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    Aviação


    Medo de voar? Conheça os órgãos que cuidam da segurança nos céus

    Saiba como funciona o Cindacta 4 e Seripa 7 em Manaus, ambos cuidam do monitoramento e prevenção de acidentes respectivamente na região norte

    Manaus - Medo de andar de avião várias pessoas têm, mas elas não imaginam que por trás de cada voo existe centenas de pessoas cuidando para que nada dê errado. O Em Tempo visitou o interior do 4º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 4) e do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 7) - órgãos que cuidam do tráfego aéreo e prevenção de acidentes com aeronaves, em nossa região. 

    As informações são do comandantes do Cindacta 4, coronel aviador Nilo Sérgio Machado de Azevedo, que acompanhou a reportagem durante a visita. Segundo ele o Cindacta 4 cuida tanto da circulação geral, que se enquadra na aviação civil, comercial e de pequeno porte, como também da parte de defesa aérea para manter a soberania do espaço aéreo brasileiro, por meio de aeronaves de defesa e radares tridimensionais. 

    Sede do Cindacta 4 em Manaus
    Sede do Cindacta 4 em Manaus | Foto: Ione Moreno

    A aérea abrangente pelo Cindacta 4 corresponde a mais de 65% do território nacional. Então para que o núcleo possa cumprir a missão de tomar de conta de todo esse espaço, foram espalhados 26 destacamentos, nos oito estados que compõem o Cindacta 4: Acre, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Maranhão, Roraima e parte do Tocantins. 

    Além de mais dezoito estações de apoio, que são antenas de comunicação para que os aviões possam sempre estar entrando em contato com a base. Para exercer contato é feito um traçado estratégico para que a todo momento os aviões possam conversar com a base e estejam visíveis no radar em uma altura de 20 mil pés (6 mil a 7 mil metros). 

    O espaço aéreo coberto pelo Cindacta VI é tão grande que alcança as águas marinhas, a uma distâncias de até 200 milhas além do limite terrestre brasileiro. Em casos de falta de energia, o Cindacta 7 possui geradores com autonomia de duração até dois dias com reabastecimento.  

    Sala de controle aéreo civil

    Cononel Nilo Cindacta IV  - Defesa e controle do tráfego aéreo
    Cononel Nilo Cindacta IV - Defesa e controle do tráfego aéreo | Foto: Ione Moreno

    Como a área de atuação é grande, o comando em Manaus, que fica localizado na avenida do Turismo, no Tarumã, Zona Oeste, divide o espaço aéreo em três regiões: Belém, Manaus (Central), Porto Velho. O comandante Nilo explicou que a quantidade de controladores em atuação vai de acordo com a demanda de tráfego aéreo. 

    A medida que aumenta o tráfego de aviões, o comando coloca mais controladores para atuar. O trabalho é feito 24 horas por dia, todos os dias. O tráfego aéreo aumenta no período noturno, por conta das aeronaves que cruzam os céus da Amazônia indo ou voltando para a América do Norte. 

    Uma das funções do Cindacta 4 é controlar os voos nivelados, quando começaram a fase inicial de descida ou na fase final de subida. Quando os aviões se aproximam dos terminais entra em ação o Controle de Aproximação, e quando chegam mais perto da pista inicia o trabalho das torres que auxilia a aeronave no pouso. 

    Quantas pessoas trabalhando?

    Controladoras monitoram voos na região Norte
    Controladoras monitoram voos na região Norte | Foto: Ione Moreno

    O efetivo de controle do Cindacta IV conta com 800 pessoas, sendo que quase metade dos controladores são mulheres, divididos entre parte operacional, parte técnica, e parte administrativa. Tudo isso, somado aos outros 26 espalhados pela região chega a um total de 1.8 mil pessoas atuantes.  

    Cada controlador não pode passar de duas horas de trabalho, para que não atue com fadiga ou cansaço, para evitar erro humano. Eles têm direito a um intervalo de descanso de uma hora até voltar para o posto novamente. Outra mudança para evitar erro humano é a troca da cor do fundo da console (computador de monitoramento em tempo real) para cinza, que não cansa a vista dos controladores. 

    A formação de um controlador de voo dura de seis meses a um ano. A escola especializada fica em Guaratinguetá (SP), que leciona o curso de Formação de Sargento com especialidade de Controladoria de Tráfego Aéreo, pela Força Aérea Brasileira (FAB).   

    A defesa aérea

    Cindacta IV  - Defesa e controle do tráfego aéreo
    Cindacta IV - Defesa e controle do tráfego aéreo | Foto: Ione Moreno

    Para se preparar, a FAB em situações de crise, acidentes ou outros imprevistos, realiza treinamento de contingência. O treinamento acontece em São José dos Campos (SP) e recria as situações de pane degradando o sistema como, por exemplo, a perda de energia aumentando o nível de pressão nos controladores, até que chegue ao ponto em que o tráfego seja controlado todo de forma convencional, sem o radar eletrônico, para exercer dificuldade e imitar uma situação de pane no sistema. 

    Em caso de acidentes, os aviões possuem um sistema que emite sinal para a base de controle após um grave impacto que tenha danificado a estrutura da aeronave. Os Cindactas são interligados e trocam informação o tempo inteiro.  

    Comandante Nilo 

    Cononel Nilo Cindacta IV  - Defesa e controle do tráfego aéreo
    Cononel Nilo Cindacta IV - Defesa e controle do tráfego aéreo | Foto: Ione Moreno

    O comandante do Cindacta 4, o coronel aviador Nilo tem 33 anos de serviço. Ele trabalha no Departamento de Controle do Espaço Aéreo desde o ano 2000. Já atuou no Cindacta 1, em Brasília, e no Cindacta Central no Rio de Janeiro. É ploto inspetor do grupo que faz as aferições de todos os auxílios à navegação. Ele já atuou como chefe do Centro de Controle de Área, chefe do Centro de Operações Militares, e agora é comandante do Cindacta V. 

