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    Insegurança


    Motoristas de aplicativos pedem ações contra insegurança em Manaus

    O EM TEMPO ouviu relatos de motoristas que dependem da atividade com aplicativos nas ruas da capital

    Os motoristas fizeram um grande círculo bloqueando a Djalma Batista
    Os motoristas fizeram um grande círculo bloqueando a Djalma Batista | Foto: Joandres Xavier

    Manaus - Mais um assassinato de motorista de aplicativo ocorrido nesta sexta-feira (28) aumentou a sensação de insegurança dos profissionais desta categoria que estão amedrontados com a criminalidade na cidade de Manaus. Durante o protesto, realizado na avenida Djalma Batista, os profissionais pediam uma resposta enérgica das autoridades diante da criminalidade na capital.

    Protesto

    O protesto, que reuniu dezenas de motoristas das mais diversas plataformas que operam em Manaus, ocorreu durante toda a tarde desta sexta, tendo início na Colina do Aleixo, bairro São José - onde o corpo de Sidney Barbosa de Araújo, 41, foi encontrado pela própria esposa - e seguiu até o Hotel Quality na avenida Mário Ypiranga, onde fica localizada a sede da empresa '99', em Manaus.

    No local, os motoristas de aplicativos informaram que não foram atendidos. A carreata seguiu para o Posto 700, na avenida Djalma Batista, onde a categoria bloqueou o cruzamento da via com a rua Pará, por alguns minutos, interrompendo o fluxo de carros, com o intuito de chamar a atenção das autoridades. 

    Leia também: Protesto de motoristas da Uber e da 99 Pop bloqueia trânsito na Djalma

    Associação

    Com a sensação de insegurança, de sair para trabalhar e não voltar mais para casa, o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Amazonas (Amplic), Ivan Duarte, cobrou que uma providência seja tomada, tanto pelas autoridades, quanto pela 99. “Hoje 80% dos crimes contra motoristas de aplicativo acontecem na 99. A empresa não tem critério nenhum para fazer cadastro, qualquer vagabundo faz. A gente sai de casa e não sabe se volta, orando e pedindo a Deus proteção”, disse Duarte.

    Ivan detalhou ainda que pela insegurança, motoristas de aplicativos acabam se ajudando com monitoramento. “Aquele que não está trabalhando, monitora aquele que está dirigindo. A gente tem que se ajudar, porque do poder público nós não temos ajuda nenhuma”, completou.

    O luto pela morte do colega e o medo da criminalidade motivou protesto da categoria
    O luto pela morte do colega e o medo da criminalidade motivou protesto da categoria | Foto: Joandres Xavier

    Motoristas

    A motorista de aplicativo Jessica Ximenes, de 27 anos, pediu que as plataformas Uber e 99 deêm mais segurança para os motoristas. Segundo ela, as empresas cobram um perfeito desempenho dos trabalhadores, mas não dão suporte no desenvolvimento do trabalho.  

    “Eu já fui assaltado dirigindo pela 99 e não tem identificação de foto do cliente. Qualquer pessoa pode fazer uma conta até com nome falso", destaca. 

    Os motoristas informaram ainda que a família do motorista Sidney não tinha dinheiro para realizar o enterro. Em busca de uma solução, a própria categoria se reuniu para fazer uma arrecadação financeira para ajudar a custear o serviço.  

    Silvio Maia, presidente da Cooperativa de Motoristas Ecodrivers, disse que as autoridades abandonaram os motoristas de aplicativos. “Tratam a classe como se não estivesse regulamentada. Isso basta, precisa que regulamentem as leis e coloque as normas das empresas de aplicativo dentro do nosso município. Os impostos estão indo para São Paulo e outros países e não ficando aqui no município”, disse.  

    Nota oficial da 99

    A 99 informa que está investigando o ocorrido. A empresa se solidariza com a família da vítima e lamenta profundamente esse e qualquer caso de violência. O perfil que realizou a última corrida foi preventivamente bloqueado do sistema. O aplicativo se encontra aberto a colaborar com as autoridades, caso necessário.

    Sobre a manifestação, a 99 tem como política estar sempre aberta ao diálogo com os usuários, motoristas e passageiros. Respeitamos o direito à liberdade de expressão e manifestação dentro dos limites legais e da ordem pública.

    Em relação às reivindicações, a 99 informa que está em contato com os condutores. A empresa é genuinamente preocupada com a segurança de seus passageiros e motoristas. O assunto é prioridade máxima do aplicativo, e um de seus três pilares fundamentais (promover transporte rápido, econômico e seguro).

    Para garantir que o serviço seja seguro, a 99 montou uma equipe especialmente dedicada a isso, composta por mais de 50 pessoas incluindo ex-militares, engenheiros de dados e psicólogos. O time trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, cuidando exclusivamente da proteção dos usuários.

    Entre as funcionalidades desenvolvidas estão: Todos os passageiros devem colocar CPF ou cartão de crédito antes da primeira corrida; Mapeamento de áreas de risco que envia aos motoristas notificações sobre essas zonas. Canal de atendimento exclusivo para incidentes de segurança no 0800-888-8999; Os motoristas podem optar por não receber pagamento em dinheiro.

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