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    Em Manaus, famílias relatam desafios na criação de pequenos autistas

    Conheça história de mães que buscam superar, todos os dias, as dificuldades em ter um filho com autismo

    A imposição precoce de limites nas crianças com autismo é essencial, diz psiquiatra | Foto: Divulgação

    Manaus - Uma das principais características de uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a dificuldade de interação social. Ter um filho especial é dedicar-se ainda mais à tarefa de ser pai e mãe, pois essa criança exigirá cuidados e uma atenção maior. Para mães de autistas, a maternidade vai além de um abraço, uma conversa ou uma brincadeira.

    Em uma matéria especial para o Portal Em Tempo, a mãe do pequeno Matheus, Karla Santos, conta como é o desafio, alegrias e dificuldades em criar uma criança que precisa de cuidados especiais.

    “Matheus tem 12 nos. Eu recebi o diagnóstico dele quando tinha três anos de idade. Ele não andava ainda. Foi quando ele fez todos os exames e, em seguida, foi confirmado que ele tem espectro autista. De imediato, eu tomei um susto, mas fui adiante com o tratamento dele - que foi bastante complicado porque ele não aceitava muito", diz.

    No começo, tudo foi intenso para Matheus. Ele tomou vários remédios, realizou tratamento com fonoaudióloga, terapeutas e a fisioterapeutas. E foi com seis anos de idade que ele começou a dar os primeiros passos, nas pontas dos dedos.

    Karla tem mais duas filhas além de Matheus. Ela conta que a relação dele com as irmãs sempre foi muito positiva. Entretanto, com outras pessoas ele teve dificuldades.

    Matheus (o de branco) tem um relacionamento muito amigável com os primos e as irmãs
    Matheus (o de branco) tem um relacionamento muito amigável com os primos e as irmãs | Foto: Arquivo Pessoal

    “Ela não gosta de socializar. O barulho de muitas pessoas juntas incomoda ele. Ele ainda não consegue se adaptar na escola.  Sempre que posso vou mantenho ele em contato com outras pessoas. Matheus participava do Espaço de Atendimento Multidisciplinar ao Autista Amigo Ruy, porém quando ele pegou rotavírus, acabou perdendo a vaga. Ele foi para lista de espera e não foi mais chamado", conta.

    Pela experiência adquirida com o tratamento do pequeno Matheus, Karla dá conselho para as outras mães que passam pela mesma situação e, muitas vezes, se encontram "perdidas", sem orientações, no início do diagnóstico e tratamento.

    "Eu sempre digo para elas levarem seus filhos ao médico, mesmo quando eles aparentam estar bem. Não tente querer que o seu filho viva no seu mundo, mas leve o seu mundo para ele conhecer e vê o que acha. Tenha amor, respeito e, principalmente, dê atenção e tenha cuidado com uma criança autista. Ela tem os momentos em que fica feliz ou depressiva”.

    O meu neto ama falar o "te amo"
    O meu neto ama falar o "te amo" | Foto: Arquivo Pessoal

    A vovó do Diógenes Gustavo, Selma Nely Mendes, conta que ele foi seu primeiro neto e sempre teve bastante atenção. “Ele é uma criança muito carinhosa e com o tempo foi aprendendo a ser bastante amorosa. O Gustavo gosta de falar ‘te amo vó, pai, tia’ e quer que responda ‘te amo também’. Ele não sabe discernir as brincadeiras e se estressa logo.  Antes tinha muitas dificuldades de se socializar. Eu tive que apresentar ele no início para crianças”.

    Selma diz que as professoras afirmam que ele aprende rápido e sempre conclui as provas escolares primeiro que os demais. Porém, o pequeno não fica por muito tempo quieto.  Por conta do comportamento natural de quem tem TEA, todo ano, a professa tem uma reunião com a mãe dele.

    “Uma vez ele ficou na casa da minha avó e surtou, pois não queria comer cheiro-verde que estava na comida. Ele gritou pela casa inteira e destruiu umas cordas. Minha mãe e irmã deixarem ele à vontade, depois minha irmã conversou com ele. Logo em seguida, ele pediu perdão e se emocionou”.

    Selma conta que ele só toma remédios quando está muito estressado. "Procuramos vigiar o que ele joga. O que ele olha na internet. Nós incentivamos muito para ele se socializar e estudar”. 

    Qual a melhor forma de educar ou lidar com uma criança com autismo?

    Para a psiquiatra Evelyn Vinocur, a imposição precoce de limites nessas crianças é essencial, embora bem dolorosa, principalmente se os pais exageram na emoção ou culpa, perdendo a razão.

    “Uma dica é estabelecer limites já nos primeiros anos de vida da criança, facilitando o seu aprendizado. Quanto antes a criança aprender a lidar com limites, raiva e frustração, melhor será a sua capacidade adaptativa”.

    A especialista alerta que as terapias familiares são essenciais à educação da criança autista. “A criança autista deve ser tratada como um membro da família e não como um ‘soberano’ ou um doente, a quem tudo é permitido”.

    Os pais precisam ser firmes e taxativos no olhar, postura, palavras e atitudes. Jamais gritar ou bater. Resistir ao choro e gritos da criança, apenas contendo comportamentos autoagressivos.

    “Espere um momento tranquilo em casa e converse com seu filho. Explique os motivos pelos quais você não poderá satisfazê-lo sempre. Por vezes, não dar qualquer alternativa também é uma boa. Se a hora de sair do computador é 17h, ele deverá sair nesse horário e ponto final", enfatiza. 

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