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    Autismo


    Mães de autistas em Manaus relatam despreparo de educadores

    Mães relataram ao Em Tempo que, por falta de conhecimento de alguns profissionais da Educação, autistas já foram denunciados até na Delegacia do Menor Infrator em Manaus

    Mães de autistas de Manaus denunciam falta de conhecimento entre profissionais da educação que registraram boletim de ocorrência (B.O) contra alunos como se fossem menores infratores. ✔ Deixe seu like 👍 ✔ Inscreva-se no Canal ✔ Acesse: https://emtempo.com.br/ ✔ Acompanhe as nossas redes sociais pelo @portalemtempo ✔ Página do Facebook: https://www.facebook.com/portalemtempo/ ✔ Página do Instagram: https://www.instagram.com/portalemtempo/ ✔ Twitter: https://twitter.com/portalemtempo EM TEMPO. TUDO. AGORA | Autor: Portal Em Tempo

    Manaus - Mães de autistas de Manaus denunciaram ao EM TEMPO que alguns profissionais da Educação no Amazonas, registraram boletins de ocorrências contra os filhos delas, alunos de escolas tanto da Seduc, como da Semed,  por alterações de humor e instabilidade emocional, próprios do transtorno.

    Segundo elas, os autistas foram apontados como menores infratores por conta de situações de conflitos, em salas de aula.

    De acordo com as mães, em situações, taxadas como "desequilíbrio e agressão", educadores foram até a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), no Alvorada para denunciar alunos que saem da "normalidade", em sala de aula.

    As mães Nubia Brasil e Débora Vilaça denunciam que professores chegaram a registrar boletim de ocorrência contra os filhos delas, diagnosticados com autismo
    As mães Nubia Brasil e Débora Vilaça denunciam que professores chegaram a registrar boletim de ocorrência contra os filhos delas, diagnosticados com autismo | Foto: Ione Moreno

    O autismo é um transtorno que acomete uma em cada 160 crianças no mundo. As crises nervosas, comuns em quem  é diagnosticado com a síndrome, costumam ser desencadeadas pelo acúmulo de informações sensoriais simultâneas que levam a elevados níveis de estresse. 

    O principal ponto do problema, segundo as mães, é a falta de qualificação e conhecimento sobre o autismo por parte de alguns profissionais nas escolas do Estado ou da Prefeitura, embora não seja a regra, já que há muitos professores que se atualizam para compreender tais alunos e têm mais empatia.

    Um dos casos denunciados aconteceu na Escola Estadual Professor Antenor Sarmento Pessoas, no Centro de Manaus, e envolve o filho da dona de casa Débora Vilaça.

    Crise nervosa

    O filho de Débora,  de 15 anos, foi acusado de ser menor infrator por ter dado um tapa na mediadora durante uma crise nervosa. A mãe dele já recorreu a todas as instâncias que poderia e aguarda vencer a batalha pelo direito do filho. O caso aconteceu em dezembro do ano passado.

    “Eu fiquei arrasada. Entrei em contato com a escola, perguntei da diretora e ela confirmou que sabia do caso. Procurei a advogada do Grupo de Autismo e fomos à delegacia verificar a denúncia contra o meu filho. O David sofreu bullying nessa escola, assim como em outra que estudou. Muitos não entendem o que é o autismo. A crise aconteceu depois que essa profissional tocou no corpo dele, pois o meu filho não gosta de toque. Ela ficou apressando para que ele terminasse a tarefa e fosse embora, porém, ele tem dificuldades”, relata.

    Caso é mais comum do que deveria

    Outra mãe que passou pela mesma situação foi a administradora Núbia Brasil, atual presidente da Associação de Mães Unidas pelo Autismo (Amua). Ela é mãe de Ronaldo Valente, de 12 anos. Em 2014, quando Ronaldo tinha 6 anos, a administradora foi surpreendida com uma intimação em nome do filho. Um boletim de ocorrência (B.O) contra ele foi registrado por uma profissional da Educação, enquanto ele estudava na Escola Municipal Professor Carlos Farias Ouro de Carvalho, no Monte das Oliveiras.

    Mães de filhos autistas reclamam da ausência de mediadores nas escolas de Manaus
    Mães de filhos autistas reclamam da ausência de mediadores nas escolas de Manaus | Foto: Ione Moreno

    “Para a nossa infelicidade, entrou uma nova professora no meio do ano e pintaram para ela uma imagem negativa do meu filho. Certo dia ele estava com uma tesoura nas mãos, pois ele gosta de cortar papel, e ela simplesmente tomou o objeto dele. Então gerou-se uma crise. Ele  ficou descontrolado com o ato da professora e acabou cortando o braço dela, o que jorrou muito sangue. Ao chegar à escola para buscá-lo, tomei conhecimento da situação, perguntei o porquê de não terem me chamado. Eles disseram que já haviam resolvido a situação.

    Tanto para Núbia como para Débora foi um susto receber boletim de ocorrência contra os filhos. “Eu adoeci e meu estado psicológico ficou muito abalado, chorei demais. A partir do momento que aconteceu isso, o meu mundo acabou”, conta Débora.

