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    Imigrantes


    Viaduto de Flores volta a ser abrigo para venezuelanos em Manaus

    A Prefeitura de Manaus aguarda o fim das adequações, que estão sendo promovidas pela ACNUR, no abrigo do Coroado para que o município esteja em condições de receber os novos imigrantes

    Abrigados sob o viaduto de Flores, próximo da Rodoviária, os venezuelanos enfrentam sol, o frio e passam necessidades | Foto: MMelo

    Manaus - Quase um ano após os primeiros venezuelanos serem retirados da região onde fica a Rodoviária de Manaus, o cenário se repete. Nos arredores do viaduto de Flores, na Zona Centro-Sul de Manaus, é possível encontrar vários imigrantes do país vizinho, que buscam abrigo e guardam no peito a esperança de uma vida melhor fora do país de origem.

    A área voltou a ser ocupada por dezenas de venezuelanos e até brasileiros que foram vítimas da violência e insegurança na capital amazonense. Sobre o gramado e sem nenhuma estrutura, homens, mulheres e crianças estrangeiras vivem há mais de 20 dias. Eles utilizam as lajes do viaduto como cobertura, para fugir do sol e da chuva.

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    Sem abrigo, os imigrantes costumam dormir no gramado sob a sombra de árvores
    Sem abrigo, os imigrantes costumam dormir no gramado sob a sombra de árvores | Foto: MMelo


    Nesta segunda-feira (2), por volta das 15h, enquanto esquentava água, em um latão de tinta, para cozinhar o almoço do dia em um fogão improvisado com grades, pedras e resto de madeiras, o borracheiro Eduardo Aguna relatou que percorreu oito dias de viagem, de Boa Vista até Manaus, em busca de refúgio.

    “A maioria da viagem eu fiz a pé e depois tive sorte de conseguir carona. Quando cheguei em Manaus, fui em busca de emprego, mas até agora não tem nada certo. Vendo água nos semáforos, mas a renda é pouca e não dá para me manter aqui na cidade. Também não tenho como ajudar a minha esposa e meus dois filhos, que ficaram na Venezuela”, explicou.

    Enfrentando dificuldades para emitir os documentos necessários para se regularizar no país e conseguir um emprego formal, os imigrantes buscam estratégias para conseguir dinheiro e se manterem na capital.

    Mãe e filha pedem ajuda nas proximidades da rodoviária
    Mãe e filha pedem ajuda nas proximidades da rodoviária | Foto: MMelo

    É o caso de Maria José, de 33 anos, mãe de dois adolescentes, um de 14 e outro de 15 anos, e uma menina de três anos. A família, com apoio de outros conterrâneos, usam uma placa improvisada com um pedido de ajuda.

    “É mais honesto pedir do que fazer algo errado. Não quero ensinar isso aos meus filhos”, declarou a venezuelana Maria José, preocupada com o futuro da prole.

    Prefeitura

    Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) informou que, na semana passada, a equipe de abordagem do órgão esteve no local, mas nenhum imigrante foi encontrado em situação de rua.

    Funcionários da Rodoviária, por outro lado, informaram que os imigrantes não permanecem no local durante todo o dia. Eles costumam se ausentar para pedir dinheiro ou vender artesanatos, além de realizar serviços em outras partes da cidade, durante o horário comercial. As famílias venezuelanas costumam voltar no fim da tarde, horário em que a secretaria não costuma ir ao local.

    Eles costumam passar o dia trabalhando e voltam para o local no fim do dia
    Eles costumam passar o dia trabalhando e voltam para o local no fim do dia | Foto: MMelo


    A Semmasdh teve o plano de trabalho aprovado pelo conselho municipal da assistência social e aguarda o fim das adequações, que estão sendo promovidas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no abrigo do Coroado, para que o município esteja em condições de receber os venezuelanos.

    "A secretaria está em constante diálogo com o Ministério Público Federal acerca da chegada de mais estrangeiros, de forma a encontrar uma solução para essa nova leva de imigrantes", diz nota.

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