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    Reportagem com responsabilidade


    Dia do Jornalista: a rotina de quem luta pela veracidade da notícia

    Conversamos com alguns profissionais da equipe do Em Tempo sobre a importância da profissão

    No dia do jornalista, conheça um pouco da equipe do EmTempo que leva conteúdo e informação diariamente para você. | Foto: Divulgação

    Manaus - Em 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdicava do trono após sofrer intensas pressões da oposição, ser abandonado pelo Exército e hostilizado pela opinião pública. O estopim para sua saída foi a especulação sobre a participação do imperador no assassinato do médico e jornalista Libero Badaró, em 20 de novembro do ano anterior. O motivo, seria a luta de Badaró pela divulgação de notícias que desagradavam o governante.

    Um século depois, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) recomendou que a data fosse utilizada para comemorar o Dia do Jornalista. Badaró pode não ter sido o primeiro jornalista morto devido às notícias que divulgou, mas, sem dúvida, sua morte foi uma das mais importantes para estimular a liberdade de imprensa. 

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    A luta de Badaró para fortalecer o povo, por meio da informação, representa o ideal jornalístico presente até hoje em cada um dos profissionais da área. O compromisso com a verdade, a liberdade de imprensa e a esperança em fazer a diferença são sentimentos que permeiam o fazer jornalístico. 

    Para a editora Bruna Souza, as mudanças da era digital fizeram com que muitos dos antigos ideias fossem perdidos. Há um comodismo maior em parte dos repórteres, o que abalou a credibilidade do jornalista. "Vejo que muitos jornalistas não tem mais a preocupação com a apuração dos fatos, isso é trágico e afeta a credibilidade de todos. Porém, o profissional diferenciado é reconhecido e sobrevive", comenta.

    Mudar a história, afirma Bruna, só é possível para aquele jornalista curioso, que não se conforma com apenas um viés da notícia. "O papel do jornalista é seguir caminhos diferentes na hora de investigar o fato, mesmo que eles levem às mesmas respostas", diz. "Temos um papel essencial na história porque o jornalista é o responsável por transmitir à população tudo o que acontece. Mesmo com a pluralização das ideias com o advento da internet, o jornalismo é reconhecido como fonte oficial. Portanto, é obrigação do profissional ir além das entrelinhas", diz. 

    Gosto e interesse pela comunicação

    A vocação para o jornalismo envolve um senso de curiosidade, um amor pela comunicação, como aconteceu com o repórter Joandres Xavier, de 23 anos. “Eu sempre soube que havia algo diferente dentro de mim, pois sempre fui muito curioso”, aponta. 

    Na profissão, o jovem criado em Jutaí, município no interior do Amazonas, encontrou uma forma de chegar mais longe do que a realidade do município oferecia. “Eu queria fazer algo diferente e senti que com o jornalismo eu poderia fazer muito mais do que me era ofertado no lugar em que eu morava”, conta. 

    Fazer a diferença também é o sentimento que move o editor jornalístico Isac Sharlon, que em três anos de formação profissão, atualmente trabalha com notícias factuais. Ele conta que o compromisso com a informação correta, precisa e em tempo real são os princípios nos quais se baseia. “É gratificante saber que meu trabalho é acompanhado por milhares de pessoas e que aquele conteúdo tem um retorno positivo”, afirma. 

    Informação correta, precisa e na hora em que acontece o fato são os ideais que guiam o editor Isac Sharlon | Autor: Carlos Oliveira

    No exercício da profissão ele passou por diversas situações difíceis e perigosas. “Uma vez, enquanto me preparava para entrar ao vivo, presenciei um tiroteio na Zona Sul de Manaus”, relembra falando que após o fim da troca de tiros, reuniu coragem para realizar a transmissão, mesmo nervoso. “Eu me tremia da cabeça aos pés, mas eu precisava levar informação para o público”. 

    Um sonho de criança que se tornou realidade 

    Para alguns, ser jornalista é um sonho de infância. Esse é o caso da jornalista especialista em mídias digitais do Em Tempo, Ayane Souza, de 30 anos. “Meu pai me colocava para assistir vários jornais com ele e isso me tornou apaixonada cada vez mais pela profissão”, conta ela, que apesar de ter iniciado a carreira profissional em outra área, encontrou-se no jornalismo. Ayane faz parte de uma nova geração de jornalistas, que já vêm inseridos no mundo digital. “Rede social não é brincadeira. Temos que pensar sempre no compromisso com o nosso leitor”, afirma. 

    Para Ayane Souza, rede social não é brincadeira! O compromisso com o jornalismo existe também no mundo digital | Autor: Carlos Oliveira

    Assim como a especialista em mídias digitais, a produtora e repórter Tainá Benevides, de 29 anos, também sonhava em ser jornalista desde criança. “Com oito anos lembro que assista reportagens na TV e achava aquilo tão legal, aquele contato com diferentes histórias e pessoas”, relembra, falando que entrar na profissão “foi uma realização não só profissional, como também a de um sonho”, diz. 