    Além de piloto, Nilo é controlador chefe de Controladoria Aérea, um curso específico que ensina a fazer interceptação de aeronaves desconhecidas quando invadem o espaço aéreo. “Graças a Deus nunca tivemos problemas com sinistros de invasão. Faço esse trabalho com paixão”, completou.     

    O que é o Seripa 7

    O Em Tempo também visitou o Seripa 7, que fica localizado na avenida Santos Dumont, próximo ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. As informações são do chefe do órgão, o tenente-coronel Elio de Almeida Abreu Júnior, que recebeu a equipe de reportagem. 

    O Seripa nasceu em 2007, após a FAB, que até então era responsável pela aviação militar e civil, esta segunda por meio do Departamento de Aviação Civil (DAC), decidir separar os comandos de aviação civil e militar.  

    Com o aumento da demanda da atividade aérea e da aviação civil, na época o Governo viu que era preciso criar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), deixando em aberto o trabalho de investigação de acidentes, que antes era feito por um núcleo do DAC. 

    A investigação continuaria em mãos da FAB, mas agora por meio dos Seripas, que são sete ao todo e ficam posicionados em locais de acordo com organizações militares. Os Seripas são subordinados, técnica e operacionalmente, ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). 

    Chefe do Seripa 7 fala sobre acidentes
    Chefe do Seripa 7 fala sobre acidentes | Foto: Ione Moreno

    O Seripa 7 é o maior, porque cobre quatro estados, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima totalizando 2 milhões e 200 mil quilômetros quadrados. “Esse tipo de órgão é exatamente encarregado pelo planejamento, gerenciamento, execução da atividades de segurança de voo nas aéreas de atuação da aviação civil”, revela chefe do Seripa 7, ten. cel. Almeida.  

    Segundo o anexo 13 da Organização Aviação Civil Internacional (OACI), na qual o Brasil é signatário, todo o trabalho de investigação tem que ser voltado para prevenir novos acidentes, não visando quem, mas sim o quê?. 

    “A prevenção feita pelo Seripa é uma atividade proativa. Por meio das estatísticas podemos trabalhar as informações, e em cima de um retrato, nos prevenirmos para diminuir as estatísticas em cima de alguma potencialidade. Este ano o Seripa estará registrado na ISO 9001”, diz Almeida. 

    Acidentes mais comuns 

    Em 10 anos de existência completados em 2017, após um trabalho do resumo das estatísticas do Seripa 7, foi identificado que a maior potencialidade de acidentes na região Norte foi de falha de motor. “Ano passado fizemos oito visitas às empresas de táxi aéreo de nossa região de atuação para conversar com a alta direção sobre aquelas potencialidades. Outro dado foi que fevereiro e agosto eram os meses com maior número de ocorrências”, explica. 

    Todas as investigações de 2007 e 2017 totalizaram 400 ocorrências registradas pelo Seripa 7. Porém, além dessas, nem todas são registradas, porque apenas ocorrências de acidentes e incidentes graves entram para os registros. Ocorrências de solo com menos gravidade não são registradas. 

    Por ano, o órgão identifica 16 casos de acidentes, sendo que quatro a 5 são acidentes graves e de 10 a 11 são incidentes. Segundo Almeida, a diferença entre as duas modalidades é o resultado. 

    O incidente grave, por exemplo, é o resultado quando as pessoas ficam feridas, mas não há impacto humano e material grande. Já no acidente a gravidade é bem maior, como em casos de mortes ou perda total do avião. Quem define a modalidade é o próprio investigador do Seripa. 

    Investigação

    A investigação segue outro viés da investigação policial. Inclusive, o investigador do Seripa não pode participar de investigação policial nem mesmo para a assessoria. O Seripa pode contribuir apenas com a justiça, caso seja solicitado um documento factual, por exemplo, laudo técnico do motor do avião, envolvido na ocorrência. 

    O relatório do Seripa não entra em autos de investigação policial ou de justiça, porque o documento não dá ampla defesa do contraditório e tem como finalidade apenas construir dados para prevenir acidentes no futuro e todas as entrevistas são voluntárias. 

    O Seripa também atua em solo orientando crianças de escolas ao redor de aeroportos, para cuidar bem do lixo para não atrair aves, que podem derrubar um avião. Além de não apontar laser para as aeronaves, não soltar balão e a utilização de drones. “A gente usa as crianças como meio de nos ajudar a difundir os assuntos que permeiam a segurança de voo”, disse.  

    Todos os Seripas contam com uma mesma estrutura, que é dividida em sessões de investigação, prevenção, administrativa, de assessoria, e qualidade e produtividade. Tudo isto com um grupo de 20 a 30 militares, dentro das suas funções, que levantam e produzem estatísticas sobre os acidentes, além de acompanhamento de ocorrências.  

    Plataforma Sipaer está disponível para todos
    Plataforma Sipaer está disponível para todos | Foto: Ione Moreno

    Acesso às estatísticas

    O tenente-coronel Almeida frisou que qualquer cidadão pode acessar os dados produzidos pelas investigações do Seripa. Inclusive para contribuir com o próprio órgão visualizando estatísticas que já foram produzidas em todo o Brasil.

    Para isso, está disponibilizada e ao alcance de todos o site painelsipaer.
    "Com essa plataforma qualquer pessoa pode ter acesso a toda gama de dados que os Seripas de todo o Brasil já produziram em todos esses anos, e moldando as buscas podem ser encontradas informações úteis", completou Almeida, pedindo que a ferramenta seja bastante divulgada por todos. 

    *Edição: Isac Sharlon

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