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    Em Manaus, grupo de venezuelanos pode ser despejado de abrigo

    Sem explicações e sem ter para onde ir, o grupo de venezuelanos está desesperado. Eles pedem um posicionamento das autoridades de Manaus

    50 venezuelanos reclamam que vão ser despejados hoje às 12h do abrigo Residencial São José | Foto: Divulgação

    Manaus - Um grupo de aproximadamente 50 venezuelanos reclama que vai ser despejado nesta quinta-feira (14), às 12h, do abrigo Residencial São José, no bairro Alfredo Nascimento, Zona Norte de Manaus. Os estrangeiros destacam que apenas os indígenas Waimiri Atroari não foram convidados a se retirar do local.

    Ainda segundo os venezuelanos, um aviso de despejo foi entregue na quarta (13) e que a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) não deu explicações sobre qual a necessidade ou motivo deles saírem do abrigo.

    “Não acho justo o que eles estão fazendo conosco. Nós não temos para onde ir, aqui tem pessoas com crianças de colo e não temos onde dormir. E também queremos entender o porquê só nós que vamos embora e os indígenas vão ficar”, relata o venezuelano Jean Rodon.

    A reportagem questionou a Semmasdh para saber a motivação para a retirada dos venezuelanos do local. 

    Resposta da Semmasdh

    A secretária da Semmasdh, Conceição Sampaio, conta que os venezuelanos não estão sendo despejados e sim transferidos para o abrigo municipal do Coroado, pois estarão passando pelo processo de receber o aluguel social. O abrigo do Alfredo Nascimento passará a receber os venezuelanos que estão na rodoviária de Manaus. 

    “Eles vão continuar recebendo toda a alimentação e acompanhamento da equipe. Só que eles passam a ter essa possibilidade de receber o aluguel social, que já é algo com Cáritas Arquiodicesana de Manaus, que é uma outra parte neste processo”, explica Sampaio.

    Questionamos a secretária sobre a diferença de receber o benefício do aluguel social no abrigo do Alfredo Nascimento e do Coroado. “A lei da assistência destaca que o tempo de acolhimento é de três meses. Nós temos prazos. Ali não é um abrigo permanente. Se não nós não vamos conseguir com que ocorra o fluxo e dar a possibilidade para que as pessoas possam estar prontas para serem inseridas”.

    Pelo menos 300 pessoas estão na rodoviária de Manaus e aguardam para ir a um abrigo.

    “Nós estamos fazendo um trabalho de acolhimento e de acompanhamento para que essas pessoas recebam o aluguel social. Isso é um fluxo, outras pessoas vão entrando”. 

    Sobre os indígenas que não estão participando do processo, a secretária explica que depende de fatores antropológicos que estão sendo estudados.

    “Eles não estão aptos a entrar no mercado de trabalho, pois não dominam o idioma. Eles têm hábitos diferentes e alguns também não querem nem estudar”.

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