    Tainá sempre teve o sonho de ser repórter, desde pequena não se vê em outra profissão | Autor: Carlos Oliveira

    Como produtora, Tainá participa do processo de criação da notícia. “Trabalhar com produção é fazer a coisa acontecer, é ser a pessoa que dá forma a notícia”, afirma. Para ela, muito mais do que levar informação, o jornalismo promove educação. “A partir do momento que o jornalista informa alguém, essa pessoa ganha conhecimento, então, de certa forma, o jornalismo também educa”, pontua.

    Em meio a um cenário político fragilizado vivido atualmente, a repórter Ana Luíza ressalta a oportunidade de fazer a diferença com a ajuda do jornalismo. “O jornalismo é uma ferramenta de mudança para o mundo e possibilidade de conhecer ídolos é uma das maiores gratificações da minha profissão. Nunca pensei que fosse entrevistar a Maria da Penha, mas isso aconteceu”, lembrou.

    Na divulgação da Arte e Cultura 

    O mundo das artes sempre encantou o editor de texto Wallace Abreu, mas o amor pelo jornalismo sempre falou mais forte. “Apesar de ter iniciado minha carreira nas artes cênicas, ao começar a faculdade de jornalismo me identifiquei cada vez mais com a área”, conta. Unindo as duas paixões, o jornalista atualmente pode fazer jornalismo sem deixar de lado seus gostos.

    Contar histórias e unir jornalismo com arte são os guias que movem Wallace | Autor: Carlos Oliveira

    Para Wallace, ser jornalista é poder contar histórias reais. “Toda semana me deparo com algo e fico pensando 'isso é muito legal e eu quero contar essa história’, pois esse é o dever do jornalista”, revela. Ele reforça que a preocupação com o leitor não desaparece em nenhum momento. “Vou escrevendo o texto e pensando na forma como meu público vai ler aquilo”, afirma. 

    Você não é o 'dono' do universo 

    Com mais de uma década de experiência na profissão, a editora Lívia Nadjanara revela que é difícil escolher apenas um segmento jornalístico. “Talvez a parte mais gostosa seja fazer a reportagem, porque nos sentimos mais perto da notícia”, comenta.

    Para ela, o jornalista é a principal ferramenta de mudança da sociedade. “A nossa função é mostrar para o nosso leitor que o mundo não é só da forma como ele pensa, mostrar que além do 'quadrado' existe também o ‘redondo’, e falar sobre isso”, diz. 

    A notícia 24 horas 

    O jornalismo nunca para, a notícia acontece 24 horas por dia, e começar o trabalho bem cedo é a função do repórter Daniel Landazuri. “Começo meu dia ainda de madrugada, vou até o Instituto Médico Legal (IML), procuro casos policiais, homicídios, tudo relacionado à polícia”, conta. Apesar de ser focado apenas na área policial, Landazuri já trabalhou em diversas outras editorias. “Fiz matéria de economia, cultura, cidades, afinal nós (jornalistas) temos que fazer de tudo”, brinca. 

    Apesar de ter trabalhado com outros assuntos, a história profissional de Landa, como é carinhosamente chamado pelos colegas de trabalho, é marcada pelos fatos policiais da cidade. “Logo no meu primeiro dia de trabalho no Em Tempo eu tive que ir cobrir um dos maiores massacres penitenciários do Brasil, o que ocorreu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no dia 1º de janeiro de 2017. Em seguida, no meu primeiro plantão, houve mais mortes na antiga cadeia Raimundo Vidal Pessoa”, lembra. Para ele, a diversidade da rotina faz com que o trabalho seja bem mais leve. “A gente nem vê a hora passar”. 

    Especiais demandam pesquisas 

    Escrever sobre assuntos especiais com um texto rebuscados e matérias bem produzidas é a especialidade da editora Mara Magalhães, de 24 anos. “Uma matéria especial demanda pesquisa, um conteúdo elaborado com um contexto detalhado”, afirma. Para Mara, é nesse tipo de produção, por ser mais trabalhada, testa o repórter. 

    Ela analisa que a melhor parte do jornalismo é contar histórias, falar sobre a vida de pessoas que são anônimas para grande parte da sociedade. “Falar sobre essas pessoas, que são de certa forma esquecidas e deixadas de lado, é a parte mais gratificante da profissão”, fala. 

    Durante a profissão, a jornalista narra alguns dos fatos que mais marcaram sua carreira. “Durante a rebelião no Compaj eu fui mandada ao IML, onde todos os familiares estavam, e foi um momento angustiante, porque a cada lista de nomes divulgados, alguns familiares comemoravam os filhos vivos e outros choravam pela morte”, comentou.

    Apesar do orgulho da profissão, Mara identifica que o fazer jornalístico foi modificado ao longo do tempo e, em determinados momentos, se afasta um pouco da sua essência. “Queria que o jornalismo tivesse mais liberdade para fazer jornalismo de verdade”, afirma. Os problemas não diminuem o amor de Mara pela profissão. “Eu amo o que eu faço, apesar dos problemas e desafios que enfrentamos na profissão”, afirma.

    Edição: Isac Sharlon

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