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    Denúncia


    Prefeitura de Fonte boa é alvo de denúncia de vereador e funcionário

    Segundo denúncia de um vereador e funcionário público, saúde, educação e infraestrutura no município de Fonte Boa, estariam abandonados pela atual administração. Prefeitura nega e rebate as acusações.

    Rua tomada por buraco e lama na cidade de Fonte Boa, no interior do Amazonas
    Rua tomada por buraco e lama na cidade de Fonte Boa, no interior do Amazonas | Foto: Divulgação

    Manaus - Salários atrasados nos setores da saúde e educação, ambulâncias e ônibus escolares sem funcionar e até médicos atuando sem CRM. As denúncias, contra a atual administração do município de Fonte Boa,  a 677 quilômetros de Manaus, partiram de um vereador e de um funcionário público da cidade, que procuraram à reportagem do EM TEMPO na última quarta-feira ( 21), alegando que a cidade estaria prejudicada em todos os setores. 

    O alvo das denúncias é a administração do atual prefeito Gilberto Ferreira Lisboa. O vereador Kelison dos Santos Coelho, entre outras denúncias, alegou que a cidade está sem iluminação pública adequada e as ambulâncias sem funcionar há dois anos, por falta de combustível. Segundo ele, o Hospital Regional de Fonte Boa não tem medicamentos básicos como dipirona, e muitos funcionários da saúde estão sem receber salários, há quase três meses. 

    “Na questão da educação, professores e auxiliares de serviços gerais estão de dois a três meses de salários atrasados. Os ônibus estão parados por falta de manutenção. Na Zona rural, a situação se agrava. Há localidades que não contam com dez dias de aula. Na sede do município, há ruas sem iluminação pública e tomadas por lixo e mato. A situação chegou à calamidade”, revelou. 

    Falta de recolhimento de lixo na cidade de Fonte Boa, conforme denúncias
    Falta de recolhimento de lixo na cidade de Fonte Boa, conforme denúncias | Foto: Divulgação

    Ainda segundo Kelison, mesmo após denúncias feitas na Câmara Municipal de Fonte Boa, sobre alto índice de óbitos de crianças e gestantes por negligência, com ofícios aprovados pelo parlamento, a situação continua. 

    “ Há falta de remédio como dipirona, remédio para hipertensos e diabéticos, falta cirurgião, falta anestesista, falta tudo. E isso cai nas minhas costas. São inúmeras pessoas solicitando remédio e eu não posso bancar, não tenho condição para isso. Tem médico usando CRM de outros, porque a administração não quer pagar caro para levar outros profissionais”, revelou o vereador. 

    O comunicador e funcionário da prefeitura Tony Oliveira, disse à reportagem que tem sofrido perseguição política. Segundo ele, no início do mês de novembro foi expulso da sede da Prefeitura de Fonte Boa, por um guarda municipal, ao tentar cobrar os três meses de salários atrasados, que teria para receber da prefeitura.

    Confira o vídeo | Autor: Divulgação

    “Temos uma gravação feita nessas eleições para governo, onde o prefeito [] reuniu todos os seus secretários ameaçando, e coagindo os funcionários da prefeitura para votarem no candidato dele. Quem não votasse, sentiria as consequências. Temos essa gravação completa sem corte”, disse o Tony. 

    Ouça áudio

    Outra grave denúncia diz respeito a atuação de médicos sem registro profissional no CRM-AM (Conselho Regional de Medicina). Tony disse que, ao precisar de um atestado de 15 dias para apresentar à Prefeitura de Fonte Boa, por motivo de doença, recebeu dois atestados, mas que um seria irregular.

    Segundo Tony Oliveira, de todos os médicos que atuam na cidade, apenas um tem CRM. O registro é usado pelo demais médicos que não possuem. “Senti na pele esse problema, quando precisei de um atestado e acabei recebendo um documento com carimbo do CRM do médico titular, mas que foi assinado por um profissional que não tem registro. O caso já está sendo investigado pelo Ministério Público”, alegou. 

    Ainda segundas as denúncias de perseguição, há dois meses o professor e presidente do Sindicato dos Professores, Micharly Tavares Almeida, gravou em vídeo o momento em que é agredido dentro da sede da Prefeitura de Fonte Boa, logo após ter ido cobrar da administração a correta aplicação dos recursos do Fundeb (Fundo Nacional da Educação Básica). 

    Outro lado

    A atual gestão da Prefeitura de Fonte Boa rebateu as acusações. “Resguardando o sagrado direito do contraditório passamos a apresentar a versão dos fatos da Prefeitura Municipal, com relação às denúncias caluniosas e irresponsáveis atribuídas pelo vereador de oposição, Kelison Coêlho e do Sr. Tony de Oliveira”.

    Salários atrasados 

    Referente aos salários atrasados nas áreas de saúde e educação, a Prefeitura afirmou que “não existe nenhum funcionário com mês de atraso em seus salários em nenhuma Secretária. Os pagamentos estão sendo realizados e são feitos de acordo com uma tabela prévia que vai do dia 10 ao dia 30. (Dentro do mês subsequente trabalhado)”. 

    Diz ainda a nota que “Conforme as oscilações da receita de julho a outubro ocorreram atrasos de dias, não meses. A respeito das afirmações feitas de maneiras caluniosas pelo Servidor Tony de Oliveira, podemos afirmar que a Prefeitura está em dia com os vencimentos dele, não existem salários pendentes a este funcionário”. 

