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    projeto social


    Casa do Rio cria oportunidades de vida para comunidades do Amazonas

    Transformado a partir de uma tragédia pessoal, fundador de ONG já alcançou reconhecimento internacional por trabalho em comunidades da BR-319

    Ao todo, sete projetos promovem a prática do extrativismo comercial ecológico, empreendedorismo e ações de resgate cultural
    Ao todo, sete projetos promovem a prática do extrativismo comercial ecológico, empreendedorismo e ações de resgate cultural | Foto: Divulgação/Casa do Rio

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    "Estava beirando os 30, com depressão, e ainda não tinha achado o meu lugar no mundo. Um dia, desisti das minhas duas profissões, juntei minhas milhas e fui pro interior do Amazonas. Lá, encontrei uma realidade diferente de tudo o que vivi e criei meu próprio espaço. "

    Thiago Cavalli, idealizador e fundador da ONG Casa do Rio

    Manaus - A Organização Não Governamental (ONG) Casa do Rio, idealizada e fundada por Thiago Cavalli, está ativa em três municípios do interior do Amazonas. O projeto atende mais de 300 famílias por ano e já promoveu autonomia financeira a comunidades ribeirinhas, igualdade de gênero e alcançou reconhecimento internacional.

    Para empreendedores e ativistas, a ideia é um celeiro de oportunidades. A entidade se organiza em sete projetos principais direcionados à educação integral, geração de renda e agroecologia. Para os atuantes, contudo, a expansão contínua da Casa do Rio é natural nos próximos anos.

    Cavalli disse, por exemplo, que a adesão futura à medicina ayurvética - um dos sistemas de medicina alternativa mais antigos do mundo, misturando o tratamento psicoemocional e fitoterápico - é uma das tendências de crescimento.

    Um projeto inicial em 2010 desdobrou-se em iniciativas especiais para as necessidades da população
    Um projeto inicial em 2010 desdobrou-se em iniciativas especiais para as necessidades da população | Foto: Divulgação/Casa do Rio

    "O projeto começou com uma proposta de acolher artistas para uma experiência na Amazônia, mas, hoje, agregou diversos ramos. Agora, estou em busca de novos conhecimentos para otimizar a cura de doenças comuns no cotidiano interiorano, onde a gente sabe que a saúde é precária", detalhou Cavalli.

    Transformação de vidas

    O projeto ganhou mais força em 2014, mas foi a partir de 2010 com uma pequena casa de madeira reformada que o trabalho social começou. Durante um momento pessoal difícil, o ativista se mudou para a comunidade do Tupana, Zona Rural do município do Careiro (a 124 km de Manaus). Nesse meio tempo, ele recebia crianças em casa em uma espécie de ensino fundamental improvisado.

    "Morava em São Paulo e quando cheguei no interior, me assustei com a realidade das crianças. Combinei com os pais para fazermos todo fim de semana um 'intensivão' na minha casa. Revisava com meu amigo livros de matemática, física, química, só para ensinar as crianças. Percebi que estava criando algo novo ali", detalhou.

    O jeito amazônico de salvar vidas

    "Quando você não sabe o que fazer, você tem que criar esses espaços para serem seus. Para mim, o fazer alguma coisa rotineiramente não tinha graça e não me estimulava. Estava tomando antidepressivos e mudei radicalmente minha vida", admitiu Cavalli. Formado em Odontologia e Comunicação e Artes do Corpo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ele desistiu de sua vida na capital paulista para abrir a ONG.

    Veja o relato de superação do ativista:

    A trajetória de Thiago Cavalli, fundador da ONG Casa do Rio, iniciou com a desistência de duas profissões e uma fuga para a floresta amazônica | Autor: Márcio Melo e Ítala Lima/Em Tempo

    Inspirado em um aula de teatro, quando sua professora pediu para fazerem algo que nunca haviam feito, Cavalli decidiu descobrir novos estilos de vida e trabalho, momento quando se encantou pela Amazônia. A ONG Casa do Rio ao longo de seus anos já ganhou o prêmio Samuel Benchimol de Artesanato, foi reconhecida como a organização de destaque em Nova York pela BrazilFoundation e conquistou o prêmio Itaú-Unicef de Educação, no último 29 de novembro.

