo corredor logístico e que espera colaborar para o avanço da economia regional e de outros Estados.

    Impacto ambiental

    O estudo técnico para a implantação da hidrovia foi comandado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos rios da bacia amazônica em torno de cinco Estados da região Norte. Ele foi iniciado em 2013 pelas privadas Laghi e Petcon.

    O objetivo do EVTEA é conhecer a região e o seu potencial natural, visitando comunidades ribeirinhas e analisando os afluentes do rio Amazonas.

    Ao todo, foram vistos em torno de 15.000 quilômetros de leito para o estudo dos impactos gerados pelas intervenções da obra que vai durar os próximos 25 anos nos rios Purus, Branco, Negro, Solimões, Juruá e Paraná do Ramos.

    O superintendente regional do Dnit, José Fábio Galvão, disse que o estudo foi importante para entender e melhorar a navegabilidade da bacia hidrográfica amazônica e incrementar a economia.

    “Recebemos uma troca de experiências bastante produtiva, onde recebemos sugestões e cronogramas de solução para as necessidades da região”, relatou.

    Crescimento econômico

    Para o economista Jefferson Praia, o projeto vai acarretar a ampliação das atividades locais em cenário internacional, devido ao rio Amazonas desaguar no oceano Atlântico.

    “Os rios são as nossas estradas. Com o advento de uma hidrovia, o desenvolvimento vai ser dinamizado e facilitar a entrada e saída de matérias-primas da região. As coisas tendem a ficar mais baratas e a economia valorizada”, disse Jefferson Praia.

    Um dos objetivos da hidrovia é criar uma alternativa de escoamento para grãos e minérios locais, devido a grande capacidade de carga e o baixo custo de transporte, como borracha, castanha do Pará, celulose, madeira de lei e peles silvestres.

    O projeto deve equilibrar os modais de transporte comerciais e interiorizar o país.

    A hidrovia deve percorrer vários quilômetros de extensão, com o orçamento de bilhões de reais investidos pelos Ministério dos Transportes.

    De acordo com o Dnit, todos os resultados serão apresentados até dia 22 deste mês, nas cidades de Boa Vista, (RR) e Brasília.

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