    A Prefeitura afirma que em nenhum momento faltou combustível para as ambulâncias
    A Prefeitura afirma que em nenhum momento faltou combustível para as ambulâncias | Foto: Divulgação

    Ambulâncias e ônibus escolares parados

    A Prefeitura afirmou que as ambulâncias, uma UTI móvel e uma UTI fluvial foram danificados com sal jogado na máquina durante a gestão anterior, o que ainda está sendo investigado por inquérito administrativo para achar os culpados. O prefeito já teria providenciados três ambulâncias para a cidade. " Uma foi recebida neste dia 21 de novembro e outras duas estão recebendo equipamentos".

    A Prefeitura também afirma que em nenhum momento faltou combustível para as ambulâncias e que os problemas de estrutura na saúde já foram denunciados à Susam, pelo fato de o hospital da cidade ser de responsabilidade do Governo do Estado. 

    Sobre os ônibus a prefeitura informou que após reparos um deles já está operando normalmente, o segundo ainda não foi recuperado
    Sobre os ônibus a prefeitura informou que após reparos um deles já está operando normalmente, o segundo ainda não foi recuperado | Foto: Divulgação

    Sobre os ônibus escolares, a administração de Fonte Boa afirmou que os dois veículos que atendem a cidade também estavam danificados quando a atual gestão assumiu em 2017, e após passar por reparos um deles já está operando normalmente e o segundo ainda não foi recuperado. 

    Sobre a falta de aula em unidades da zona rural de Fonte Boa, o secretário de Educação, professor Sandoval Coêlho, afirmou que não existe Escola alguma do interior sem aula e que a secretaria monitora regularmente se os professores estão nas comunidades. A nota afirma ainda que a atual gestão vem empregando as verbas do FUNDEB na valorização do Professor e nas melhorias das escolas, com inauguração de sete novas escolas.

    Médicos sem registros, falta de remédios e outros problemas da saúde

    A Prefeitura de Fonte Boa afirmou que realmente os atuais sete médicos, sendo dois cirurgiões, (dois contratados pela Prefeitura e cinco do Mais Médicos) que atendem a cidade" não têm registros porque os profissionais brasileiros não se interessam em trabalhar distante das grandes capitais".

    Sobre o alto índice de óbito de crianças e gestantes por negligências, em nome da Prefeitura de Fonte Boa, a subsecretária de Saúde enfermeira Keila Mota, negou as acusações dizendo, “Os casos que ocorreram foram devido a outras complicações, não negligência”. 

    Sobre a falta de medicamentos, administração de Fonte Boa argumentou que não faltam medicamentos nos hospitais e postos de saúde da cidade, que inclusive alimenta a demanda de outros municípios vizinhos. 

    “Podemos afirmar que todas as medicações do hospital estão sedo repostas normalmente e não falta medicação para atendimento dentro do Hospital. O que ocorre é que as medicações são de uso interno, para pacientes que estão internos e necessitam de atendimentos de urgência e emergência. Para tratamento domiciliar temos as farmácias dos postos de saúde, medicamentos da atenção básica de saúde”, diz a nota. 

    A prefeitura disse que nos últimos 22 meses já tem feito trabalho de recuperação das ruas
    A prefeitura disse que nos últimos 22 meses já tem feito trabalho de recuperação das ruas | Foto: Divulgação

    Infraestrutura do município

    A atual gestão afirmou que recebeu a cidade em más condições de infraestrutura e ao logo dos últimos 22 meses já tem feito trabalho de recuperação das ruas, por meio de um convênio, que inclui a estrada da Baré, que dá acesso ao porto da cidade.

    Quanto a iluminação pública, está sendo feita a troca das lâmpadas convencionais por lâmpadas LED. De 600 que foram recebidas, 400 já foram instaladas e já foi feito outro pedido de 600 lâmpadas.  

    Perseguição política e áudio vazado

    A Prefeitura de Fonte Boa negou que Tony Oliveira, tenha sofrido perseguição e tenha sido expulso da sede da Prefeitura este mês. “Não é a primeira vez que este cidadão tenta desconstruir a imagem da Prefeitura e de servidores”, afirma em nota. 

    A respeito de um áudio de uma conversa do prefeito Gilberto secretários e funcionários, que Tony Oliveira cita na reportagem, a Prefeitura de Fonte Boa afirmou que “O encontro foi informal na casa do Prefeito e alguém se aproveitando da informalidade, gravou e passou para este cidadão, que anda espalhando o áudio”. 

    Diz ainda que “o Prefeito recorreu à justiça, que determinou a imediata retirada do áudio do ar, e multa por desobediência, por se tratar de uma montagem clara. O magistrado se baseou ainda em relatos de testemunhas que estavam no encontro de que a conversa estaria embaralhada”. 

    Denúncia de agressão

    Sobre as agressões as quais, Tony Oliveira afirma terem sido sofridas pelo professor Micharly Tavares Almeida, a prefeitura declarou que “Este mesmo professor Micharly Tavares, se apresenta no município de índole violenta, não foi a primeira vez que ele entra em uma repartição pública, com o intuito de perturbar a ordem no ambiente”, disse. 

    A Prefeitura esclarece ainda que “[Micharly] está sendo processado por agredir a gestora da Escola Municipal Francisca Creuza, Wallen Lessa Caresto, dentro de uma sala de aula. "No dia que ocorreu a invasão dele na prefeitura, um dos seguranças teve de contê-lo. Antes de ligar o celular, agrediu o segurança. Quando viu que haveria revide, ligou a câmera do celular para se fazer de vítima”, completa a nota. 

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