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    Vida em risco


    "Não vamos voltar à fila da morte em Manaus", dizem pacientes renais

    Os pacientes alegam em denúncia que os recursos do Tratamento Fora de Domicílio que ajudam a manter as pessoas na cidade, foi bloqueado.

    Em Curitiba, pacientes renais do AM fazem vídeo pedindo ajuda | Autor: Divulgação

    Manaus - Pacientes renais crônicos e transplantados do Amazonas que fazem tratamento em Curitiba (PR) estão pedindo socorro ao sistema de saúde do Governo do Amazonas.Os pacientes amazonenses, na capital paranaense, entraram em contato com o EM TEMPO  nesta segunda-feira (29) para informar que os recursos do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) que ajudam a manter as pessoas na cidade, foi bloqueado. Em vídeo, um grupo de pacientes pede ajuda para a solução do problema.

    EM TEMPO entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) para relatar o caso e solicitar uma resposta. O Portal aguarda posicionamento da pasta. 

    A paciente Franciane Melo dos Santos, 31, diz que saiu de Anori no Amazonas, “na cara e na coragem”, para se tratar na capital paranaense. Por telefone, a paciente que já está transplantada há um mês, disse que a ajuda custo para os pacientes, ainda não caiu na conta neste mês de abril. “Estamos todos desesperados porque dependemos desse dinheiro para pagar aluguel, transporte, alimentação e compra de medicamentos. Estamos nos ajudando como podemos. Quem não transplantou ainda está sendo chamado de de volta para Manaus, mas não queremos voltar para fila do 28 de Agosto, para morrer”, disse. 

    Franciane revelou ainda que, além dela, outras dez pessoas está aguardando a cirurgia e fazendo diálise. “Este mês cortaram os pagamentos e alegaram que o TFD, trocou de direção e está passando por análise. Mas a gente não tem como esperar, temos uma dieta rigorosa e precisamos comprar medicamentos que nem existem em Manaus", explicou.  

    Outro paciente que está há sete meses em Curitiba, Luis Felipe Silva, 24, realizou o transplante de rins há 2 meses. Ele disse por telefone ao Portal Em Tempo que  também passa por dificuldades. “A minha mãe recebeu uma mensagem que dizia que os pacientes renais estão ilegais em Curitiba. Então cortaram os recursos que estavam nos mantendo aqui. Essa cirurgia não está sendo feita em Manaus e eu fui operado há pouco tempo, ainda não tenho como voltar. Como estamos ilegais se estamos lutando por nossas vidas?", questionou.

    Felipe disse que recebia R$ 2,2 mil, valor para manter custos como medicamentos, alimentação, transporte e pagamento do aluguel. “A gente só quer que o Governo do Amazonas retome o envio da ajuda de custo, porque estamos aqui sem nenhum recurso. A gente tem dieta rigorosa para seguir que custa caro, e medicamentos específicos, tudo que gera custo alto. Não conhecemos ninguém aqui, apenas nos mesmos, que estamos nos ajudando”, completou. 

    Confira a nota completa do Governo do Estado:

    O Tratamento Fora de Domicílio (TFD) é exclusivo para procedimentos de  saúde que ainda não são oferecidos no local de residência do paciente.

    Para receber a ajuda de custo, o paciente não pode fixar moradia no local de tratamento. A cada período que precisar permanecer no local de tratamento, ele deve enviar à coordenação do TFD o relatório assinado pelo médico da unidade onde está sendo atendido justificando a necessidade de permanência.

    Os pacientes de Curitiba são renais crônicos que aguardam por transplante naquele estado. Em Manaus estavam sendo atendidos em clínicas de hemodiálise conveniadas ao SUS e deveriam retornar para dar continuidade ao tratamento enquanto aguardam o transplante, porém não retornaram.

    A Comissão Médica que autoriza a ajuda de custo entrou em contato com o Hospital em Curitiba e foi informada, via e-mail, que a permanência dos pacientes em TFD não era necessária, podendo os mesmos aguardarem o transplante na cidade de origem (Manaus). 

    A Comissão analisou cada caso e neste mês de abril indeferiu a ajuda de custo dos pacientes que estavam indevidamente no TFD, alguns desde setembro do ano passado. 

    Como funciona:

    a) Além da passagem aérea, o paciente de TFD recebe ajuda de custo, inicialmente correspondente aos 15 primeiros dias, no valor de R$ 1.100,25 (paciente + acompanhante), independentemente se permanece ou não os 15 dias fora da cidade de origem. 

    b) o paciente que precisa permanecer mais de 15 dias na cidade de destino, encaminha relatório médico de permanência para o TFD, solicitando ajuda de custo. Essa ajuda de custo é paga para cada período de 30 dias que o paciente e seu acompanhante permanecem fora (no valor de R$ 2.200,50 mensais). Para o pagamento, são analisados os relatórios de permanência pela comissão médica. Só então, são feitas planilhas com os nomes daqueles pacientes e de seus acompanhantes que tiveram a permanência devidamente justificada e autorizada pela comissão. 

    As planilhas são encaminhadas para a Susam para autorização do pagamento. Semana passada foram pagas 11 planilhas – cada uma tem em média de 25 a 30 pacientes, o que dá uma média de 300 ajudas de custo.

    Atualmente, 450 pacientes estão sendo atendidos pelo TFD no Estado por mês, com 900 ajudas de custo mensais. Nos quatro primeiros meses de 2019, já foram abertos 203 novos processos de TFD.

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