    A ONG começou com uma casa de madeira reformada onde crianças começaram a frequentar um escola fundamental improvisada
    A ONG começou com uma casa de madeira reformada onde crianças começaram a frequentar um escola fundamental improvisada | Foto: Divulgação/Casa do Rio

    Projetos desenvolvidos

    De lá para cá, muitas conquistas foram alcançadas, como o incentivo público do Governo. O objetivo é levar o ensino básico formal à comunidade, o engajamento dos moradores em novos projetos de geração de renda e o crescimento de mobilidade urbana para quem vive na rodovia BR-319.

     A coordenadora do projeto "Meninos e Meninas de Ouro", Quezia Reis, confirma o percurso. Responsável pela educação complementar de crianças, adolescentes e jovens, a iniciativa leva cultura, lazer e cidadania de forma lúdica e estimulante. O Tupicine desperta o lado cinéfilo nos pequenos filhos de agricultores, incentivando-os a produzirem seus próprios curta-metragens. 

    Já o "Mão Massa" leva os pequenos à educação ambiental com grafite e palestras, aproveitando para conscientizar todos os moradores da região. "Dessas formas, os jovens se ocupam com atividades inteligentes e desenvolvem senso crítico ao mundo onde vivem", disse Quezia.

    Jovens ribeirinhos têm a oportunidade de crescer em um ambiente saudável com projetos lúdicos
    Jovens ribeirinhos têm a oportunidade de crescer em um ambiente saudável com projetos lúdicos | Foto: Divulgação/Casa do Rio

    Chance de crescimento

    Outros projetos como o "Teçume", que empodera mulheres com a geração de renda misturando o artesanato com o design contemporâneo, chegou ao renome de joalheiros internacionais. Cavalli explica que tudo isso se dá pela exploração criativa das potencialidades da região e projeta a renovação de conceitos tradicionais que considera antiquado.

    "A escola como a conhecemos, por exemplo, é um dos espaços mais chato que pode existir na vida de alguém. Se você perguntar para uma criança se ela prefere jogar vídeo-game à ir para a escola, todos já sabem a resposta, mas não deve ser assim. Precisamos pensar a escola social no Brasil, valorizando as pessoas pelo o que elas são, e não concentrar somente o técnico", vislumbrou.

    Dentro do guarda-chuva que é a Casa do Rio, como Cavalli brinca, o Centro de Saberes da Floresta é o que mais se aproxima dessa ideia inovadora. Quezia ressalta a importância do programa, afirmando ser preciso quebrar o pensamento que limita as pessoas interioranas e ribeirinhas de alcançar o desenvolvimento social.

    As mulheres da comunidade recebem empoderamento com projetos como a polinização e manuseio comercial de frutas típicas
    As mulheres da comunidade recebem empoderamento com projetos como a polinização e manuseio comercial de frutas típicas | Foto: Divulgação/Casa do Rio

    "Às vezes, eles mesmo pensam que não são capazes, mas não é verdade e mostramos isso. Na era da informação, ensinamos a como fotografar, como publicar e como engajar as redes sociais a seu favor para ganhar visibilidade no mercado. Alcançar oportunidades com a tecnologia está mais fácil, principalmente para aqueles que não poderiam tê-la sem mudar de cidade", comentou.

    O user no Instagram @seliganocareiro é o perfil em que os jovens mostram o dia a dia da comunidade. O trabalho já rendeu aos participantes, inclusive, ofícios na prefeitura do município. Quem tiver interesse em conhecer a ONG e fazer alguma doação, o site da organização BrazilFoundation, que abriga o projeto, está disponível, assim como o e-mail casadorio@casadorio.org. 

    O teçume, trabalho artesal, promove geração de renda alternativa à mulheres
    O teçume, trabalho artesal, promove geração de renda alternativa à mulheres | Foto: Divulgação/Casa do Rio

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