    “Nós acreditamos que eles podem seguir a vida deles normalmente. Como mães, abandonamos a nossa vida para estamos presentes na vida escolar deles. Queremos que eles cheguem aos 15 anos e tenham oportunidade no mercado de trabalho. Isso está previsto em lei, mas qual a empresa que vai aceitar um autista se não sabe o que é o autismo? Então essa é nossa realidade, que eles sejam vistos como pessoais normais e consigam assumir uma profissão”, enfatiza Núbia.

    A luta dos pais é para que haja um mediador no ambiente escolar. “Ronaldo tem, mas o rapaz ainda é um estagiário. Ano passado o meu filho passou por três estagiários. Eles não querem ficar com os autistas nas escolas e acabam desistindo. Não há um profissional especializado e falta informação da escola. Deveria haver palestras, mais cursos para que os profissionais aprendessem a lidar com essas pessoas, que precisam de um tratamento especial", completa Núbia. 

    Já a doméstica Angélica Tenório relata a dificuldade para conseguir terapia.“Encontro dificuldades na escola, tudo é difícil. Para conseguir mediador e terapia temos que ir ao Ministério Público e também recorrer a mídia. Hoje as dificuldades na escola são o bullying e a falta de inclusão"diz mulher, mãe do Gustavo Maciel, de 14 anos.

    Outros problemas

    Família de autistas em Manaus relatam dificuldades com a inclusão dos filhos
    Família de autistas em Manaus relatam dificuldades com a inclusão dos filhos | Foto: Ione Moreno

    A dona de casa Ana Cássia Baia, mãe de Jean Baia, conta que tudo que os autistas precisam, a família tem que recorrer à justiça para conseguir. Ela relata dificuldades em conseguir terapias multidisciplinares, assim como o benefício do INSS.

     “Eu dei entrada para ter primeiras terapias multidisciplinares, mas só consegui psicólogo e foi no horário da aula dele, ele não quis ir. Estou dando entrada pela segunda vez. Eles precisam, é fundamental. Terapia não é só ter um psicólogo, eles precisam de um conjunto de profissionais”.

    Outra dificuldade é conseguir consultas como neuropediatra. “Você fica 40 dias na fila de espera para conseguir uma consulta. Eles não facilitam em nada. Demora seis meses. Nós nos cansamos e precisamos de ajuda para isso. Meu filho está com 15 anos e está no ensino médio e isso é muito difícil de acontecer”.

    Respostas das Secretarias de Educação

    Seduc 

    A Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc-AM), por meio de nota, informa que tomou conhecimento do fato relacionado ao aluno. Na ocasião, foi instaurada uma sindicância para apuração. Após o cumprimento de todos os procedimentos a comissão recomendou pelo arquivamento por inconsistências de provas para sustentar a acusação.

    Desde que assumiu, a atual gestão da Seduc-AM tem trabalhado para melhorar o atendimento pedagógico na rede estadual de ensino e evitar que situações como a essas voltem a ocorrer. A Seduc-AM ressalta, ainda, que tem dentro de seu planejamento pedagógico um contínuo e reconhecido trabalho na educação inclusiva, promovendo a inclusão de alunos diagnosticados não somente com autismo, mas também de outras especificidades em todas as unidades de ensino da capital e interior, realizando ações de conscientização e cursos.

    Para atender alunos com necessidades específicas como os autistas, disponibiliza o Professor Auxiliar de Vida Escolar, que conforme as necessidades das escolas da rede são destacados para atender as demandas.

    Deve-se enfatizar que a demanda ainda é maior que a disponibilidade de profissionais capacitados para essas necessidades específicas, contudo a Seduc-AM, continuamente realiza capacitações de professores para atuarem nessa função e também realiza processos seletivos para contratação desses profissionais.

    Semed

    Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) destacou que possui 1.501 autistas e que estudam em 347 unidades de ensino, do total de 496 da rede. E que conta com 420 mediadores que atuam com professores de salas de aula do ensino regular, em que há alunos com deficiência, inclusos.

    De acordo com a Semed, o mediador é um estagiário de Graduação de Pedagogia ou Letras LIBRAS que atua na modalidade da Educação especial no contexto dos estabelecimentos de Ensino da Educação Infantil e do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Finais), no atendimento aos alunos com deficiência, Transtorno do Espectro Autista, exercendo atividades necessárias à inclusão deste público, em todos os níveis e modalidades de ensino. 

    " A Semed segue os preceitos indicados na legislação voltada à Educação Especial, que versa sobre a matrícula de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superlotação nas classes comuns do ensino regular com o intuito de promover um sistema educacional inclusivo e democrático, bem como eliminar todas as formas de discriminação, de modo que os alunos possam participar plenamente das ações pedagógicas e sociais da escola, centradas nas diferentes formas de aprender e conviver. Além das classes comuns do ensino regular, a Semed também possui salas de recursos multifuncionais, que têm como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem", finaliza a nota

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